O Sábio de Chuteiras
A diferença entre o mito e a pessoa, entre o ícone
e o homem em movimento, está no meu conhecimento do Russo,
centro-avante do Fluminense e do escrete nacional, o quinto maior
goleador do tricolor. O primeiro Russo que conheci era um
botão, desses que roubávamos das roupas dos mais
velhos para montar os nossos times de futebol de mesa. O meu
Russo tinha corcova, deslizava bem para marcar gols de cortada
que fazíamos com pente, ficha ou barbatana. Esta era a
mais terna das reverências que fazíamos
àquilo que ouvíamos nas rádios, porque
dificilmente os grandes times do Rio e São Paulo vinham a
Curitiba, quanto mais à minha cidade, Paranaguá, ou
à Irati dos deslumbramentos líricos do Nego Pessoa.
Nossa alegria, feita de paixão e de lúdico, estava
na liturgia dos botões que acompanhava aquele futebol de
mais imaginário porque as narrativas diminuíam as
dimensões do campo, já que os atores essenciais
estavam sempre perto da área e dela o Leônidas. o
Pirilo, o Isaías, Ademir Menezes, Heleno e, é
claro, o Russo, eram como primeiros-bailarinos. Quando conheci o
Russo, ele já havia passado pela supervisão do
escrete no ciclo do João Saldanha e estava no
Paraná para uma ação misionária no
Atlético Paranaense. Deixou várias
lições. E é em cima dessa trajetória
de Adolpho Milman que Carlos Alberto Pessôa se vale, como
fio condutor da história, das reflexões, muitas
delas polêmicas, em torno da mitologia do técnico
onisciente, o que provocou irritação de
críticos sem sua coragem e talento.
- I.S.B.N.: 8589485641
- Cód. Barras: 9788589485647
- Reduzido: 1569083
- Altura: 21 cm.
- Largura: 15 cm.
- Acabamento : Brochura
- Idioma : Português
- país de Origem : Brasil
- Número de Paginas : 132
Por: R$ 20,00

