Oralidade: Texto e História: para Ler a História Oral
Nesta obra, ao som da música que embala frutos do ninho da
oralidade, Alberto Caldas junta postulados já
explícitos e - um pouco Platão, ou outro tanto
Benjamin com dose de Enzesberger - à beira da floresta
pujante, no estado de Rondônia, exibe a palavra oral como
que "discogravada" para que nós, selvagens da
escrita, sintamos a originalidade se deu sabor/saber. E supondo
poderes germinais onde eles inexistem - meus trabalhos sobre
história oral -, Caldas engrossa o líquido adensado
por Eco quando propugnava o incontrolável pertencimento
público ou coletivo de qualquer obra. Desenhando
círculos imagináveis, desce ao barthiano "grau
zero da escrita" e endossa Foucault quando "desautoriza
autorias" para, assim, valorizar a oralidade. Contra todas
as estruturas massacrantes resultadas do engrandecimento dos
egoísmos modernos, com graça agostiniana, Caldas
junta os fragmentos da humanidade pessoal para propor um novo
desenho da experiência. Relendo seu texto, recrio o dilema
vislumbrado por Ruben Figgot ao ter de responder ao selvagem do
Suriname por que os "civilizados" repetem a
expressão "arco e flecha" e não subvertem
a relação propondo "flecha e arco". Eu,
pelo menos, ficaria mais feliz caso ocorresse tal
"desordem", pois a flecha - o texto de Caldas -
é que dá sentido aos meus trabalhos, continuidade
de - tantos - outros.
José Carlos Sebe Bom Meihy
Editora: Loyola
Autor: ALBERTO LINS CALDAS
ISBN: 8515018225
Origem: Nacional
Ano: 1999
Edição: 1
Número de páginas: 133
Acabamento: Brochura
Formato: Médio
Complemento: Nenhuma
Por: R$ 17,70

