Jornal de Timon
O jornalista maranhense João Francisco Lisboa viveu num
tempo de efervescência política (a Regência e
o início do Primeiro Reinado), tempo em que o Brasil
aprendia a se governar, tempo de ataques aos portugueses, de
conflitos entre oligarquias, de rebeliões populares. Tempo
também de grande influência da imprensa. Os jornais,
muitos deles simples pasquins, eram a principal arma de luta
política: os jornalistas punham sua pena a serviço
dos partidos e facções em conflito.
Depois de militar durante vários anos na
facção liberal dos bem-te-vis, Lisboa
desencantou-se com a política e dedicou-se a estudar e
escrever. Sua obra principal foi o Jornal de Timon. O
pseudônimo (Timon) ele foi buscar no filósofo grego
conhecido pela misantropia, pelo ódio à humanidade.
Ao mesmo tempo lúcido e mal-humorado, Lisboa evitou,
assim, ter uma visão complacente de seus
conterrâneos e contemporâneos.
A parte do Jornal aqui publicada (segundo e terceiro folhetins)
constitui a mais rica descrição e a mais
devastadora crítica dos costumes políticos da
época, sobretudo das eleições, dos partidos
e da imprensa. Fraude, violência, traição,
corrupção, subserviência, arrogância,
mediocridade - nisso se resumia o comportamento dos
políticos do Maranhão. Segundo Timon, embora o
Maranhão fosse o pior que havia, as críticas valiam
também, em boa parte, para o resto do Brasil.
A maior e também mais deprimente lição que
se tira de leitura do Jornal, no entanto, é que muitas das
críticas ainda são válidas para os dias de
hoje, passado um século e meio.
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