Os 11 Maiores Técnicos do Futebol Brasileiro
Atacante bom é aquele que faz gol. Goleiro bom é
aquele que evita gol. E técnico bom, quem é? O
grande estrategista, que domina as teorias? O paizão, que
trata os jogadores como crianças crescidas e carentes,
necessitadas de compreensão e apoio? O tático,
capaz de "virar o jogo" no intervalo, com
alterações surpreendentes? O que sabe revelar
jogadores? O que sabe lidar com estrelas? O que sabe "ler o
jogo"? O que estuda os adversários? Ou, simplesmente,
o vencedor? Numa época em que técnico
transformou-se em "professor" é evidente a
importância dada a esse profissional do futebol pela
mídia especializada e pelos torcedores. Particularmente,
acredito que os treinadores são importantes, mas
não tanto quanto alguns pensam ser e nem como hoje a
estrutura do futebol determina.
O Brasil teve sempre grandes treinadores de futebol e, mais do
que isso, grandes personagens. Figuras que marcaram época
à beira do gramado, conquistando títulos,
colecionando histórias, inaugurando modismos, descobrindo
e aprimorando novos craques. O bombardeio de
informações a que somos submetidos hoje cobra um
preço muito alto: o prejuízo à
memória?- que nunca foi o forte do nosso povo.
Dia desses, numa das famosas conversas de cafezinho na
redação, os mais experientes da roda foram citando
nomes de treinadores do passado. Todos vencedores, consagrados. A
cada gole e a cada nome a interrogação estampava o
rosto dos mais jovens. Eu me perguntava: como eles podem
não saber quem foram Lula, Bela Gutman, Ênio
Andrade, Oswaldo Brandão? Para a minha
geração, a dos que hoje perambulam pela casa dos
40, isso se aprendia quase que por osmose. No mundo do Google, do
YouTube e dos terabytes a informação envelhece
depressa e muita coisa se perde pelo caminho. Se a
lembrança não é automática, nada
melhor do que exercitar a memória dos mais antigos e
abastecer a dos mais jovens. Eu tive a sorte, através de
meu querido pai e mestre, Luiz Noriega, de ouvir muitas das
histórias aqui relatadas e, também, de conviver com
alguns dos personagens.
Foi em uma outra conversa, com Jaime e Luciana Pinsky, da Editora
Contexto, que surgiu a ideia deste livro, que eles me deram a
honra e a responsabilidade de escrever. Sempre preocupados com a
educação e
a memória, Jaime e Luciana detectaram a necessidade de
resgatar algumas histórias e apresentá-las à
nova geração de apaixonados pelo jogo de bola.
Através destas páginas se percebe claramente como a
figura do técnico foi ganhando importância no
Brasil, simultaneamente ao êxodo dos grandes craques. Como
já não existem grandes craques jogando no Brasil -
afirmação feita pelos próprios treinadores
-, a realidade é que, talvez com um certo exagero, os
treinadores passaram a ser as estrelas. Sobre o tema, cito
rapidamente o amigo Toninho Neves, jornalista dos bons,
eternamente polêmico. Ele afirma que na era dos craques,
quando se dizia que os técnicos cochilavam no banco, o
Brasil ganhou três de quatro Copas entre 1958 e 1970.
Depois, na era dos estrategistas, a partir da Copa de 1974, foram
nove Copas disputadas e apenas duas conquistas. É para se
pensar.
Como toda lista, esta também vai gerar polêmica.
Alguns dirão que faltou fulano, que cicrano não
deveria fazer parte dessa compilação. Mas
também para chegar a esses 11 houve muita pesquisa, muita
conversa e entrevista, em mais de 20 anos de carreira como
jornalista e apaixonado por esportes (isso desde muito antes do
jornalismo). Alguns dos critérios utilizados para definir
a relação de técnicos foram número de
conquistas, o impacto no futebol de sua época, as
inovações criadas.
Apenas dois nomes me deixaram em dúvida: Aymoré
Moreira e João Saldanha. Aos 45 minutos do segundo tempo,
decidi que a biografia do jornalista João Saldanha, o
João Sem Medo, se sobrepunha à do treinador que
trabalhou no Botafogo e começou a montar a
seleção brasileira que seria campeã do mundo
em 1970. Quanto a Aymoré Moreira, muito bom goleiro e
posteriormente treinador de reconhecida competência,
campeão mundial em 1962, no Chile, talvez tenha sido um
erro deixá-lo de fora, mas a escolha era muito
difícil. Posso até estar equivocado e sei que, no
país dos 180 milhões de técnicos de futebol,
outras listas de 11, 20 nomes surgirão. Espero que esta
faça justiça ao trabalho e à memória
dos aqui perfilados.
Outra brilhante sugestão dos editores foi acrescentar aos
perfis dos treinadores entrevistas de personalidades,
ex-jogadores e outros treinadores, que com seu depoimento ajudam
a entender a importância de Os 11 maiores técnicos
do futebol brasileiro. Os perfis dos treinadores estão
apresentados numa ordem que procura apresentar a
evolução do futebol brasileiro e a
contribuição histórica desses profissionais.
O húngaro Bela Gutman teve influência decisiva no
trabalho de Vicente Feola com a seleção brasileira
em 1958, por exemplo.
Procurei apresentar de maneira fiel as personalidades
históricas do futebol aqui retratadas, com um pouco de
suas vidas, seu trabalho, suas realizações. Sem
nenhuma pretensão literária, o objetivo deste livro
é oferecer uma fonte honesta e segura de
informação sobre alguns dos principais treinadores
que passaram pelo melhor futebol do mundo.
- I.S.B.N.: 9788572444262
- Cód. Barras: 9788572444262
- Reduzido: 2632114
- Edição : 1ª Ed. / 2009
- Idioma : Português
- País de Origem : Brasil
- Número de Paginas : 256
De: R$ 35,00
Por: R$ 31,50
