Estive na praça na terça-feira, e o clima de acampamento hippie misturado a de centro acadêmico de humanas destoa completamente dos prédios austeros ao redor. É como se os manifestantes do movimento OccupyWallStreet transformassem aquele naco de terra de 3 mil metros quadrados, normalmente habitados por executivos engravatados, em uma filial da Praça Tahrir, no Cairo, ou na Plaza de Cataluña, em Barcelona, palco das manifestações no Egito e na Espanha.
São hippies, punks, estudantes, veteranos de guerra, hipsters, grafiteiros, sindicalistas e simpatizantes que não arredam o pé da praça, sempre sob olhares atentos da polícia e dos turistas, que já elegeram o lugar como o mais novo ponto turístico de Nova York. Vista à distância, a fauna humana parece uma concentração antes de um show de rock, mas basta passear entre eles para perceber que há muito além dos cabelos compridos e coloridos, tatuagens, piercings e palavras de ordem.