Eu adoro São Paulo, que tem sido uma cidade muito boa comigo. Mas aqui falta, em boa parte do ano, uma coisa que eu simplesmente adoro: chuva. Outro dia estava lendo um livro que tinha uma passagem descrevendo uma chuva caindo sobre um rio, lago, mar, não lembro mais. Isso me despertou um monte de lembranças e sensações incríveis. Agora a mesma coisa rolou com essas fotos que esbarrei no Tumblr. Chuva na janela, gato no sofá… O mundo lá fora e eu aqui, nada de tempestade, uma chuva e pronto.
Quando eu morava nos EUA sonhava em ter uma casinha no interior de algum lugar da Nova Inglaterra, perto de um rio navegável, onde chovesse o tempo todo. Já quando eu morei em Winnipeg praticamente nunca chovia: o clima é parecido com o de Brasília e, para complicar mais, metade do ano fica abaixo de zero, portanto a chuva vira neve. Lá comentei com um colega que achava Vancouver um lugar legal, onde eu pensaria em morar (nunca conheci Vancouver), no que ele respondeu “Ah não, lá chove demais.” Tive que responder “Não, né amigo? Aqui que nunca chove. Eu sou do Rio, chuva faz parte da minha vida.”
Não se pode ter tudo na vida. Mas São Paulo podia ter mais chuva batendo na janela.
( ) Rever a família
( ) Sair com os amigos
( ) A bela paisagem
(x) Respirar o ar salgado e úmido para ver se o pulmão dá uma limpada do seco e sujo ar de São Paulo.
Toda vez que o backup to iTunes demora 1 milhão de anos (e 10Gb) pra completar essa música começa a tocar na minha cabeça. Vida de babaca é atribulada.
Quando comuniquei que ia sair da colmeia combinei que meu último ato de governo seria viajar para Presidente Prudente para ajudar na gravação do minidoc do Brasileirão Petrobras sobre o Grêmio Prudente. Por conta da escala de gravações nessa semana foi preciso fazer um time paralelo: enquanto a gente foi para o interior a outra equipe já foi para o Rio adiantar a produção do vídeo do Vasco.
O Grêmio Prudente sempre foi um grande ponto de interrogação no projeto. Um time novo, numa cidade pequena, zoado pela imprensa e, ainda por cima, em último lugar no campeonato. O medo era chegar lá e simplesmente não ter nada legal para filmar.
Chegando lá ficamos aliviados em ver que a torcida local abraçou totalmente a chegada do time, considerando a mudança de Barueri para Prudente um presente que não pode ser desprezado. Claro que sempre fica aquela desconfiança, estão certos em desconfiar, mas encontramos uma cidade feliz com o novo time. Uma molecada empolgada em poder começar a escrever a história de um time (e da torcida) do zero.
A viagem acabou sendo uma ótima maneira de me despedir da colmeia, de sentir na estrada a energia que é trabalhar com esse pessoal. Energia, aliás, que obviamente contribuiu para o time local vencer o jogo depois de sete partidas sem vitória. Agora como creative technologist da JWT desde o início do mês a pegada é outra (dá pra fazer umas 20 metáforas futebolísticas) mas com certeza vou continuar de olho no projeto que ajudei a levantar e na empresa que continuo admirando e respeitando. Bola pra frente! (rá! não falei?)
PS: Tem easter egg no vídeo: eu apareço em algum ponto.