OK, já tem 2 semanas de fato ocorrido, mas a Clara fez 1 ano, com direito a festinha com mega-decoração e tudo mais aqui em casa. (e muuuito fffffrio)
Esse um ano foi obviamente surreal e maravilhoso. Todos aqueles chavões e avisos que botaram aqui — de “sua maneira de ver o mundo vai mudar” a “vai dormindo enquanto pode!” — aconteceram como eu já sabia que aconteceria. Ainda por cima a Clara é um bebê que simplesmente não dá trabalho: fora as normais estripulias ela só ficou doente uma vez (um resfriadinho) e até a fase das cólicas passou bem rápido, com mudança na dieta da Anna. (entre eu começar a escrever este texto e hoje ela ficou doente mais uma vez, mas foi só outro refriadinho, poxa)
É obviamente complicado ser O Pai da Clara (como eu sou conhecido agora nas bocas) principalmente porque eu sou o cara que passa o dia todo com ela (com a ajuda das avós-babás e da faxineira-babá) enquanto a mãe chega de noite fazendo todas as vontades. Eu tento ser papai-bobão como sempre quis ser mas tenho que dar duro e dizer “não” várias e várias vezes. Aliás “não qué” é a única coisa que a Clara fala além de “mamamamamã” e (raramente) “papapapapa”. Estou lascado.
Ser pai iniciante também é divertido porque você acha cada coisinha que seu neném faz a coisa mais incrível, criativa e única do mundo. Como, por exemplo, botar o telefone atrás da cabeça e começar a falar loucamente. Para depois descobrir que todos os bebês do mundo fazem exatamente a mesma coisa. Mas e daí?, cada um tem o seu bebê mais lindo do mundo.
É realmente incrível como é fisicamente impossível ficar com raiva dela. É claro que ela me tira do sério, que eu a chamo de “chomomilda”, que ela pega o que não deve, que joga meu celular no chão… Mas e daí, segundos depois eu já estou na calma de novo achando tudo aquilo um barato.
A brincadeira, inventada pelo Mairus (que é mais recém-papai do que eu) é que quando chega aquele cara dizendo como está tudo uma bagunça e esse mundo não presta a gente vira dizendo “que nada… agora eu sou um otimiiiista”. Estamos aqui em casa, para dar um exemplo, numa seqüência de problemas oficinísticos com carros, incluindo uma já certa troca de um bloco inteiro de motor mas eu, sinceramente, não consigo sair do sério com a (monstruosa) despesa. O máximo que penso é “e daí, é só dinheiro e pelo menos não é com hospital”. É só pegar a Clara no colo para, depois de muita luta, botá-la para dormir toda fedorentinha de suor de toda a agitação do dia… “é só dinheiro”. É uma coisa que, lá vem mais um chavão, não dá para colocar num mero texto de blog.