Primeiros efeitos dos vazamentos do Wikileaks

Por Randy Bish. Via @roger_carv.


Para quem está do lado de cá o problema de Israel é a imparcialidade da mídia

Poucos chavões são mais chavão do que “a história é contada pelo vencedor”. Mas antes de terminada a guerra a história é contada pela mídia e por quem a controla. E para quem está aqui no bem-bom sem levar míssil e bomba na cabeça, todo ano é a mesma coisa: fica difícil saber realmente pelos meios de notícia o que está acontecendo, quais as motivações, se a crise tem solução próxima e o que diabos, no fim das contas, está acontecendo lá no Oriente Médio. (e nem adianta dizer que a solução é ler blogs, neles mesmo é que estão as opiniões mais polarizadas)

Certo ou errado é claro quem controla a mídia do lado de cá do oceano. Não que eu ache que há uma conspiração judaica mundial para distorcer os fatos, não aberta e conscientemente. Mas todo ano não aparecem em nossos cinemas filmes de orçamento milionário mostrando o drama de famílias árabes em alguma guerra. Já o outro lado…

Ficam aqui, portanto, algumas das Doze Regras de Redação da Grande Mídia Internacional Quando a Notícia é do Oriente Médio, para sua referência.

Regra Um – No Oriente Médio, são sempre os Árabes que atacam primeiro e sempre Israel que se defende. Esta defesa chama-se represália.

Regra Sete - Quando se menciona a palavra “Hezbollah”, é obrigatório a mesma frase conter a expressão “apoiado e financiado pela Síria e pelo Irã”.

Regra Oito – Quando se menciona “Israel”, é proibida qualquer menção à expressão “apoiada e financiada pelos Estados Unidos”. Isso pode dar a impressão de que o conflito é desigual e que Israel não está em perigo existencial.

Regra Doze - Todas as pessoas que não estão de acordo com as Regras de Redação acima expostas são “Terroristas Anti-Semitas de Alta Periculosidade”.

(e quem citar Hitler primeiro na conversa perde a brincadeira)



Twply, a fraude?

Hoje alguns usuário de Twitter apareceram com uma mensagem aparentemente automática dizendo que estavam usando o novo serviço Twply para receber, via e-mail, todas as respostas (os arrobas) enviados para o seu usuário.

O problema é que o site pede o seu login e senha, provavelmente para certificar-se de que você-é-mesmo-quem-diz-ser. Só que não dá para saber se ele guardas essas informações, se guarda de maneira segura e o que faz com elas.

Eis que ao cair da noite Robert Scoble manda o aviso: o site inteiro foi colocado à venda e, pelo que parece, vendido por US$ 1,200.

Talvez um dia seja revelado o que realmente está por trás deste site, mas em todo caso vamos a dicas diretamente ou não relacionadas ao assunto. (Continua…)


A Guerra dos Mundos de Welles, um exagero?

Um texto do professor de jornalismo Michael J. Socolow, da University of Maine at Orono, defendendo que o tão comentado pânico na rádio-transmissão de Orson Welles para A Guerra dos Mundos, em 1938, não gerou tanto pânico na população quanto gostamos de contar para demonstrar o poder da mídia.

A lenda teria nascido do próprio Welles exagerando os fatos para auto-promoção, histeria do governo tentando regulamentar a nova mídia e pessoas entrevistadas que simplesmente mentiram sobre suas reações.


A Rodada de Doha foi para o saco

Uma das minhas expressões favoritas nos últimos tempos é “a história acontecendo diante dos meus olhos”, mas normalmente eu a uso para me referir ao mercado brasileiro de “nova mídia”. Mas fiquei com a impressão de que essa melada geral nas negociações sobre o comércio mundial que aconteceu ontem vai ser estudada pela Clara e os filhos dela naquela lista de seqüencia de fatos aparentemente simples que levaram a um grande merdelê mundial. Espero, claro, que eu esteja mais uma vez sendo paranóico como em outras vezes.


Teoria conspiratória 36

Supermercados tocam flashbacks para deixar os clientes mais felizes (lembrando dos seus “bons e velhos tempos”) e assim comprar mais.


Alfajor pra turista comer

Acabei de confirmar o que já devia ser óbvio. Argentino mesmo não compra alfajores Havanna, que deve ser “pega turista brasileiro otário”, com suas lojinhas e quiosques espalhados por pontos estratégicos de Buenos Aires.

Devorei agora um da Bombonería Royal, que é do tipo Santafesino, muitio mais gostoso.


Esqueça 4, 8, 15, 16, 23, e 42

Os verdadeiros números do poder são 09-f9-11-02-9d-74-e3-5b-d8-41-56-c5-63-56-88-c0.

Esta seqüência de números hexadecimais são supostamente usados para destravar e decriptografar conteúdo nos novíssimos HD DVDs e foram publicadas nesta segunda-feira em um blog. Os números em si não eram tão novidade assim, já que sozinhos ainda não fazem muita coisa. Mas quando a indústria cinematográfica obviamente partiu para o ataque ordenando a retirada do site do ar a notícia se espalhou e com ela os números, até chegar ao site de “notícias sociais” mais quente do momento, o Digg. Foi aí que a coisa começou a ficar interessante.

Se você não conhece, uma explicação rápida: o Digg usa o já martelado conceito de web 2.0 onde os usuários enviam notícias (acompanhadas de links) e os próprios usuários decidem quais notícias são quentes ou não para figurar na primeira página. Estar na primeira página do Digg hoje é o sonho de muita gente, garantia de muitas e muitas visitações ao seu site e, provavelmente, dinheiro com clicks nos seus banners. O site foi fundado pelo geekboy Kevin Rose, ex-apresentador do canal TechTV que, entre outras coisas, tem um vidcast — thebroken — sobre temas de legalidade discutível como por exemplo “como desbloquear seu XBox” ou “como fazer um bloqueador de celular”. Muito por causa disso a comunidade Digg é composta por tecnófilos da pesada. Mas além do thebroken Rose apresenta um outro vidcast semanal sobre as notícias quentes do Digg que tem como um dos patrocinadores o consórcio do HD DVD.

Cada notícia sobre os números era retirada do site, já que aparentemente o Digg também foi notificado legalmente pelos meganhas do HD DVD. Mais que isso: as contas de quem publicava a notícia eram banidas do site para todo o sempre.

Isso, claro, faz a turba online 2.0 salivar que nem lobo no pasto de ovelhas. Dizer que houve uma revolta é pegar leve. Durante o dia de ontem a homepage do Digg continha apenas notícias relacionadas, de uma forma ou de outra, aos números. Cada notícia retirada era substituída por outras 10 mais rápido do que gizmos molhados.

No fim do dia Don Rose mandou avisar: não vamos mais tirar as notícias do ar. Se é para sermos processados até a morte, que seja, pelo menos vamos morrer lutando. marcando o fim apenas da primeira temporada dessa série que até agora é bem mais agitada do que a outra série sobre números. (sem falar naquela outra)

A história toda tem várias morais a serem pensadas nesse mundinho que gira bem mais rápido do que girava 20 anos atrás.

Pode uma seqüência de 16 números aparentemente aleatórios ter copyright? Estes números sozinhos não fazem nada. Eles precisam ser colocados em um programa de descodificação para causarem o bem ou o mal. Mas uma chave sozinha também não faz nada, ela precisa de uma fechadura presa a uma porta para ter algum efeito. Esses números podem ser de alguém, que pode decidir quem pode e quem não pode carregá-los?

Algum veículo velha mídia vai publicar os números? Empresas têm muito a perder. Um jornal ou programa de TV pode levar um processo de bilhões na cabeça. Só que neste caso mais uma vez os interesses comerciais de um grupo de empresas estão transformando pessoas comuns em criminosos pelo simples fato de divulgar uma lista de 16 números.

Na péssima palestra do Paulo Henrique Amorim (um cara com o qual eu simpatizava até então) na conferência Web 2.0 ele disse literalmente: user content is loser content (quando perguntado espeficamente sobre sites com o Digg). Segundo ele os usuários são burros demais para saber o que é e o que não é notícia, precisam de caras gostosões como ele para decidir. E isso depois de gastar metade da palestra para dizer como ele odeia a Rede Globo. Será que o site dele vai publicar os números? Ou notícia de verdade é ficar dizendo como o Daniel Dantas é feio e bobo? Qual a diferença entre ele e a Globo?

Os números são a liberdade. Sim, obviamente eles também podem ser usados para piratear filmes (e serão). Mas destravar um filme criptografado significa dar a quem pagou pelo filme a escolha de onde e como ver seu filme. Sem os números (e o software para usá-los) não é possível ver um filme em um iPod ou em um computador rodando Linux. Eles só podem ser vistos em aparelhos selados, registrados, carimbados, avaliados e rotulado pelas empresas que fazem os discos. Se amanhã resolverem parar de fabricar estes aparelhos os (caros) discos com os filmes vão virar, sem os números, apoio de copo ou calço de mesa. Na visão da big media você precisa pagar para ver um filme na sala e pagar de novo para vê-lo no iPod e de novo…

Guarde aí os números e corra porque o trem da modernidade está acelerado e tem muita empresa caindo dos estribos. Leis, aquelas coisas inventadas lá na Grécia, parecem não estar conseguindo acompanhar. Será que a ordem da turba é quem vai prevalecer?

PS: Parece que a Wikipedia, a garota-propaganda da liberdade de expressão online, também quer fingir que os números não existem.

Leia também:


Hospital chinês confunde chá com urina

E a culpa, é claro, é do jornalista que fez a denúncia.

“O objetivo dele deveria ser melhorar o serviço médico do país, mas o que ele fez teve efeito contrário”, disse o ministro. “Se a população começar a levar outros líquidos – como cerveja – para os exames, os hospitais terão que criar um novo procedimento para saber se aquela amostra é mesmo de urina, o que vai complicar um procedimento que até então era simples”, completou.

O ministro disse ainda que talvez o chá tivesse elementos químicos semelhantes ao de urina infectada. Médicos, químicos e outros jornalistas ridicularizaram essa possibilidade.


Prepare o strip-tease

Parece que não ficou só na restrição a líquidos a chegada das regras “internacionais” de segurança aérea no Brasil — vulgo guerra contra a umidade — acho que também mandaram aumentar a sensibilidade do detector de metais. Nunca tive problemas em aeroportos mas ontem tive que tirar sapatos e cinto para conseguir ser aprovado. Pelo menos serviu para aprender que os tênis têm uma banda de metal no meio para garantir a rigidez.


Digite sua senha ao contrário para nada acontecer

Um dos meus bordões preferidos — quem acompanha esse blog já sabe — é “está na Internet, deve ser verdade”. Essa semana caiu mais uma lenda-urbana-virtual: a de que se você digitar sua senha ao contrário nos caixas eletrônicos estará avisando à polícia ser vítima de seqüestro-relâmpago.

A idéia, à primeira vista, parece ótima. Na segunda vista a gente já pensa no potencial para trotes e de que nossa polícia não é necessariamente conhecida mundialmente pela rapidez e eficácia. Como bem lembrou Mestre Mairus “chato vai ser ficar 5 horas enrolando os bandidos dentro do caixa até a polícia chegar”.

Mas é assim que a mente mediana funciona. Se uma idéia é legal, ela precisa ser verdade. Eu rolo de rir quando vejo o adesivo de carro “reencarnação: uma questão de justiça”, como se as leis do universo precisassem ser ditadas pelos nossos conceitos particulares do que é justo ou injusto.

Se tivéssemos uma maneira simples de avisar à polícia sobre o assalto ela precisa ser verdade. É totalmente dispensável perguntar se isso realmente existe. Afinal de contas quem nos mandou o e-mail foi aquele amigo de longa data, que recebeu o e-mail de um parente chegado, que recebeu da… que ouviu da boca do próprio Pablo Neruda que cada vez que você enviar esse texto para alguém a Unicef, magicamente, vai receber um Cruzado Real.


Perdeu, Plutão!

Pluto agora é só um cachorroParem as prensas, Plutão foi para o paredão e o público botou a bola de gelo para fora do Sistema Solar.

Mas peraí, e todo o horóscopo feito até hoje? E quem é de Escorpião, signo regido pelo ex-planeta? Pode pedir o dinheiro de volta? Vai ter problemas emocionais? E como eram os signos antes da descoberta de Plutão, em 1930? As pessoas tinham vidas incompletas? E cadê Xena, que é maior que Plutão, no horóscopo?

É claro que não, os astrólogos sempre têm uma saída pela direita:

Trabalhamos, por exemplo, com a Lua como regente do signo de Câncer. A astrologia é um saber que continua em movimento, descobrindo coisas novas. Até a descoberta de Urano, em 1781, todos os signos eram regidos por planetas visíveis. Hoje trabalhamos até com astros invisíveis e pontos não-físicos.

As famosas energias invisíveis e desconhecidas. Isso tudo levando-se em conta de que o corpo do obstetra exerce mais influência gravitacional sobre o bebê do que Plutão e que a estação do ano em que uma pessoa nasce é totalmente ignorada pela astrologia (já que nosso signo é mesmo independente do hemisfério de nascimento).

É a história, cada otário acredita no que quer. O Saci Pererê me disse que é verdade. I can see uranus from here.


Diazinho besta…

Feliz 6/6/6 para você também. Que o mundo não acabe hoje.


Google Earth daVinci

Deu no Terra (via TopLinks):

Nesta sexta-feira, o filme O Código Da Vinci[bb], baseado no livro de Dan Brown[bb], tem sua estréia mundial. Renaud Euvrard, do site http://da-vinci-tour.renalid.com/, encontrou no Google Earth[bb] os lugares mais importantes da trama, além de traçar os caminhos percorridos por Robert Langdon em sua aventura para decifrar o mistério escondido nas obras do renascentista Leonardo Da Vinci.

Se você tem o Google Earth instalado no seu computador, também pode visualizar os lugares no próprio programa.


Filmes sensíveis, o show da vida

Que legal, acho que já posso pedir meu certificado de meio intelectual, meio de esquerda, item almejado por vários blogueiros. Explico…

Domingo passado, meio como “comemoração” da mudança fomos em uma pizzaria honesta aqui em frente. Lá pelas tantas a TV começou a passar o documentário Falcão – meninos do tráfico. Eu, de costas para a TV, fiquei mais interessado na reação das pessoas na minha mesa e nas demais. Só consegui pensar no final de Admirável Mundo Novo. Cheguei a ouvir a frase “a Globo só faz isso para conseguir audiência”. Ninguém ali estava entendendo o que aquilo tudo na TV significava. Os garçons-delta pareciam entender um pouco melhor, mas também estavam com os olhos bem arregalados. Eu, que também não entendo lá grandes coisas do assunto, não conseguia nem pensar por onde começar a explicar. Especialmente num ambiente pizza-família como aquele.

Depois de uns (vários) minutos a TV foi comodamente mudada para O Senhor dos Anéis, no SBT antes que a orgia seguida de gritos de “Selvagem! Selvagem!” começasse.

26 Mar 2006, Comments Off.
:: A verdade está lá fora,Brasil-sil-sil,TV

© 2000-2008 Cristiano Dias. Alguns direitos reservados. Só alguns, não se preocupe.
Based on a tbeseda & 5ThirtyOne design. doismidela primeraza
RSS