Qual seu signo?

Qual seu signo[bb]? Aposto que qualquer pessoa hoje no Brasil (e na maioria do mundo ocidental) é capaz de responder essa pergunta instantaneamente. Eu sou Peixes. Não faço muita idéia do que isso signifique, mas sei que sou.

— Aaaah, você é Peixes. Mas é claro! Não podia ser outra coisa!

Não sei meu ascendente[bb], mas uma parcela razoável das pessoas sabe até isso. Mas agora…

Qual seu tipo sanguíneo[bb]?

Terceira e última pergunta do questionário:

Qual destas duas informações você realmente acha mais importante para a sua vida?

— Socorro, fui atropelado por um carro! Doutor, eu sou Peixes, rápido!

Pergunte por aí qual o signo e tipo sanguíneo[bb] das pessoas e veja não só que a maioria não sabe seu sangue como ainda vai fazer uma cara de “por que você acha que eu saberia meu tipo sanguíneo?”. Também conhecida como mas hein?.

E, a propósito, eu sou O+.


Eu também sei fazer chavão

Só existem dois tipos de pessoa no mundo: as que falam o que pensam e as que só pensam.

Ou seja… no fundo, no fundo só existe um tipo de pessoa no mundo. Nós é que achamos que são dois.


OM

Blessings of the state, blessings of the masses. Let us be thankful we have commerce. Buy more. Buy more now. Buy. And be happy.

Amém.


Rinha no galo dos outros é refresco

Era para esse texto ser mais elaborado. Como não foi vou acabar sendo mal-interpretado. Mas tudo bem, lá vai…

Existe uma diferença de crueldade assim tão grande entre participar de rinhas de galo e comer um frango de padaria? Nos dois casos uma criatura galinácia foi gerada e preparada para o seu efêmero prazer que culmina com a morte da mesma. E se você acha que o frango que você come, que morreu para você comer leva uma vida legal, na fazendinha verdejante ou no Sítio do Pica-Pau Amarelo você vive num mundinho muito mais cor-de-rosa do que o real.

Então vamos ficar um pouquinho menos chocados, OK?


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Segunda-feira já é um dia tradicionalmente agitado, especialmente quando você passou a semana na estrada e, sob risco de repetir a dose nessa semana, tenta resolver o maior número de pendências por minuto. Uma coisa meio D’Artagnan que marca duelo para as 10:00, 11:00 e meio-dia na confiança de que vai sobreviver a cada um — e no meu caso, sobreviver dentro do prazo.

Mas o pensamento-randômico que passou pela minha cabeça hoje foi “as coisas vão realmente mal quando você se pega várias vezes pensando em escrever um livro de auto-ajuda”. Alguém me salva…

E para fechar: como bem disse o [cc] o novo disco do R.E.M. é coisa da melhor qualidade.


Brasil o país da vela? (ou: momento Lya Luft)

Estou aqui o dia todo tentando rabiscar alguma coisa sobre a vitória do Robert Scheidt. Dizer que a única coisa que eu consigo pensar quando vejo que o cara já ganhou três medalhas olímpicas, todos os campeonatos mundiais desse ano e tem a minha idade é

“E eu aqui descascando batata no porão.”

Aí vem a história da Daiane e seu quinto lugar com um monte de gente caindo de pau (resistindo à tentação de dizer “todo mundo caindo de pau”).

Colega… ela errou feio e é a quinta melhor ginasta do mundo. E você? Não… na boa, o que você é? Não vale dizer que não teve chance, que não nasceu Scheidt, que está mais para Dos Santos. Você tem a vida que tem por livre escolha sua. Dizer que fulano não ajudou, que não teve berço, que não teve escola, que ganhou a Barbie Malibu quando queria era a Barbie Bailarina é tirar o seu da reta e continuar na reta de deixar tudo como está. Você está aqui porque, de uma maneira ou de outra, escolheu estar aqui. Isso, claro, também vale para mim, daí a “revolta” original do texto.

Uns escolhem ser medalhista. Outros escolhem meter o malho no Brasileirinho dos outros.


Símbolo != todo

Pensando sobre toda essa história do governo Lula — da “tentação autoritária” de que fala a capa da Veja — encontro um texto que vem ao encontro de várias coisas que venho formulando quietinho na cachola.

Desde que me entendo por gente o conceito de governo — não só no Brasil, mas é aqui que eu vivo e conheço — anda meio diferente do meu. (daí você começa a entender que eu só comecei a me entender por gente assim dizendo de uns poucos tempos para cá)

O ensaio fala sobre como vivemos em um mundo onde as pessoas confundem o símbolo com a coisa que ele representa. Sobre como de repente um carro deixa de ser aquele objeto que nos leva do ponto A ao ponto B e passa a ser um estilo de vida, uma força de auto-afirmação. Como compramos jipes que consomem 100 litros por quilômetro não por precisarmos atravessar lama e rios para chegar ao trabalho todo dia. Mas porque eu posso. O consumismo é só isso, é comprar uma coisa não pelo “valor agregado”, ou seja, não pelo que aquilo vai me trazer objetivamente mas pelo efeito causado.

Lá pelo natal de 1998 (chute) pedi de presente a caixa com os três VHSs da trilogia Star Wars. Em outubro sai a mesma trilogia em DVD e provavelmente vou comprá-la na semana do lançamento. Nestes 6 anos que tive os VHS em meu poder devo ter visto os filmes uma vez cada. Eu não comprei quatro horas e meia de filme: eu comprei uma caixa que simboliza um filme do qual me considero fã. Eu comprei o direito de dizer “eu tenho, você não te-em”.

E o que o governo tem com isso?

É outro item mencionado pelo texto. Como aquilo que surgiu como uma maneira de pessoas diferentes atingirem um objetivo em comum (ordem, comércio organizado, ruas limpas) se tornou uma entidade autônoma e normalmente contrária àquilo que a originou. Governo.

Hoje o que mais ouvimos falar é que “o povo tem que entender que o governo isso e aquilo”, que o governo deve preservado, que o governo não pode abrir mão…

Caso clássico sempre citado aqui é a CPMF. O imposto era provisório mas depois de uns anos o governo avisa que, afinal de contas, já conta com esse dinheiro no seu orçamento e não pode abrir mão da receita. A gente que se vire para pagar a conta.

Até então esse governo-coisa ficava a maior parte do tempo na esfera econômica. Agora, com o governo Lula e seus amigos ex-comunas-mas-não-tão-ex-assim o governo-criatura vai ganhando tronco e membros. Esse é o tal sinal da tentação autoritária. O governo aparece como uma entidade superior (em vários sentidos) que deve ser preservado. Falar mal do governo é sinal de que estamos tomando ações para derrubá-lo, praticamente um mau-agouro. Daí surgem medidas (ou, esperamos todos, apenas idéias de medidas) com o objetivo de que ninguém fique sabendo dos problemas do governo. “Confiem em nós… aqui só tem gente bem-intencionada que quer o melhor para o país.” Parece que não é só o céu que anda cheio de gente bem-intencionada, Brasília também vai bem.

Senhores governantes (de qualquer mandato e em qualquer nível da federação): quem deve ser preservado sou eu e os outros cidadãos, não o “governo”. O Governo (vamos usar maiúsculas?) não é uma pessoa, um rei, um deus, uma inteligência superior. O governo é a forma que escolhemos de manter as coisas em ordem. Uma outra opção seria “no tapa”.

Com essa história toda de criar um órgão para regulamentar e “ficar de olho” na impresa — que surge na semana onde mais um escândalo é revelado pela malvada imprensa — o governo mexeu com quem não devia. Eu já vi presidente ser derrubado na TV por muito menos. Infelizmente vivemos em um país onde esse papo de separação dos três poderes é meio lenda… mas espero que o Congresso não deixe isso ir muito longe.

Na reportagem-descendo-o-cacete da Veja e suas declarações do rodapé a que eu achei mais importante foi, quem diria, a do Faustão.

O risco, a meu ver, é essa esquerda acabar fortalecendo a direita radical.

Já andei falando disso aqui em algum lugar… A democracia no Brasil é forte o suficiente para impedir que cambemos para uma ditadura de esquerda (EUA à parte). Só que se o governo Lula não convencer (e anda fazendo justamente o contrário) vamos passar umas boas décadas sem um outro governo de esquerda no Planalto. E essa história a gente já conhece.


Edificantes lições sobre a vida

Coisas que eu aprendi por aí…

Em uma mesa de negociação há sempre um mané. Se você não é capaz de identificar quem é o mané há grandes chances de que ele seja você.

Mark Cuban

Esse papo de “copo meio-cheio” e “copo meio-vazio” é besteira. O que importa mesmo é quem está com a garrafa na mão.

Mark Cuban

Real é tudo aquilo que continua existindo mesmo que você deixe de acreditar.

Philip K. Dick

16 Aug 2004, Comments Off.
:: Filosofia de botequim

Como nascem as crenças

Você acredita em Papai Noel? Em macumba? Em poder da mente? Em Nostradamum? Numerologia? E em mudar o país do Orkut para deixar o site mais rápido, você acredita?

Este foi o fim-de-semana do bafafá de que para resolver os problemas de lentidão e mensagens de erro no Orkut bastava mudar o país de Brasil para algum outro. O raciocínio era “óbvio”: os donos do Orkut odeiam brasileiros e tinham colocado um filtro baseado no campo “país” para nos sacanear, mesmo existindo maneiras muito mais eficazes de determinar em que parte do mundo você está. Mude o país e seja feliz!

Para mim toda essa comoção serviu como uma pequena amostra de como surgem as crenças, em pleno século XXI, a suposta época da iluminação e ciência.

Alguém — algum engraçadinho ou alguém bem-intencionado — jogou essa história no ar. Outro alguém foi lá e mudou seu país. Nenhuma das partes tem conhecimento de como funciona o Orkut por dentro — só quem trabalha lá tem, é claro. Na hora o site fica rápido. Conclusão “lógica”: mudar o país acelera o Orkut.

Recebi um e-mail de um amigo sugerindo a medida. Respondi que sou cético em tudo, que não acredito que o Orkut seria capaz de um truque tão idiota e que continuaria brasileiro com orgulho (até porque nem uso tanto o site assim). A resposta foi — ainda dentro do espírito do nosso laboratório-de-fé — sensacional. Algo que poderia ser dito como “eu estou lhe mostrando o caminho e a salvação, mas se você não tem fé queimará no inferno da lentidão”. (é claro que estas não foram as palavras dele, mas a idéia geral foi de ofensa por eu não aceitar a dica dada de tão bom grado)

De uma simples observação do acaso as pessoas desenvolvem uma teoria de que ao realizar a ação X o resultado Y será alcançado, seja ele mudar o país do Orkut, rezar para Papai-do-Céu, mandar carta para Papai Noel ou colocar o nome da pessoa amada na costura da saia. Afinal de contas, se Fulano fez isso e funcionou o mesmo há de acontecer comigo. Para que perder tempo pensando nas origens e possibilidades do resultado se é muito mais simples (e “legal”) simplesmente acreditar? Algum autor de ficção-científica (Asimov ou Clarke) disse uma vez que o mais curioso sobre as coincidências é que elas acontecem.

Como estamos em um laboratório onde os resultados são fáceis de testar (o Orkut volta a travar depois de alguns minutos de uso) comecei a receber respostas de que, quem diria?, tudo não passava de boato. (incluindo um e-mail do amigo citado acima reconhecendo que se empolgou) Tudo de volta ao normal, os orkutenses não nos odeiam.

Ou então viram que descobrimos seus planos e mudaram de novo as configurações para nos ferrar.


Poor is beautiful

Ainda seguindo a série “ter dinheiro é feio, muito feio” pensei em outra história, a do “enobrecimento da pobreza”.

Nas épocas pré-industriais as castas da sociedade eram bem mais definidas. Quem nascia pobre provavelmente ia morrer pobre. Como, então, “a massa” aceitava tal destino de cabeça baixa? Vendia-se a idéia de que aos pobres pertence o Reino dos Céus. Para o católico, ser rico é “pecado”. Não fica bem “ser apegado aos bens materiais”. O importante é a riqueza de espírito.

E ainda vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus
  — Mateus 19:24

É claro que isso só valia para quem não tinha dinheiro. Os ricos continuavam com sua vida regada e, na hora do desespero, compravam uma indulgência e tudo bem. Na base da pirâmide essas e outras idéias (como a de que o rei era um enviado direto de Deus) seguravam o povão. Ser pobre era ser uma bela ovelha do grande rebanho celestial.

Aí vem a curiosidade de que uma das grandes cisões do protestantismo era justamente o conceito de indulgências e “comprar um lugar no céu”. Olhando rapidamente vemos que os países mais ricos do mundo são protestantes e que lá ter dinheiro não é feio, muito feio. Para o protestante ter dinheiro é um sinal de que se está nas graças dO Senhor. Ter dinheiro é sinal de sucesso, o que é óbvio demais quando escrito dessa maneira, mas — repito — no Brasil é feio, muito feio.

Hoje em dia a religião não influencia 100% das pessoas, principalmente no Brasil com sua mistura de credos onde o católico faz despacho na macumba e bota um galho de arruda na orelha. Como, então, convencer “a massa” de que a pobreza é melhor do que a riqueza.

Dizendo que dinheiro não traz felicidade.

Onde quer que você olhe há mensagens enfatizando que ter dinheiro não é o mesmo que ter felicidade. Em vez de ricos que deram dinheiro aos pobres e entraram no Paraíso temos histórias de pobres que ganharam muito dinheiro mas perderam a felicidade. Gente que deixou de ir no pagodinho com churrasco para ir ao Moulin Rouge mas não “se encontrou”. Mulheres… iates… cem mil dólares… nada disso traz a felicidade. Toda novela que se preze tem seu núcleo pobre onde as pessoas são simples e felizes, enquanto que os escândalos de traição e cobiça acontecem no núcleo rico.

Mudei minha vida, agora sou desprendido dos bens materiais. O que se leva da vida são as emoções.

Não que uma pessoa só deva se preocupar com dinheiro, vivendo em função dele. Mas enquanto espalha-se o conceito de que dinheiro não traz felicidade, de que só é feliz quem é pobre… enquanto achamos legal acreditar nisso tudo os ricos vão ficando mais ricos e vão passear de primeira classe na Europa. Afinal de contas se eu sou pobre é melhor pensar que a pobreza é a coisa mais maravilhosa do mundo em algum sentido, não é? Se ser pobre é o que nos torna melhores o certo deve ser não ter ambição, não pedir aumento, não pleitear melhores condições de vida. Isso só vai nos levar para o apego ao material e nada disso importa. É pecado, é feio, tsc tsc tsc… Muito feio.

Eu sou pobre mas eu sou feliz.

Será mesmo?


Frase profunda do dia

Eu acredito em Deus. É só que eu soletro N-A-T-U-R-E-Z-A.
  — Frank Lloyd Wright


Pensamento profundo do dia

A única coisa que eu tenho são meus ideais. Eu morro fodido mas morro com eles.

Coloca essa na minha lápide, por favor.


Espanha de luto

E o medo atacou novamente.

A tristeza é pelas pessoas que morreram, pelas que foram feridas, pelas que temeram o pior e por saber que, quando ataca, o medo sempre vence. Quando um extremista explode uma bomba em um trem ou joga um avião contra um prédio ele não está pensando nas 190 pessoas que vão morrer. Ele está pensando em como a vida dos que ficaram vai mudar. Dez milhões de espanhóis foram às ruas hoje, em sinal de protesto. Isso dá um quarto da população de lá. Como é que, a partir de amanhã, eles e os milhões de passageiros que todo dia pegam trens na Europa vão se sentir cada vez que virem uma mochila abandonada em um vagão? Se ficarem apavorados o medo terá deixado mais uma marca. Se tentarem seguir como se nada tivesse acontecido podem morrer. Não há como vencer.

O medo é o que realmente faz o mundo girar. Com o medo vem os caçadores-de-medo. Com o medo mudamos as leis, botamos grades, instalamos anti-virus, aplicamos nosso dinheiro, casamos para não ficar na solidão. Compramos mais jornais, vemos mais TV, para saber por onde o medo anda e como ele se veste. Vamos mais à igreja. Anulamos nossas liberdades para que o medo acabe. Criamos super-presidentes, super-ministros e super-secretários. Eles dizem que com mais poder vão acabar com o medo. Mas não era tarefa deles, antes de mais nada, tornar o mundo um lugar melhor para impedir que o medo chegasse?

Mas a paz tem um preço, pra que se enganar? Para que o medo acabe nós deixamos estes senhores e senhoras tomarem conta de nossas vidas. Só um pouquinho. No dia em que o medo for embora eles também podem ir. Se a coisa ficar difícil é só a gente dar mais poder para eles, até o medo ser vencido e eles poderem ir embora.

Só mais um pouquinho.


Frase de 2003

Na esperança de que um ano possa ser resumido em algumas frases isoladas acho que 2003 merece essa aqui:

Inovar custa caro e eu estou aqui para ganhar dinheiro.

(inspirado numa notícia bombástica que passou pelo blog do [cc])


Ah, tudo na Nova Zelândia… esse Jacka…

É engraçado como todo mundo que diz “estar de saco cheio de tudo” manifesta interesse em se mudar pra Nova Zelândia. (eu incluído)

“Ah, esse mundo tá muito doido. Vou me mandar prum matão ou vou pra Nova Zelândia.”

Se isso se concretizar daqui uns anos a Nova Zelândia vai se tornar um dos lugares mais malas de se viver. :-P


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