Eventos, networking e o título de “TED Brasileiro”

O Fabio Seixas anda blogando e twittando, e o pessoal anda comentando, sobre o Epicentro, um evento auto-intitulado “o TED Brasileiro”. Como desde o ano passado venho conversando por aí sobre o modelo de eventos vou despejar umas idéias aqui nesse domingão de sol. Mas antes… um aviso.

Dia 16 próximo o Braincast (do qual sou co-apresentador) e o enxame (do qual sou sócio) vão organizar com a Gafanhoto/Pix um evento que pode ser considerado concorrente do Epicentro, chamado Brainsessions, que vai ter lá seu formato e abordagem diferentes mas, como veremos a seguir, persegue o mesmo objetivo de ser um bom evento-palestras. O objetivo deste texto não é dizer que o Epicentro é feio e bobo e meu pai é mais forte do que o seu, mas já conhecendo a karma-police-do-pensamento coloco esse aviso aqui antes que dedinhos sejam apontados. O Brainsessions tem, claro, um pouco da minha visão sobre eventos, que é o que vou comentar aqui, mas é só um pequeno primeiro passo.

Sobre o modelo de palestras atual

No início da minha palestra do Muvuca na Cumbuca ano passado contei que eventos de trading, congressos, etc. já foram a melhor maneira de as pessoas em um mercado ficarem por dentro das tais últimas novidades. Quando moleque eu contava os dias para a Sucessu, depois, a Fenasoft, quando eu veria de perto as maravilhas do mundo da tecnologia, os últimos lançamentos. O único contato com tecnologia fora dali era via uma única revista e meus amigos da rua. O mesmo pode ser dito para qualquer outra categoria profissional. De lá pra cá as coisas mudaram.

Ano passado fui no digital age 2.0, um evento lindamente organizado com gente muito mais importante do que eu na platéia. A palestra de abertura era de ninguém menos do que o Dr. Lawrence Lessig, O Cara quando o assunto é direitos autorais e liberdade digital. Logo depois veio uma tele-palestra de Seth Godin, guru do empreendedorismo web 2.0. E por aí foi. A minha sensação e a da maioria da platéia foi “não falaram nada que eu já não soubesse”. O que aconteceu? (Continua…)


Profissão: apaixonado por mídias sociais

Eu não quero entregar ninguém, fazer intriga ou apontar dedos… mas outro dia estava vasculhando a coleção de DiVX de um grande amigo meu que hoje estuda em Londres e encontrei o filme dO Segredo lá no meio de um disco cheio de outras tranqueiras. Como eu adoro sacanear esse livro de pseudo-ciência fui dar uma conferida. Não vi lá muita coisa (por conta da minha atenção parcial constante, como diria o Luli) mas já posso dizer que o filme marcou a minha vida.

Já falei outra vez aqui que o mundo mudou e nossa “profissão”, nosso rótulo, não é mais aquilo que está escrito no diploma mas sim o que sabemos e fazemos, que é uma grande mistura do aprendido na escola e o aprendido na vida. E lá estava, naquele filme-de-auto-ajuda a minha profissão dos sonhos. Meu ideal. Meu modelo.

Visionário. Rev. Dr. Michael Beckwith D.D. (quanto prefixo e sufixo, uau!). Profissão: visionário. Porque nada define mais uma pessoa do que a linha que colocam abaixo do nosso nome nos geradores de caractere. Eu não sei quanto a você, mas quando eu canso de ensaiar meu discurso imaginário da entrega do Oscar eu penso em miudezas como essas, o que colocar abaixo do meu nome na minha imaginária entrevista no Jornal Nacional.

Como o cargo de visionário já foi usado pelo reverendo vou, para não saturar o mercado de visionários, escolher outra: Apaixonado por Mídias Sociais. Não dá para, sinceramente, ninguém se considerar especialista em mídias sociais, já que “mídia social” é uma coisa que existe não tem nem 5 anos. Afinal de contas todo mundo hoje em dia é Especialista em Mídias Sociais.

Eu amo o novo mundo das mídias sociais, seja lá o que isso for. E é por isso mesmo que me apaixonei, porque ninguém sabe o que é mídia social. Primeiro as coisas acontecem e depois a gente tenta dar rótulos como web 2.0 ou mídia social e não o inverso.

Essa história de mídia social é uma revolução. Não é a primeira, não é a última, não é a maior, não é a mais importante, nem a menos… Mas aqui estou no meio do campo de batalha adorando ver como as coisas evoluem e, quando me dão a chance, dando lá meus palpites e ajudando a apontar a direção pra onde a coisa caminha.

Então se tiver alguém do Jornal Nacional por aí lendo este blog já sabe o que colocar na legenda:

Cristiano Dias
Apaixonado por Mídias Sociais



Malvados, sempre eles



Comédias românticas podem atrapalhar relacionamento

Segundo os psicólogos, esse tipo de filme, com argumentos muito pouco plausíveis e finais felizes altamente improváveis, transmite uma falsa sensação de “relações perfeitas” e expectativas nada realistas.

Ou como disse o Inagaki, que mandou o link…

O RLY?


Refletir antes de agir

No mundo online poucas coisas são mais acaloradas do que uma discussão via e-mail, principalmente quando ela não faz parte de uma lista de discussão e o papo acaba se dividindo em vários ramos diferentes com só parte da lista oficial sendo copiada.

No sábado mandei um e-mail meio filosófico sobre o B#9tv para algumas pessoas que eu chamei de Amigos Sinceros (os que consegui lembrar na hora) que seriam capaz de dar uma resposta sem papas na língua. Depois de mandar lembrei de uma história que o Wolf me contou na volta de um almoço, que teria sido contada por um daqueles empresários-aposentados-que-viram-palestrantes-de-auto-ajuda-profissionais. (o que faz deste texto, provavelmente, o mais auto-ajuda dos oito anos de história deste blog)

Diz o cara (e a lenda) que uma vez ele foi a uma reunião na oca de uma tribo qualquer no interiorzão desse país grande sem porteira. Lá viu que um membro da tribo falava, falava e falava acaloradamente. Os outros, então, olhavam e ficavam calados por uns 15 minutos, quando outro levantava e começava a falar com a mesma animação do anterior.

Terminada a “reunião” nosso herói pergunta ao intérprete que diabos era aquela coisa estranha que tinha acontecido.

– Não entendi… Por que todo mundo fica calado um tempão?

– É para refletir bem antes de falar. Para que a reunião chegue à melhor conclusão, a mais sábia, e não a do ponto de vista daquele com melhor oratória e raciocínio mais rápido.

Eu, que não sou lá muito famoso pela rapidez do meu raciocínio, resolvi usar esta historinha no fim-de-semana. Não responderia a nenhum e-mail sobre o assunto além de coisas como “obrigado” e “é por isso que eu te coloquei nesse papo”. O pau comeu e eu fiquei refletindo sobre tudo aquilo. Agora, manhã de segunda-feira, tenho uma visão bem completa do problema e uma solução que, creio eu, vai ser bem legal justamente por não ser radical, por ser uma revisão no alinhamento do programa, aquele tipo de coisa que só se enxerga quando você para, respira e olha em volta. Porque a pior maneira de abordar qualquer problema é reagindo, qualquer livrinho de gerência vai dizer ainda no prefácio.

E só agora vou começar a responder a torrente de e-mails sobre o assunto. E parte do assunto vou debater pessoalmente mesmo, que ainda é a melhor maneira. Será que dá pra ter intervalo de 15 minutos entre cada orador?


Feliz ano novo

Alguns povos antigos dividiam o ano em 12 meses de 30 dias cada. Como ficavam sobrando 5 dias para fechar as contas estes dias eram “de mês nenhum”, numa festa de fim de ano que acontecia em épocas diferentes de acordo com a cultura. Em muitos lugares do hemisfério norte a data era próxima da noite mais longa do ano, o solstício de inverno, que por lá cai dia 21 de dezembro. Era um sinal de renovação e recomeço. “Daqui para frente tudo melhora”. Aí vieram os romanos, os papas e o calendário começou a tomar essa forma que conhecemos hoje. O ano novo é dia primeiro de janeiro porque ele tem que ser em algum dia, ora bolas. Alguém baixou um decreto dizendo que assim deve ser.

A relação com o carnaval brasileiro é óbvia. Aqui o carnaval, data móvel, acaba informalmente marcando o fim do verão, a volta às aulas e, portanto, a volta das férias. Eu já falei aqui no blog em 2003 sobre esse papo de falar mal dessa característica do calendário brasileiro. Americanos (que normalmente só têm 2 semanas de férias e muitas vezes espalham os dias pelo ano todo) também adoram tirar férias no verão.

Nosso calendário é ótimo, concentra a maioria das férias em 2 meses do calendário permitindo uma organização maior dos trabalhos nos outros 10 e permitindo um período de arrumação e reorganização (nem que seja mental) de quem trabalha. Foi o que eu fiz aqui.

Hoje, então, é o último dia do festival de ano novo, o dia da ressaca. Um feliz e próspero 2008 para todos nós.


O Efeito Sabichão

Dia desses esbarrei com esse artigo legal da Wikipédia: estudos que mostrariam a tendência das pessoas em se acharem mais espertas do que a maioria dos ursos, incluindo aqueles que passaram anos especializando-se no assunto em questão. O Efeito Dunning-Kruger. “Na hora eu me viro bem, pode deixar”.

Os pesquisadores Justin Kruger e David Dunning propõe que dada uma habilidade que qualquer pessoa possa dominar mais ou menos:

1. Pessoas incompetentes tendem a superestimar suas habilidades;
2. Pessoas incompetentes não conseguem identificar habilidade de verdade em outras pessoas;
3. Pessoas incompetentes não conseguem reconhecer o quanto são inaptos; e
4. Se forem treinadas para melhorar suas habilidades elas conseguem se tocar da sua falta de habilidade anterior.

No outro extremo, pessoas devidamente qualificadas tendem a subestimar seus próprios poderes.

O trabalho de Kruger e Dunning no tema ganhou o IgNobel de 2000.


Politicamente incorreto

Er… tipo assim… Levar porrada dos delinqüentes imbecis filhinhos-de-papai vai acabar virando a melhor coisa que aconteceu na vida da Sirley?

E outra: se algum deles fosse menor de idade estaríamos ouvindo todos os papos sobre diminuição da maioridade legal de novo?

Este momento “general de pijama” é um oferecimento…


Quadrinhos de auto-ajuda?

xkcd é uma tira de quadrinhos conhecida por suas piadas com altos graus de nerdosidade e seus desenhos toscos. Mas essa semana a história deu uma guinada existencial, com uma mensagem daquelas que parece que foi escrita para mim. Foi?

Trecho da tirinha de quadrinhos xkcd

Comece a série por aqui.


Tudo que eu sei na vida aprendi vendo séries de TV

– Você é feliz Nathan?

– Não exatamente. Acho que tenho alguns assuntos me atormentando.

– Oh não! Sinto muito por ouvir isso

– Eu acho que chega a hora em que o homem precisa se perguntar se ele quer uma vida de felicidade ou uma vida com significado.

– Eu quero ter os dois.

– Impossível. São caminhos muito distintos. Para ser feliz, o homem precisa viver completamente no presente. Nenhum pensamento no que aconteceu e nem no que vai acontecer. Mas, para ter uma vida com significado o homem precisa apodrecer no passado e ser obcecado pelo futuro.

      Mr. Linderman e Nathan Petrelli, tradução 9th Wonders


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