Mind Wide Open

Mind Wide Open, Steven JohnsonO cérebro é o novo coração. Quando o homem ainda não entendia muito sobre o funcionamento do próprio corpo via no coração a morada da alma, aquele lugar onde se fazia sentir as emoções do dia-a-dia: medo, amor, alegria, desespero… Até que começamos a fuçar nossos corpos e descobrimos que o coração nada mais era do que uma bomba hidráulica de luxo. O cérebro era o verdadeiro chefão. Nós somos nossas mentes e elas ficam naquele espaço entre as orelhas.

Apesar de expressões como “baixa serotonina” e “viciados em endorfina” estarem na boca de quem quer se passar por entendido o fato é que eu e você entendemos tanto sobre o cérebro quanto os poetas medievais que cantavam as aflições do coração. Qualquer texto sobre o assunto ou é voltado para os iniciados ou limita-se a mostrar qual parte do cérebro exerce qual função, despejando termos em latim sem responder à grande pergunta: “e daí?”

Explicar nossas cabeças não é tarefa fácil mas o colunista de ciência Steven Johnson, que já contribui para revistas populares como Wired e Discover Magazine, aborda o assunto de uma maneira cativante que me fez correr seu livro Mind Wide Open: Your Brain and the Neuroscience of Everyday Life com a pressa de quem lê um romance de mistério. Johnson explica, exemplifica e descreve como o funcionamento do cérebro é visto à luz das novas tecnologias de maneira prática e direta, nos levando para dentro da sua cabeça. Literalmente: no penúltimo capítulo o autor deita numa avançada máquina de ressonância magnética para tentar capturar aquele momento em que estamos “inspirados” ou “in the zone” como diz o povo lá do norte. O aparelho mapeia a cuca de Johnson enquanto ele bola frases para incluir no livro e mostra que estar neste estado pode ter muito mais a ver com desligar módulos do que ligar um ou outro em especial.

(Continua…)

9 Dec 2006, 4 comentários.
:: Ciência, Livros

300 filmes para ver antes de morrer

300 filmes para ver antes de morrerDizem que um homem, antes de morrer, deve escrever um livro, plantar uma árvore, ter um filho e ir a Paris. Quando achei que estava me livrando de um item ajudando alguém a escrever um livro vem o Alexandre e joga mais 300 coisas na minha lista…

300 filmes para ver antes de morrer é o primeiro livro da Coleção Mente Aberta da Revista Época, que não podia ter escolhido um apaixonado por cinema mais barato melhor do que Alexandre Maron, editor da revista Monet, meu cunhado e melhor amigo. Por estar ligado a uma revista de enorme circulação nacional o livro consegue ter uma qualidade gráfica acima do normal pelo preço de uma entrada de cinema mais pipoca (pequena): R$ 19,90. Com quase 200 páginas totalmente coloridas e papel de alta qualidade faz um apanhado não dos melhores filmes no sentido isolado da palavra, mas aqueles filmes que, juntos, levaram o cinema mundial a ser o que vemos hoje na tela (para o bem e para o mal). Eu adoro livros e listas “para fazer antes de morrer” (deve ser por causa do meu extremo sentimento não-carpo-diem-o-suficiente) e acho que o mercado de livros de cinema no Brasil anda bem caidinho. Por isso esse livro é daqueles para colocar na mesinha de centro de sala, bem em frente à televisão.

(Continua…)

1 Dec 2006, 10 comentários.
:: Cinema, Livros

Preacher vai virar série de TV

 Preacher: a Caminho do TexasPreacher — uma das revistas em quadrinho mais batutas que já li — vai virar série da HBO, o canal das melhores séries. Quando li a revista imaginei mesmo que os arcos de história cairiam bem em temporadas de TV.

A série conta a história do pastor Jesse Custer que logo nos primeiros quadros ganha o divino poder (no sentido de divindade e não no sentido di-vi-no meu amorrr) da “Palavra de Deus”: as pessoas obedecem tudo o que ele diz. Com esse poder Jesse sai pelos EUA tentando consertar sua vida e entender como pode Deus ser tão bom e o mundo ter tantas coisas ruins. A resposta para essa pergunta, revelada no capítulo final, foi uma das sacadas mais sacanas da teologia de botequim mundial.

30 Nov 2006, 1 comentário.
:: Gibi, Livros, TV

Fallen Dragon

Fallen DragonNo século 24 a humanidade já domina as viagens inter-estelares colonizando vários mundos com suas naves de longo alcance. A colonização, feita por empresas privadas, não se mostrou um negócio muito lucrativo e de todas as empresas somente a Zantiu-Braun continua investindo no “mercado”utilizando-se de uma jogada contábil básica: compram empreitadas coloniais de outras empresas (contabilizando o movimento como uma despesa) e realizam missões de realização de lucros nas colônias, o que basicamente significa chegar no planeta e pilhar os itens mais lucrativos no menor espaço de tempo (maximizando o lucro). Afinal de contas alguém tem que pagar pelos custos de mandar milhares de pessoas e toneladas de equipamento espaço afora. O sucesso da campanha é assegurada pelo que há de melhor em termos de aparato militar, os Skins. Soldados de elite que vestem uma bio-armadura totalmente integrada ao seus corpos e mentes, dando-lhes virtual invulnerabilidade. O Sargento Lawrence Newton é um destes Skins mas suas ações podem acabar mudando totalmente a história da Zantiu-Braun e de toda a espécie humana.

Este é o cenário do romance de ficção-científica Fallen Dragon, do inglês Peter F. Hamilton, lançado em 2001. Num Brasil onde a prateleira de ficção-científica fica escondida o máximo possível da vista (e é composta 90% por sobras de livros de Star Trek e Arquivo X) é preciso apelar para versões em inglês para ler alguma coisa divertida.

(Continua…)

11 Nov 2006, 3 comentários.
:: Livros

Aquarela, papel e gatos

O amigo e artista plástico Adriano Renzi, já citado por aqui, enviou para o blog da Sociedade dos Ilustradores do Brasil um mini making of da capa do livro Minu, o Gato Azul, da Rocco.

Minu passo a passo

Este livro foi bastante interessante de preparar especialmente por se tratar de gatos, que possuem formas inusitadas, esguias e diferentes a cada minuto entre suas espreguiçadas e movimentos. Foi uma ótima oportunidade para estudar a anatomia dos felinos e conhecer algumas raças que eu particularmente não conhecia. Mostro 3 partes da composição de uma das ilustrações do livro bem como outras ilustrações que compoem o todo.

25 Sep 2006, 1 comentário.
:: Livros, Olha isso!

Jules e Jim: o Roteiro, o Romance: lançamento amanhã no Rio

Jules e Jim, o roteiroOdeon BR, Livraria Dantes, Consulado Geral da França no Rio de Janeiro e Jorge Zahar Editor convidam para o lançamento do livro Jules e Jim O roteiro, o romance de François Truffaut e Henri-Pierre Roché.

29 de agosto de 2006, terça-feira.

Programação:

às 17h: Exibição do filme Jules e Jim – Uma mulher para dois, de François Truffaut

às 19h: Debate na sala de cinema: Da crítica à realização: críticos de cinema que se tornaram cineastas

Participantes: Jean-Michel Frodon (Diretor da revista Cahiers du Cinema), Cacá Diegues, David França Mendes.

Mediação: Ivana Bentes

ODEON BR, Praça Floriano 7 – Cinelândia • Rio de Janeiro, RJ – tel: (21) 2240-1093

Entrada franca para o filme e o debate, com distribuição de senhas na bilheteria do cinema a partir das 12h.

Para saber mais:

28 Aug 2006, 3 comentários.
:: Cinema, Livros

The Long Dong Tail agora em português

A Cauda Longa, Chris AndersonJá saiu em português o livro The Long Tail, do Chris Anderson, que de vez em quando cito sem nunca ter lido.

Mas não leia só o livro! Ouça também o Braincast #2, onde eu, o Merigo, o Fábio, o Mauro e o Raphael gastamos quase uma hora falando sobre o assunto.

Com este são dois podcasts onde sou “elenco fixo”, junto com o RadarPOP que acabou de colocar o número 32 no ar. Não perda!


The Alejadim Code

A piada já veio pronta, é só servir.

O jornalista Leandro Müller lança no dia 31 de maio, no Teatro Odisséia, seu romance “O Código Aleijadinho” (Espaço & Tempo). Na linha do best seller “O Código Da Vinci”, o livro mistura uma história de suspense com informações reais sobre arte, arquitetura, religião, a Inconfidência Mineira e o descobrimento do Brasil. Descrito pelo autor como “uma apologia à cultura e às belezas brasileiras”, “O Código Aleijadinho” é fruto de pesquisas de campo e quase um ano de estudo. Leia abaixo a sinopse:

“Um estranho suicídio dentro da famosa Igreja da Sé de Mariana, em Minas Gerais, faz emergir uma espantosa conspiração para redescobrir um segredo que desde os primórdios da humanidade era protegido pela primeira sociedade secreta existente e estava perdido há mais de 200 anos. O suicida é o importante diretor do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Walter Pilares, que acabara de encontrar a prova definitiva da existência da Sociedade dos Eternos, uma antiga seita que aprendeu como controlar a morte e teve como membros Buda, Jesus, Maomé e os profetas bíblicos.

[ via Mauro, via Alex ...via CocadaBoa? ]

PS: O Grobo Online não permite ctrl-c. (nem selecionar o texto) Dá vontade de não linkar mais e passar a indicar outros sites. Nada que o Firefox não resolva, claro. No mínimo rolou o seguinte: “Ô Almeida! Recebi um email de uma matéria nossa mas que não tem nenhum link. Tão roubando nosso conteúdo! Faz alguma coisa, estamos perdendo dinheiro com isso.” Acorda, Grobo…


Site disponibiliza clássicos da literatura gratuitamente

De Karl Marx a Frederico Garcia Lorca, de José de Alencar a Jean-Jacques Rousseau. O site Domínio Público (www.dominiopublico.gov.br) oferece gratuitamente ao internauta inúmeras obras de referência de vários autores da literatura brasileira e universal.

[ via Folha Online, via TopLinks ]

22 Jun 2005, 1 comentário.
:: Livros

Pobre Senhor Brown

Não tem pra ninguém. No aeroporto só dá Código DaVinci e Anjos e Demônios adornando os sovacos da galera.

O Dan Brown deve estar com problemas pra gastar todo esse dinheiro… :-P

14 Feb 2005, 6 comentários.
:: Livros

1984+21

A coisa que mais me chama a atenção agora que sou mais um no mundo a ler 1984 é ver que o lado mais famoso do Grande Irmão é talvez o menos importante do livro.

Todo mundo “de fora” parece só conhecer e se preocupar com a parte “eles estão de olho em você”, principalmente depois do programa de TV. A minha parte favorita, porém, é aquela que Orwell ainda não sabia mas hoje chamamos de marketing.

Até os nomes dos quatro Ministérios por que somos governados ostentam uma espécie de impudência na sua deliberada subversão dos fatos. O Ministério da Paz ocupa-se da guerra, o da Verdade com as mentiras, o do Amor com a tortura e o da Fartura com a fome. Essas contradições não são acidentais, nem resultam de hipocrisia ordinária: são exercícios conscientes de duplipensar.

Lembro disso sempre que me deparo com ações do Governo do RJ e seus Reservistas da Paz que são, ora bolas, policiais. E, claro, com a Operation Iraqi Freedom do Bush.

Orwell esperava criticar o socialismo/comunismo mas mal sabia que o capitalismo também saberia usar as armas no IngSoc com força. O mal está dentro das pessoas, a forma de governo é só uma manifestação disso. Dominando a mídia dominamos tudo. Alteramos a verdade e a mente das pessoas.

Depois é só jogar a culpa na prole com frases do tipo “brasileiro não tem memória”.

11 Feb 2005, 10 comentários.
:: Livros

A mente meio mais ou menos

A mente mediana: por que deixamos de pensar por nós mesmosA imaginação está morrendo nas mãos da cultura de massa. Mas ao contrário do gostaríamos de crer a culpa não é apenas de “forças ocultas” que querem dominar nossos corpinhos sarados e nossas mentes. Como naquele livro de Bradbury somos nós mesmos jogando a imaginação na fogueira quando já queremos as “respostas certas”, a cultura mastigada, quando aceitamos as justificativas oficiais e quando pensamos que uma obra de arte é apenas uma obra de arte ou, pior, um produto. O mundo está se tornando um lugar imbecil e a culpa é nossa.

Essa opinião que consegue ser mais ranzinza do que a minha própria é a do professor de literatura Curtis White em seu livro A mente mediana: por que deixamos de pensar por nós mesmos (W11 Editores).

Querida, você se lembrou de reprimir seu sentido de capacidade criativa antes de vir para a cama? E não esqueça de imbecilizar as crianças.

Seriam os blogs um sintoma da mente mediana? Afinal de contas nossa máxima é “leitor de blog não lê texto longo”. A opinião geral é a de que leitor de blog quer receber a informação, engolir, arrotar, clicar e ir para o próximo bloco. Eu mesmo, reconhecendo meu teto de vidro, tenho que confessar usar dessa prática várias vezes.

O autor bate em assuntos tão variados quando a cultura nova era, robótica e, claro, os cachorros-mortos da intelectualidade mundial: Steven Spielberg e George W. Bush para pinçar assuntos como arte, filosofia, jornalismo e até fé.

Um de nossos maiores problemas segundo White é o excesso de fé, seja ela a fé “tradicional” na religião ou a fé no governo, no capitalismo, na mídia e na ciência. Temos fé que aquilo que nos é dito é verdade, não é preciso questionar, não é preciso imaginar como seria diferente, não é preciso transgredir. Isso é perda de tempo e todos nós sabemos que perda de tempo é mau para os negócios. Portanto pensar e fazer arte sem um fim de aumento de produtividade (como compor música relaxante para que empreendedores possam criar mais tranquilamente) é mau para os negócios.

Quem sabe agora que li este livro os textos deste blog não aumentem? :-P Aguarde… até porque a bateria do notebook está acabando…

20 Jan 2005, 14 comentários.
:: Livros

Papel

Onde fica o ctrl-F do livro?

18 Jan 2005, 8 comentários.
:: Livros

Cabei

A  Escalada do Monte Improvável, Richard DawkinsObivamente recomendo, já avisando que é um livro “pesado”, escrito por um professor de Oxford e não por um ex-participante de Big Brother.

Quanto mais leio sobre a evolução da vida e Seleção Natural mais me maravilho com o mundo e a natureza, vendo como existe gente de mente pequena no mundo, tentando simplificar uma máquina engenhosa com passes de mágica.

10 Jan 2005, 3 comentários.
:: Livros

Vinte sentidos

O problema não é ler O Código Da Vinci em quatro dias. O problema é passar a ver sentidos graal-ísticos em tudo. 8-)

16 Aug 2004, 14 comentários.
:: Livros

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