Sir Elton John sugere o fechamento da Internet por 5 anos

Estava aqui comentando com um amigo que me considero meio que um velho coroco por não ficar frequentando sites sociais como Orkut, Facebook e até mesmo o LinkedIn, que deveria ser mais profissional. Mas aí vem Titia Elton John dizendo que a Internet está destruindo a vida das pessoas e da arte, já que elas “não saem mais de casa”. A solução? Desligar a rede por “uns cinco anos”.

Let’s get out in the streets and march and protest instead of sitting at home and blogging. I do think it would be an incredible experiment to shut down the whole internet for five years and see what sort of art is produced over that span. There’s too much technology available. I’m sure, as far as music goes, it would be much more interesting than it is today.

Isso é o que eu chamo de viver em um mundinho no próprio umbigo, não?


Braincast 7: Eu, o wannabe de Cory Doctorow

Ainda na seção “ando relapso com este blog”, foi ao ar semana passada o volume sete do Braincast #9, sob o belo título de Liberdade Digital, em homenagem a uma categoria deste blog. (ou pelo menos foi esse o papo mole que o Merigo contou, mas aposto que ele diz isso para todas)

Há quem diga que eu quero ser o Cory Doctorow. Há quem diga que eu quero ser o John C.Dvorak. Talvez eu seja, na verdade, o fruto do amor proibido entre os dois. Ouva lá.


Desenho animado do Calvin e Haroldo feito por fã

Serginho manda a dica do Gibizada que aponta para um desenho animado da sempre sensacional tirinha Calvin & Haroldo feito por um fã italiano, desenhista profissional.

o italiano Donato Di Carlo resolveu homenageá-los em um curta-metragem animado de dois minutos e 28 segundos produzido para a Escola de Cinema de Milão. Uma beleza que o autor das divertidíssimas tiras do moleque e seu tigre de pelúcia deve repudiar, já que ele nunca permitiu merchandising de sua criação. No desenho animado falado em italiano e com legendas em inglês, Di Carlo conseguiu capturar com maestria o traço e o espiríto dos personagens


[link direto]

Além de um desenho divertidíssimo essa pecinha também é um bom exercício de copyfight. Como toda lei, a lei de copyright não serve para quando tudo vai bem e dá certo, mas sim quando alguém discorda.

Bill Watterson nunca deixou seu personagem ser explorado por terceiros (e, dizem, vive uma vida meio estilo Salinger). Nunca tivemos desenho animado do Calvin, filme, lancheira, bolo de aniversário, videogame… Quando Watterson decidiu que era o fim, assim foi.

Mas será que uma obra do tamanho e sucesso de Calvin & Haroldo pode pertencer ao autor e aos fãs? Se Watterson não gostar do desenho, ele tem o direito de tirá-lo do ar?

O pior é que a resposta, nesse mundão da Internet sem portera, muda de país para país. Nos EUA o trabalho pode ser considerado como fair use, mas esse é um conceito exclusivamente americano, com suas leis de liberdade de expressão acima de tudo. O Brasil não tem nada parecido com essa idéia, assim como a maioria dos países do mundo. Será que isso é certo? Será que um autor tem direito de impedir que qualquer um meta a mão em suas peças? Será que a vontade de um fã é mais importante do que isso?

Ninguém, até agora, mandou o vídeo sair do ar. Mas a discussão e o exemplo são importantes para entendermos melhor toda essa idéia de copyright. Além de a chance de ver um vídeo divertidíssimo, é claro.


O fim do Pandora no Brasil

Logotipo do site PandoraConforme anunciado a partir da madrugada de hoje o site Pandora.com fechou as portas para usuários fora dos US and A. O conceito do Pandora é simplesmente sensacional: ajudar o amante da música a descobrir novos artistas de acordo com um “genoma musical”, que é a classificação manual das músicas de acordo com centenas de atributos. (já falamos do serviço no sumido RadarPOP)

O motivo dado é o de pelas regras do jogo copyright e da DMCA os direitos de execução devem ser pagos em cada país, demandando acordos locais entre Pandora e os artistas (ou entidades que os representam) em virtualmente todos os países do mundo. Como sempre é bom lembrar que eu não sou advogado, mas todos os outros sites musicais do mundo simplesmente pagam as taxas em seus países e ponto final. Talvez isso não seja o correto na interpretação purista da lei, mas definitivamente é melhor do que simplesmente não pagar.

Na minha chutada opinião o problema do Pandora (que está tendo outra série de problemas com as taxas de direitos de execução nos EUA) é no modelo de negócio. Além do dinheiro ganho com assinaturas (que costuma ser baixo em negócios desse tipo) o site ganha dinheiro vendendo músicas em formato digital da iTunes Music Store e CDs da Amazon.com. Aí fica fácil entender o porquê do bloqueio a usuários internacionais. Fora dos países onde a Apple tem acordo com as gravadoras não é possível comprar músicas via iTunes Music Store e fora os títulos raríssimos é simplesmente caro demais comprar um CD na Amazon.com se você não está nos US and A, juntando frete e impostos. O problema do site, me parece então, é pura falta de lucratividade para usuários estrangeiros.

Diz a mensagem na homepage do site que eles estão trabalhando com os publishers de música em todo o mundo para “atingir o sonho de um Pandora global”. Mesmo que isso seja totalmente verdade até essa história chegar no nosso país tropical… é melhor esperar sentado. [valeu Alexandre!]


Esqueça 4, 8, 15, 16, 23, e 42

Os verdadeiros números do poder são 09-f9-11-02-9d-74-e3-5b-d8-41-56-c5-63-56-88-c0.

Esta seqüência de números hexadecimais são supostamente usados para destravar e decriptografar conteúdo nos novíssimos HD DVDs e foram publicadas nesta segunda-feira em um blog. Os números em si não eram tão novidade assim, já que sozinhos ainda não fazem muita coisa. Mas quando a indústria cinematográfica obviamente partiu para o ataque ordenando a retirada do site do ar a notícia se espalhou e com ela os números, até chegar ao site de “notícias sociais” mais quente do momento, o Digg. Foi aí que a coisa começou a ficar interessante.

Se você não conhece, uma explicação rápida: o Digg usa o já martelado conceito de web 2.0 onde os usuários enviam notícias (acompanhadas de links) e os próprios usuários decidem quais notícias são quentes ou não para figurar na primeira página. Estar na primeira página do Digg hoje é o sonho de muita gente, garantia de muitas e muitas visitações ao seu site e, provavelmente, dinheiro com clicks nos seus banners. O site foi fundado pelo geekboy Kevin Rose, ex-apresentador do canal TechTV que, entre outras coisas, tem um vidcast — thebroken — sobre temas de legalidade discutível como por exemplo “como desbloquear seu XBox” ou “como fazer um bloqueador de celular”. Muito por causa disso a comunidade Digg é composta por tecnófilos da pesada. Mas além do thebroken Rose apresenta um outro vidcast semanal sobre as notícias quentes do Digg que tem como um dos patrocinadores o consórcio do HD DVD.

Cada notícia sobre os números era retirada do site, já que aparentemente o Digg também foi notificado legalmente pelos meganhas do HD DVD. Mais que isso: as contas de quem publicava a notícia eram banidas do site para todo o sempre.

Isso, claro, faz a turba online 2.0 salivar que nem lobo no pasto de ovelhas. Dizer que houve uma revolta é pegar leve. Durante o dia de ontem a homepage do Digg continha apenas notícias relacionadas, de uma forma ou de outra, aos números. Cada notícia retirada era substituída por outras 10 mais rápido do que gizmos molhados.

No fim do dia Don Rose mandou avisar: não vamos mais tirar as notícias do ar. Se é para sermos processados até a morte, que seja, pelo menos vamos morrer lutando. marcando o fim apenas da primeira temporada dessa série que até agora é bem mais agitada do que a outra série sobre números. (sem falar naquela outra)

A história toda tem várias morais a serem pensadas nesse mundinho que gira bem mais rápido do que girava 20 anos atrás.

Pode uma seqüência de 16 números aparentemente aleatórios ter copyright? Estes números sozinhos não fazem nada. Eles precisam ser colocados em um programa de descodificação para causarem o bem ou o mal. Mas uma chave sozinha também não faz nada, ela precisa de uma fechadura presa a uma porta para ter algum efeito. Esses números podem ser de alguém, que pode decidir quem pode e quem não pode carregá-los?

Algum veículo velha mídia vai publicar os números? Empresas têm muito a perder. Um jornal ou programa de TV pode levar um processo de bilhões na cabeça. Só que neste caso mais uma vez os interesses comerciais de um grupo de empresas estão transformando pessoas comuns em criminosos pelo simples fato de divulgar uma lista de 16 números.

Na péssima palestra do Paulo Henrique Amorim (um cara com o qual eu simpatizava até então) na conferência Web 2.0 ele disse literalmente: user content is loser content (quando perguntado espeficamente sobre sites com o Digg). Segundo ele os usuários são burros demais para saber o que é e o que não é notícia, precisam de caras gostosões como ele para decidir. E isso depois de gastar metade da palestra para dizer como ele odeia a Rede Globo. Será que o site dele vai publicar os números? Ou notícia de verdade é ficar dizendo como o Daniel Dantas é feio e bobo? Qual a diferença entre ele e a Globo?

Os números são a liberdade. Sim, obviamente eles também podem ser usados para piratear filmes (e serão). Mas destravar um filme criptografado significa dar a quem pagou pelo filme a escolha de onde e como ver seu filme. Sem os números (e o software para usá-los) não é possível ver um filme em um iPod ou em um computador rodando Linux. Eles só podem ser vistos em aparelhos selados, registrados, carimbados, avaliados e rotulado pelas empresas que fazem os discos. Se amanhã resolverem parar de fabricar estes aparelhos os (caros) discos com os filmes vão virar, sem os números, apoio de copo ou calço de mesa. Na visão da big media você precisa pagar para ver um filme na sala e pagar de novo para vê-lo no iPod e de novo…

Guarde aí os números e corra porque o trem da modernidade está acelerado e tem muita empresa caindo dos estribos. Leis, aquelas coisas inventadas lá na Grécia, parecem não estar conseguindo acompanhar. Será que a ordem da turba é quem vai prevalecer?

PS: Parece que a Wikipedia, a garota-propaganda da liberdade de expressão online, também quer fingir que os números não existem.

Leia também:


Barenaked Ladies cantando no banheiro

Enquanto a indústria da música continua dizendo que tocar música na Internet — de podcasts a vídeos do YouTube — faz com que as pessoas deixem de comprar CDs (“aí o cara não precisa mais do CD”) a banda canadense Barenaked Ladies, que nunca fez questão de ter grande gravadora e sempre falou direto para o seu público, está colocando todo dia no YouTube vídeos da chamada Bathroom Sessions. Nos clipes curtos o vocalista Ed Robertson canta no banheiro (notoriamente o cômodo mais acústico de qualquer lar) grandes sucessos da banda. Mas de vez em quando seu comparsa Steven Page aparece em edição especial para cantar músicas sensacionais como One Week outrora eleita por este blog a melhor música de 1998 de 2001.

no vídeo de hoje Ed ensina como tocar Crazy no violão. “É moleza.” Sei…

Se você fizer como eu e assinar o feed RSS deles vai ter uma musiquinha nova por dia para curtir. (o que é feed?)


A história da proteção de conteúdo do Windows Vista

Recebi já duas vezes um e-mail contando em como o novo Windows Vista é mau-que-nem-o-pica-pau no assunto tocar e queimar conteúdos não-autorizados. Diz mais ou menos assim:

O resultado é que, se você instala o Windows Vista, ou compra um computador que o traga pré-instalado, já não poderá ver ou gravar vídeos nem ouvir ou gravar música descarregada da Internet. O mais grave é que, em muitos casos, tampouco poderá fazê-lo mesmo que tenha comprado legalmente o sistema, porque o DRM (sistema de protecção de direitos de autor) integrado não permite, por exemplo, que se possa copiar uma canção de um CD (comprado legalmente) para o seu leitor de MP3. Nem que possa gravar uma compilação de canções (compradas legalmente) para o leitor de CD do seu carro.

Como todo bom e-mail repassado este até acerta em alguns pontos mas é tremendamente exagerado. Apesar de eu achar ótimo a Microsoft provar do seu próprio remédio de FUD a coisa não é bem assim. Nada no Vista nos impede de rodar o bom e velho Nerom Winamp ou um ripador de CD. Mas o e-mail levanta outros assuntos bem interessantes sobre proteção à cópia.

(Continua…)


O início do fim do DRM

Slide ilustrativo da coletiva de imprensa EMI-AppleEMI e Apple anunciaram hoje que vão começar a vender músicas da gravadora sem proteção anti-cópia na iTunes Music Store.

O DRM é aquele tipo de tecnologia que penaliza o correto: quem baixa música pirata pode pegar seu arquivinho e tocar no aparelho que quiser, como quiser. Quem paga pela música é obrigado a ouvir o som nas condições estabelecidas pelo distribuidor da música. Tanto é que a Apple reconhece que menos de 3% das músicas dos iPods foram compradas legalmente em sua loja.

As músicas sem DRM custarão mais caro: US$ 1.29 ao invés dos US$ 0.99 atuais (ainda caro pra cacilds) mas pelo menos você sabe que vai poder ouvir aquela música enquanto tiver um backup do arquivo e não enquanto a Apple resolver suportar o formato. O curioso é pensar que músicas compradas na Apple poderão ser ouvidas em aparelhos concorrentes, o que meio vai contra a história de que a Apple vende as músicas com prejuízo a título de subsidiar a venda de iPods. (seria este o motivo dos US$ 0.30 a mais?)

Mais detalhes no TechCrunch.


Sai Snap, que esse browser não te pertence!

Semana passada reclamei do Snap’s preview anywhere, a nova praga dos sites, e muita gente mandou a dica de que é só ir no site dos caras e pedir para não ser importunado. É tão simples quanto clicar e dizer “só o cookie expulsa o demônio dos browsers!”.

Obrigado a todo mundo que mandou a dica. Aproveite também para descobrir quem mais bota o cramulhão para correr e outras coisas interessantes que você não sabia, mas só Jesus faz.


Só no Brasil: é proibido blogar no Pan 2007

Afinal de contas outras empresas pagaram pelo direito de informar a você sobre o Pan e o COB precisa protegê-las, já que é para isso que ele existe, certo?

Segundo o pessoal que integra e pensa o COB, a idéia é que somente os veículos que adquiriram direitos de TV e rádio possam transmitir as imagens o áudio e publicar textos e fotos. Na visão deles todo atleta que publicar um site pode se tornar um concorrente ilegal e predatório e por isso deve antecipadamente ser proibido de tal gesto bárbaro.

Eu acho que o Brasil precisa de um anti-advogado. Um cara que pra mostrar como tudo isso é uma grande idiotice coloca em prática. É só começar a acionar judicialmente todo mundo que vai contra regras imbecis como essa. (nem sei se é possível alguém de fora do COB acionar um atleta por conta disso, mas isso não é problema meu! ehehe) Cada lei ou regulamentação tirada da cartola ser levada ao pé da letra para ver se o pessoal se toca. (como os provedores de acesso fizeram no caso Tubarelli)

Em tempo: blogar é uma maneira de ajudar os atletas a conseguir patrocínio. Blogue e eu te dou uma grana para você continuar desenvolvendo o esporte no país. A Oi é o primeiro exemplo que me vem à mente, mas obviamente existem outros.


Deixando o YouTube com cara de Google Video

Tela padrão do YouTube
Tela do YouTube depois de instalado o YouTube Googler

Quando o Google comprou o YouTube muita gente se perguntou para que gastar mais de um bilhão e meio de dólares em um site se você já tem um igual. A resposta é: por sua causa. A comunidade gerada em volta do YouTube é muito maior do que de qualquer outro site de vídeo. (e, aparentemente, o Google Video mira em outro público)

Mas em termos de interface eu sempre gostei mais do Google Video, por privilegiar na tela o que é mais importante: o vídeo. Outra coisa que sempre me irritou no YouTube foi o fato de o site ter um fundo branco com uma telinha de vídeo, muitas vezes escuro, no meio. O site tinha que ter um fundo preto, para dar o contraste e atenção máxima ao vídeo.

Com este ódio em meu coração visitei o repositório de brinquedos para Greasemonkey ontem. Greasemonkey é um conceito complicado para explicar em algumas linhas, mas é talvez o principal motivo para alguém usar Firefox. São pequenos programas em Javascript que permitem alterar sites em tempo real sem nem mesmo a autorização do dono do site. Como tudo numa página web é um objeto e Javascript é, basicamente, uma linguagem de manipulação destes objetos é possível fazer coisas bem legais com o Greasemonkey. Só que até então o script mais complicado que eu usava mostra a idade dos atores no IMDB. Bem bobinho…

Entra em cena o YouTube Googler que simplesmente transforma diante dos seus olhos o YouTube numa interface Google Video. O vídeo é esticado (ou seja, tem uma certa perda de qualidade), os comentários vão para o canto e o que importa de verdade está no meio sem muito branco em volta. O YouTube nunca mais será o mesmo, literalmente.


Nem parece que estão gozando com a sua cara

Pode ser paranóia minha, mas isso é motivo para mudar de banco. Na minha pobre opinião a responsabilidade em proteger minha conta é do banco e não minha. Só que a cada dia vai ficando mais e mais complicado usar internet banking. Qual a próxima? Uma gota de sangue no teclado para comprovar minha identidade?


Se toca Cicarelli

Daniela, põe a mão na cabeça. Tente pensar. Você é apresentadora de um programa jovem na MTV. Sabe quem assiste à emissora? Um monte de adolescentes que, como você (e eu), também costuma transar na praia, infringir a lei, ser atrapalhado, fazer coisa errada e, veja só!, acessar o Youtube quase todos os dias.

Você acha que eles estão felizes?

E ainda: www.boicoteacicarelli.com. Vi na Cabala 1001 Gatos de Schrödinger, que disse tudo “Cicarelli já deu o que tinha que dar.”


YouTube cada vez mais bloqueado

Grandes provedores nacionais continuam bloqueando o YouTube por conta do vídeo proibido da Cicarelli. O desembargador Ênio Santarelli Zuliani baixou ordem judicial semana passada para que somente o vídeo seja bloqueado. Pois justamente o YouTube alega que não tem como bloquear com eficácia um vídeo específico. O exercício é simples: pense em uma maneira de bloquear especificamente o vídeo e depois uma maneira de burlar esse bloqueio. Até quem não entende nada de informática vai encontrar respostas bem simples para o caso. O YouTube gostaria muito de ter como bloquear vídeos específicos por outros motivos, já que várias empresas estão processando o site por violação de direitos autorais. Mas um vídeo é uma informação visual e subjetiva, que até o momento só nossos cérebros conseguem entender ou distinguir. Qualquer vídeo denunciado ao administradores é retirado do ar rapidamente, mas nossa querida popstar não quer ter o trabalho de ficar policiando o site. Ela quer todos os vídeos fora e pronto.

Então se nem o YouTube consegue filtrar só um vídeo os provedores de acesso nacionais não têm lá muita opção senão bloquear o site todo. O desembargador, que obviamente não entende absolutamente nada de tecnologia, tira o seu da reta dizendo que a ordem é de bloqueio de um vídeo só, em todas as suas encarnações. Mas a ordem judicial é literal “objetivando o bloqueio do site www.youtube.com, da cor-ré YouTube Inc, aos Internautas brasileiros, informando, após, o Juízo, da providência tomada”. Nada é dito sobre algum vídeo específico.

É como mandar todas as bancas de jornais fechar porque a Caras publicou fotos da Cica pelada. É como mandar fechar todas as ruas porque alguém pode estar dirigindo bêbado.

Mas uma discussão maior começa a aparecer. Eu e você podemos achar que o vídeo não tem nada demais e ainda dá publicidade grátis para a menina. Afinal de contas ela foi filmada fazendo coisinha em lugar público, uma praia. Bloquear o site todo é burrice e ponto. Mas vai aparecer o dia em que um vídeo do YouTube, uma foto de um site, o texto de um blog… seja realmente ilegal. E mais: alguma coisa ilegal no Brasil porém legal nos EUA e o YouTube, por exemplo, decida que não vai tirar o vídeo.

A maior “quebra cultural” da internet é ela ser de alcance mundial e aplicação local. Nós ficamos revoltados quando os chineses bloqueiam acesso a sites que julgamos “democráticos” mas um dia a coisa pode voltar-se para o lado de cá. Os EUA, onde ficam os grandes sites, têm as leis mais liberais de liberdade de expressão do mundo. Lá é permitido ter site anti-semita, mas na Alemanha, por exemplo, não é. O que o governo alemão pode fazer quando (ainda no exemplo) aparecer um vídeo neo-nazista no YouTube?

Tentemos um exemplo mais complicado… Aqui no Brasil é terminantemente proibido vídeos com cenas de sexo com crianças, de qualquer espécie. Mas nos EUA há um detalhe: se alguém fizer um desenho animado de uma criança em cena de sexo ele pode ser publicado, porque na visão da lei americana o que deve ser protegido pela lei anti-pedofilia é a integridade física e mental da criança e não a moral de quem assiste ao vídeo. Se a criança em questão não existe, é um desenho, nada de errado aconteceu.

Sem tentar discutir a interpretação da lei americana… Digamos que um vídeo desse entrasse no YouTube? É um vídeo obviamente ilegal no Brasil, algo bem mais sério do que a Cicarelli gemendo dentro d’água. O bloqueio do site por completo seria justificado? Ou devemos contar com a boa vontade do site? O YouTube (que nem permite vídeos sobre sexo, é bom dizer) pode ser compreensivo mas nada garante que o vídeo não apareça no outro site de vídeo ali da esquina. O que os provedores deverão fazer? Começar a caçar cada site e cada endereço IP até desligar a Internet toda aos brasileiros?

A reposta para o problema de hoje é simples: deixem de besteira e abram o YouTube. O quarto site mais acessado do mundo não pode ser bloqueado por inteiro aos brasileiros por conta dos caprichos de uma apresentadora de terceiro escalão. Mas a confusão está só começando.

PS: Aceito exemplos melhores para este texto, já que o meu da pedofilia, pelo visto, é furado.


Mudanças em 2007

Sai Bloglines, entra Google Reader. Pelo menos por enquanto…

Essa é a beleza dos formatos abertos. Como os dois sites aceitam exportar e importar sua lista de feeds lidos no formato OPML passar de lá para cá é moleza.


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