Eu não vejo graça no Second Life
Clay Shirky, do ValleyWag comenta sobre o novo queridinho da imprensa, o SecondLife. Há mais de um ano criei meu avatar no mundo virtual, entrei, deu um passeio e… não vi a menor graça. Achei que era comigo e deixei para lá. De vez em quando volto lá para ver se encontro algo interessante, principalmente depois de ver algum vídeo mostrando pessoas virtuais andando em jet-skis virtuais ou naves espaciais virtuais. Mas continua não tendo graça.
De um mês para cá explodiu o número de aparições do SL na empresa mundial, incluindo a brasileira (por conta da abertura do escritório da Linden Labs, criadora do SL, no país). A Veja deu, a Superinteressante deu, o G1 criou uma “filial” no SL… A moda agora é ser o primeiro a ___ no SecondLife, insira aqui qualquer atividade possível. Primeiro banco, primeira agência de publicidade, primeiro a tirar meleca… Está começando a dar na pinta o G1 ter todo santo dia uma matéria diferente sobre SL na primeira página.
Dá ibope contar casos de sucesso incríveis de pessoas que se tornaram milionários no SL, meio que esquecendo que o que essas pessoas têm na verdade é dinheirinho de mentira que hoje tem um valor de mercado porque ninguém está preocupado em vender a moeda e sim comprar (para entrar no mundo). E o que mais me irritou ao passear por lá foi justamente constatar que SecondLife não é um mundo virtual, mas um grande shopping center virtual. A cada passo que você dá você topa com uma loja de roupas, de perucas, de móveis. Todo mundo correndo para lá achando que vai ser o próximo milionário a aparecer na Wired.
Sim, eu fui numa ilhazinha no canto do mapa e assisti a uma sonolenta regata de barquinhos virtuais numa bela marina, sem nenhum fim comercial. Todo mundo por lá estava realmente preocupado em me fazer sentir bem-vindo. Mas se minha primeira vida não for muito divertida eu não consegui entender porque ter uma segunda vida muito muito igual vai ser divertido. Se é para ter outra vida em um mundo virtual eu prefiro ser um super-herói, um mago, um contrabandista estelar ou um jedi. Não o dono de uma loja de perucas.
Como bem lembra o artigo de Shirky a imprensa parece esquecer que tantos outros mundos virtuais (3D ou só-caracteres) já foram cantados como a nova revolução e morreram na praia. Eu daqui continuo dizendo a quem perguntar que ainda não vi graça do no SL. Mas, quem sabe, o problema é comigo.




É um mundo curioso em que vivemos. Não necessariamente melhor ou pior, nesse caso, mas com certeza diferente.