Quando RP vira Jornalismo

Estão começando a ser desmascaradas (e quantificadas) nos EUA as peças “publicitárias” conhecidas como Video News Releases (VNRs). São reportagens parecidas com o que conhecemos por aqui como “informe publicitário” só que, justamente, sem a menor preocupação em dizer ao telespectador que aquilo não é uma peça jornalística.

Os canais de TV nos EUA são muito mais descentralizados do que aqui, principalmente na área de jornalismo. Enquanto o horário nobre da TV é basicamente o mesmo em todas as cidades, o resto da programação é montado por cada emissora local. Como tudo mais no mundo atual, TV e jornalismo viraram um negócio e, portanto, devem ter o máximo de receita com o mínimo de custos. Assim as emissoras locais compram matérias de outras emissoras e “aceitam de bom grado” VNRs que se fazem passar por reportagens legítimas, onde é esperado um mínimo de imparcialidade.

Funciona mais ou menos assim: a ACME está com uma nova linha de fraldas de bebê (sim… é tudo o que passa pela minha cabeça no momento) e contrata um “jornalista” para estrelar uma “reportagem” contando como as mamães devem escolher o melhor produto (empresas como Motorola ou Pfizer chegam a contratar figuras conhecidas do público). A reportagem começa dando dicas aparentemente úteis como… sei lá… uma boa fralda não deforma, não tem cheiro nem solta as tiras. Mas no final manda: “Mas essa semana foi lançada a última palavra em fraldas, a ACME Turbo 5000 que faz tudo isso e muito mais, veja.”

Os VNRs têm divulgado de tudo: remédios, carros, doces para o Halloween e, claro, o governo Bush. Um VNR apontado pela reportagem apontada no link acima fala de um segmento produzido pelo Departamento de Estado em 2003, depois da invasão de Bagdá, onde um iraquiano residente de Kansas City dizia “Thank you Bush. Thank you USA”.

As empresas envolvidas defendem-se dizendo que informam claramente às emissoras que tudo aquilo é uma peça de relações públicas. Seriam as emissoras que decidiram deixar essa informação para o público. Se houve troca de dinheiro da transação não está claro.

Desde sempre jornalistas visitam empresas, recebem brindes (ou empréstimos) de produtos e viajam por conta das empresas para escrever sobre seus produtos. Mas no fim do dia ainda é prerrogativa do jornalista o que vai ser dito e até mesmo se alguma coisa vai ser dita. Se ainda assim já é difícil conseguir saber se aquele novo carro recebeu uma boa resenha porque é realmente bom ou porque o repórter ficou andando com ele por uma semana (e pegando todas as tchutchucas que pode) o que fazer quando a reportagem já vem prontinha da fábrica? O que fazer quando o jornalismo deixa de ser notícia e passa a ser showbusiness.

Blessings of the state, blessings of the masses. Let us be thankful we have commerce. Buy more. Buy more now. Buy. And be happy.

29 May 2006, 6 comentários.
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Quack!

Ainda bem que podemos contar com a imprensa para nos manter informados num momento de crise como esse… Já tiraram do ar, mas nada que um print-screen não resolva! ;-)

[ mandado instantâneamente pelo Rafa, O Ligado ]

PS: Pelo visto hoje é o Dia Internacional de Coisas Toscas…


Lula exclusivo

Muito boa a entrevista do Fantástico de ontem com nosso * cof * querido presidente. Pedro Bial mandou muito bem não se intimidando com o presidente, perguntando o que precisava ser perguntado. É claro que Lulão Macaco-Velho se esquivou e só respondeu o que queria. E nota dez para a Globo por exibir a entrevista (aparentemente) sem cortes, para não ser acusada de nada mais tarde. Deixou Lula fazer propaganda do seu governo, dizer 10 vezes que “2006 vai ser o ano” e mandar seus tais “dados concretos”, que de concretos não tinham nada. Aliás, alguém aí poderia dizer por que o Lula olhava tanto para o mesmo ponto à sua direita? Quem estava ali?

Incrível com um cara como o Bial é pouco aproveitado. Num mundo (não país, mundo…) onde jornalismo é tratado como showbiz e onde às vezes tenho a impressão que estagiários são colocados para fazer reportagens, um cara do nível do Bial é jogado para apresentar Big Bróder.


A pior revista semanal é aquela que não quer ver

De: CrisDias
Para: Revista Veja

Olá. Como assinante da revista (só até o fim do mês, caí na real e cancelei a assinatura) estou escrevendo para avisar que vocês esqueceram de falar essa semana sobre o caso Eduardo Azeredo, também acusado de caixa 2. Queria saber mais sobre o assunto mas é como se ele não existisse.

Eu sei que com tanta gente mobilizada para atacar o governo Lula não deve ter sobrado tempo. Acontece.

31 Oct 2005, 8 comentários.
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Lula e Dirceu é pouco

A Veja não vai descansar enquanto não antingir o ministro Palocci. Só queria saber o que ela ganha com isso, além de mostrar como é fodona.

30 Oct 2005, 7 comentários.
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Assuma posição de impacto e sorria para a câmera

É um mundo curioso em que vivemos. Não necessariamente melhor ou pior, nesse caso, mas com certeza diferente.

Ontem um avião da JetBlue fez um pouso forçado em Los Angeles, você deve ter visto na TV. Um dos diferenciais da empresa (na qual a Gol se inspirou, mas nem tanto como você pode ver) é ter um monitor de TV com DirecTV em cada assento. O problema no trem de pouso foi detectado logo na decolagem rumo à costa leste e o avião ficou 3 horas voando em volta do aeroporto para esvaziar o tanque de combustível. Isso deu tempo suficiente para os canais de notícia captarem a manchete e trazer todos aqueles analistas-mala. Os passageiros do vôo 292 ficaram assistindo seu destino se desenrolando ao vivo em cadeia nacional, até a hora do pouso de emergência.

Sinistro…

22 Sep 2005, 14 comentários.
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Santa conjunção astral, Batman!

Não é que é verdade e a Veja, Época e IstoÉ deram a mesma capa essa semana?

Super Coelho!

23 Mar 2005, 18 comentários.
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Las tetas de la Luma

É preocupante ver na passada geral pelas primeiras-páginas dos jornais que o jornal de maior circulação por aqui traz como principal manchete “Casal afirma ter visto Luma de Oliveira fazendo topless para namorado policial”. Me preocupa porque me pego pensando se o errado não sou eu.

6 Dec 2004, 2 comentários.
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Frase duca do dia

Quer dizer que Cássia Eller se entope de farinha e é o Plasil que mata?

Me passa o Plasil, por favor.

Rafael Galvão

Muito bom.


Até tu, IstoÉ? (Foi mal aí II: A revanche)

MarcosRS manda:

Na semana passada, IstoÉ acusou VEJA de ter feito exatamente a mesma coisa que ela fez. Mas IstoÉ esqueceu o que escreveu. Sua reportagem, publicada há 11 anos, tem até o mesmo título da de VEJA (imagem ao lado). A revista IstoÉ esqueceu também de corrigir o erro. Nunca o corrigiu. VEJA se corrigiu na edição seguinte.

Não estivesse tão ocupada com os aspectos pecuniários da operação, a revista IstoÉ poderia ter, pelo menos, consultado seus arquivos com o objetivo de verificar o que ela própria escreveu sobre o assunto em pauta. Por alguma estranha ramificação mental, a falta de ética costuma ocorrer paralelamente à falta de memória. Pois se tivessem consultado seus arquivos os funcionários de IstoÉ teriam encontrado na edição de 17/11/93 uma reportagem de três páginas com o imaginoso título “Até Tu, Ibsen”. A reportagem traz uma enorme foto do então deputado Ibsen Pinheiro com a seguinte legenda: “Ibsen movimentou em suas contas pelo menos US$ 1 milhão desde 1990″. Pois bem, a revista IstoÉ trouxe naquele número uma reportagem com o mesmo título e a mesma informação publicada por VEJA. Os funcionários de IstoÉ esqueçaram-se da sua própria reportagem e, aproveitando uma carta escrita pelo marqueteiro, consultor do PT e ex-jornalista de VEJA Luiz Costa Pinto, acusaram VEJA de ter cometido um erro proposital e, com isso, destruído a carreira do político Ibsen Pinheiro.

Texto completo aqui.

18 Aug 2004, 1 comentário.
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Traduza

Por falar em JB… decifre por favor a frase abaixo, que constava da edição em papel de hoje assim como da online:

O governo fefalta de interação entre as esferas de poder aumenta os custos da máquina e a burocraciaderal recebe até o próximo dia 30 de agosto sugestões para melhorar a arquitetura do Programa de Interoperabilidade para Governo Eletrônico, mais conhecido como e-ping. O nome é complicado, mas o conceito é simples.

Definitivamente o JB já era…

3 Aug 2004, 7 comentários.
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Mea maxima culpa

O NYTimes reviu suas reportagens sobre a crise EUA-Iraque e chegou à conclusão de que pecou em diversas ocasiões, dando mais crédito a certos informantes do que eles originalmente mereciam. Os editores se tocaram que estes informantes estavam mais do que interessados em mostrar um cenário horrível no país e que, na ânsia por material, publicaram matérias “bombásticas” sem levar isso em conta. E reconheceram isto abertamente.

Some critics of our coverage during that time have focused blame on individual reporters. Our examination, however, indicates that the problem was more complicated. Editors at several levels who should have been challenging reporters and pressing for more skepticism were perhaps too intent on rushing scoops into the paper. Accounts of Iraqi defectors were not always weighed against their strong desire to have Saddam Hussein ousted. Articles based on dire claims about Iraq tended to get prominent display, while follow-up articles that called the original ones into question were sometimes buried. In some cases, there was no follow-up at all.

Isto é jornalismo sério.

30 May 2004, 5 comentários.
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Aconteçe

Essa é de rir pra não chorar. Está em todas as bancas, na revista Quem, a revista-oficial-dos-salões-de-beleza que, de repente, podia mudar o nome para Queeem?.


(clique para ampliar)

A ironia (ó ironia) é que a reportagem fala de um evento organizado pela Editora Grobo — a dona da Quem — e nas fotos desfilam bãm-bãm-bãns da casa e de empresas como Ford, VW e Audi.

Fora esse título, mes se estivesse escrito direito, é um trocadilho mais do que manjado…

12 Dec 2003, 3 comentários.
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Sejamos práticos

Estava eu ontem degustando um Cheddar McMelt de costas para a TV na lanchonete. William Bonner dispara com seu vozeirão “Preso o último acusado de matar o casal de adolescentes em SP. O caso está criando polêmica sobre a maioriade criminal já que um dos acusados é menor de idade.”

Bom, eu sou um cara prático. Eu não entro nem na discussão se “merece ir preso ou não merece”, não entro na discussão se essa discussão sobre discutir é factóide de imprensa ou não. Eu vejo a coisa da seguinte maneira:

A idéia de ter o limite legal diminuído só pode ser uma, a de que os hoje di menor entre 16 e 18 pensem duas vezes antes de cometer um crime. “Agora a coisa é séria, se eu for pego eu não vou pra FEBEM.”

Certo? OK, então eu pergunto se isso fez alguma diferença sobre os outros quatro meliantes que têm mais de 18 anos.

Não, é claro que não.

Um dos cinco bandidos era menor de idade e, de repente, reduzir o limite de idade vai resolver o problema da violência. Só falta aparecer o pai da garota dizendo “se a idade criminal fosse 16 anos minha filha ainda estaria viva”.

Um membro do governo (não vi quem, estava de costas) declarou: “Não vou nem analisar essa proposta de tão imbecil que ela é.” (é claro que não foram estas as palavras dele, mas esse cara sabe reconhecer cheiro de podre)

O mesmo vale para pena de morte.

— Cristiano, você é a favor da pena de morte no Brasil?

— Não. Sou contra.

— Como cara? Você acha que bandido merece ficar vivendo?

— Eu acho que quem merece morrer não vai morrer e quem não merece vai morrer. E só vai morrer pobre.

— Er… mas… quer dizer…

Eu sou prático. Como bem disse a Anna “eu não tenho pena de bandido”, mas termos pena de morte não vai diminuir em nada a criminalidade. Eu sou prático. Nem discuto direitos humanos, criminalidade, constitucionalidade e o iscambau.

Nos filmes hollywoodianos o mocinho vira para o bandido e, jogando aquele papo para convencê-lo a não matar todo mundo, dispara: “Se você se entregar agora só terá assalto contra você. Se me matar terá assassinato.”

Você acha que bandido brasileiro pensa nisso? Que ele tem um limite? “Eu roubo mas não mato.” Bandido por aqui (fora das telas) não pensa nem no dia de amanhã, quanto mais em que tipo de pena vai pegar. Até porque muitas vezes ele já passou pela cadeia, voltar é mais uma questão de quando do que de se.

Seguindo o mesmo raciocínio prático eu sou contra essa tal lei proibindo o porte de armas no Brasil. Eu sou contra as armas, mas a lei não vai adiantar chongas, ou você acha que no dia em que ela for promulgada todos os bandidos vão sair de suas tocas e entregar suas armas ao governo, de mão dada com os valentões você-sabe-com-quem-está-falando? e todas as outras pessoas que têm arma sem porte legal?

Sejamos práticos e vamos parar com essa de entrar nas campanhas-que-abalaram-a-opinião-pública do Jornal Nacional.

Adendo 1: o quinto comparsa preso ontem tem trinta e dois anos de idade. Outro acusado tem cinqüenta.

Adendo 2: o tal membro do governo que deu a declaração é o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.

14 Nov 2003, 56 comentários.
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Ponto de vista

Tudo depende se você vê a coisa pelo lado meio-cheio ou pelo meio-vazio do copo.

Globo.com: Até que enfim. Desemprego cai em São Paulo pela primeira vez este ano.

UOL: Desemprego em São Paulo tem o pior mês de junho em 18 anos.

O UOL explica: A taxa de desemprego da região metropolitana em junho recuou de 20,6% para 20,3%. A taxa, porém, foi a maior para o mês de junho desde 1985, quando a PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego) da Fundação Seade/Dieese começou a ser feita.

24 Jul 2003, 3 comentários.
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