Twitter no Megazine

Semana passada o jornal-dentro-do-jornal Megazine, do Globo, publicou uma reportagem sobre o Twitter que eu, finalmente, escaneei. Foi publicado um parágrafo de uma declaração minha (normal em entrevista) e outras coisas citadas indiretamente durante o texto. Clique na imagem para a versão maior.


Que tipo de paulistano eu (não) sou?

Vem aí a revista Época San Pablo, que vai ser a revista de cidade mais fodástica que este país já viu. Afinal de contas foi concebida, craniada e executada por um cara que manda muito bem, um tal de Alexandre Maron, que você já deve ter ouvido falar por aqui. A revista vai ser mensal, para poder ser feita direito e com carinho e sem aquela idéia de que revista de cidade (ou caderno-de-jornal de cidade) é uma grande lista de restaurantes e cinemas e uma reportagenzinha pra enganar.

O site da revista, ouvi dizer por aí, também vai ser algo jamais visto. Mas como aí depende de mais gente do que o Alexandre pra fazer acontecer (leia-se: departamentos de informática) eu vou esperar ver para crer. Enquanto isso o site-teaser oferece um testezinho que diz que tipo de paulistano você é. Ou no meu caso, que tipo de paulistano-wannabe eu seria se lá morasse. Meu resultado foi o mesmo do Alexandre e da Anna, o que provavelmente é uma boa notícia para a sanidade mental da família. :-)

Eu sou do tipo descolado


Todo o conteúdo da Superinteressante online

A revista Superinteressante, uma das únicas duas que assino e leio hoje em dia (a outra é a irmã dela, Aventuras na História) abriu geral o conteúdo de suas edições de 1987 até hoje 2006. Superchutaram superbundas! [ valeu Mark! ]



Extra: o jornal com mais infâmia por centímetro quadrado

Os jornais tiram uma enorme onda de que são veículos mais sérios do que blogs. Podem até ser, mas o Extra (que é o jornal mais vendido no Rio e pertence ao grupo O Globo) resolveu atacar com trocaralhos engraçadilhos na sua capa de hoje. “Zero-um de Cuba pede pra sair” e “Fidel chama o Raúl”.

Capa do jornal Extra de 20 de fevereiro de 2008

A pergunta obrigatória: e se um jornal estrangeiro fizesse uma brincadeira dessas com Lula ou FHC? [ valeu a dica, Mark! ]

20 Feb 2008, 18 comentários.
:: Imprensa minha

A primeira crítica de restaurantes da história?

No Kottke, de volta com a corda toda à blogança depois da paternidade, um recorte do NYTimes de 1859 do que parece ser a primeira crítica de restaurantes do jornal e, quem sabe, da história.

Recorte do NYTimes de 1859

Recentemente o jornal resolveu abrir praticamente todos os seus arquivos gratuitamente ao público, apostando (na minha opinião, corretamente) que pode ganhar mais dinheiro com publicidade do que com assinatura. De cara já está ganhando esta exposição num dos blogs mais visitados do mundo (o do Kottke, não o meu). Bola dentro, enquanto no Brasil tem jornal que nem ctrl-c deixa fazer.


Macacos, jornais e blogs

OK, passada a brincadeira… Obviamente o Estadão marcou bola fora. Parece que executivos isolados no alto de seus castelos e torres pediram à agência de publicidade (Talent 1) alguma coisa contra a “perca” de audiência para internet em geral e blogs especificamente e saiu isso.

Obviamente também a blogosfera vai cair em cima e talvez esse seja o plano original do jornal e da agência, jamais saberemos. Mas vamos explicar umas coisinhas, que eu comentei por alto no Brain #9 e no encontro BLS da segunda-feira.

O jornal tenta passar a imagem de que se você precisa de uma opinião exata, isenta, precisa, etc. e blablabla você deve ir ao jornal. O blog pode ser escrito por qualquer um.

É nesse ponto que a campanha erra feio. (Continua…)


Desmascarado

Fui desmascarado pelo Estadão. Sou na verdade um macaco.

Você leria um jornal que chama todos os blogueiros de macacos?


Politicamente incorreto

Er… tipo assim… Levar porrada dos delinqüentes imbecis filhinhos-de-papai vai acabar virando a melhor coisa que aconteceu na vida da Sirley?

E outra: se algum deles fosse menor de idade estaríamos ouvindo todos os papos sobre diminuição da maioridade legal de novo?

Este momento “general de pijama” é um oferecimento…


Eu não vejo graça no Second Life

Avatar de palhaço no Second LifeClay Shirky, do ValleyWag comenta sobre o novo queridinho da imprensa, o SecondLife. Há mais de um ano criei meu avatar no mundo virtual, entrei, deu um passeio e… não vi a menor graça. Achei que era comigo e deixei para lá. De vez em quando volto lá para ver se encontro algo interessante, principalmente depois de ver algum vídeo mostrando pessoas virtuais andando em jet-skis virtuais ou naves espaciais virtuais. Mas continua não tendo graça.

De um mês para cá explodiu o número de aparições do SL na empresa mundial, incluindo a brasileira (por conta da abertura do escritório da Linden Labs, criadora do SL, no país). A Veja deu, a Superinteressante deu, o G1 criou uma “filial” no SL… A moda agora é ser o primeiro a ___ no SecondLife, insira aqui qualquer atividade possível. Primeiro banco, primeira agência de publicidade, primeiro a tirar meleca… Está começando a dar na pinta o G1 ter todo santo dia uma matéria diferente sobre SL na primeira página.

Dá ibope contar casos de sucesso incríveis de pessoas que se tornaram milionários no SL, meio que esquecendo que o que essas pessoas têm na verdade é dinheirinho de mentira que hoje tem um valor de mercado porque ninguém está preocupado em vender a moeda e sim comprar (para entrar no mundo). E o que mais me irritou ao passear por lá foi justamente constatar que SecondLife não é um mundo virtual, mas um grande shopping center virtual. A cada passo que você dá você topa com uma loja de roupas, de perucas, de móveis. Todo mundo correndo para lá achando que vai ser o próximo milionário a aparecer na Wired.

Sim, eu fui numa ilhazinha no canto do mapa e assisti a uma sonolenta regata de barquinhos virtuais numa bela marina, sem nenhum fim comercial. Todo mundo por lá estava realmente preocupado em me fazer sentir bem-vindo. Mas se minha primeira vida não for muito divertida eu não consegui entender porque ter uma segunda vida muito muito igual vai ser divertido. Se é para ter outra vida em um mundo virtual eu prefiro ser um super-herói, um mago, um contrabandista estelar ou um jedi. Não o dono de uma loja de perucas.

Como bem lembra o artigo de Shirky a imprensa parece esquecer que tantos outros mundos virtuais (3D ou só-caracteres) já foram cantados como a nova revolução e morreram na praia. Eu daqui continuo dizendo a quem perguntar que ainda não vi graça do no SL. Mas, quem sabe, o problema é comigo.


Sou, mas quem não é?

No G1:

Francisco Cuoco assaltado no Rio

É piada? Ou o global é mais importante (e menos merecedor do assalto) do que as 200 zilhões de pessoas que são assaltadas, sofrem seqüestro relâmpago, blitz falsa… todos os dias no Rio?


Inteligência dos EUA revela versão espiã da Wikipedia

Os serviços de inteligência dos Estados Unidos revelaram na terça-feira sua versão secreta da Wikipedia, afirmando que o popular formato da enciclopédia online conhecida por sua abertura à edição é essencial para o futuro da espionagem norte-americana.

Mais uma vez algum jornalista mal informado e/ou sensacionalista pisou na bola. O que o serviço secreto americano está fazendo é simplesmente rodar uma versão do MediaWiki, o software sobre o qual roda a Wikipédia. O programa surgiu inicialmente para rodar apenas a biblioteca livre, mas por ser software livre logo foi adotado por outras organizações que precisavam de um bom software de base de conhecimento. Até mesmo seu provedor preferido usa a MediaWiki para gerenciar projetos de desenvolvimento.

Aliás, lá nos idos de 2001, instalei um phpWiki no meu emprego canadense para ajudar na gestão das informações internas, bem antes de Wikipedia virar uma palavra conhecida e hoje quase sinônimo de wiki. Muita gente que devia dizer “minha empresa usa um wiki” diz “minha empresa usa uma wikipédia”, o que mostra como o site comanda o batatal (como deve ter sido o caso da reportagem aqui citada).

Se você também estiver precisando de uma ótima ferramenta de gestão de conhecimento entre em contato. Por aqui estamos com uma experiência legal de implantar projetos em empresas. Aliás, semana que vem será por nós instalado, em Brasília, um MediaWiki interno em uma das maiores corretoras de seguro do país.


O agricultor do futuro

Meu avô Armindo me ensinou várias coisas muito mais úteis, entre elas como ser uma pessoa correta e humilde. Mas um grande ensinamento também é a frase pela qual ele mais é lembrado hoje: “quem guarda, tem”. Provavelmente por causa dele sou daqueles malucos que odeia jogar coisas fora. Só que morando em 10 endereços diferentes, indo e voltando para 3 países em 3 anos, fica meio difícil manter essa filosofia. “Bagagem leve e sempre e movimento” passou a ser o lema.

Mas algumas coisas sobreviveram e foram guardadas, entre elas o primeiro, original e único número do Idearo, fanzine bolado em 1994 pelo toda-hora-aqui-citado Alexandre Maron, naquela época entre o mimeógrafo e a Internet, onde as pessoas escreviam suas idéias nos computadores mas espalhavam via papel.

A revolucionária idéia sob o slogan “para quem sabe que não sabe de tudo” era publicar textos que não necessariamente concordassem com as idéias do Alexandre, que editou tudo no seu computadorzinho em casa (provavelmente usando um Page Maker 1.0), xerocou e distribuiu na faculdade, onde foi sonoramente ignorado.

O Idearo depois virou site que já saiu do ar e hoje é só um dos domínios que continuo mantendo na esperança de trazer de volta um dia. (e a origem por minha fixação por nomes em esperanto)

Arrumando a casa na organização pós-Clara a Anna mandou eu jogar fora o que não prestasse mais e… tcharam… achei o Idearo, que viajou pelo mundo e de volta ao Brasil apenas com um pequeno amarelado.

Essa “zerézima edição”, é claro, tinha um texto meu já metido a sabichão que orgulhosamente reproduzo aqui. Não vou tentar contextualizar o que digo para não parecer desculpa para um texto amador, mas só fica a nota (até pelos nomes de empresas citadas) que estávamos em 1994 e eu, portanto, com 21 anos, ainda na faculdade.

Idearo, o original

O agricultor do futuro

Século XVI. Navios partem em direção ao mar em busca de um descoberto novo mundo. Perigos adiante, mas muitas riquezas. Produtos exóticos para vender nas grandes cidades européias e matérias-primas mais baratas, principalmente comida. E mais: estes novos territórios poderão comprar produtos modernos, como tecidos ou ferramentas para a agricultura pelo preço que a metrópole estipular. Ah, a modernidade!

(Continua…)


Faça o seu dever de casa

Já devo ter dito isso aqui umas 10 vezes. A regra número 1 do bom jornalista (e eu nem jornalista sou) é “faça seu dever de casa”. Aprendi isso com um dos feras. Então vamos ver se os jornalistas da tal “imprensa especializada em Internet” vão fazer o seu ou vão engolir tudo que nem patinhos. O Fábio fez o dever de casa dele


Folha Online de onde mesmo?

A Folha de São Paulo é um jornal, dã, de São Paulo. Mas quando se lança em uma empreitada online a gente chega a pensar que eles teriam a ambição de virar um veículo nacional, para todos os leitores. Afinal de contas a Folha tira uma bela onda de ter o melhor conteúdo, etc. e tal. E nos textos do site a Folha Online tenta sempre demarcar essa separação com a Folha Offline.

Mas eis que ontem tivemos dois jogos de futebol importantes no país. Um foi o jogo final do segundo campeonato mais importante do país, a Copa do Brasil, decidindo o campeão. O outro era o jogo de ida da semifinal da Copa Libertadores, um torneio até mais importante sim do que a Copa do Brasil, mas era um jogo que, sozinho, não decidiu nada. No primeiro jogo dois times do RJ (ou, mais especificamente, dois times não-de-SP). Um dos times tem, notoriamente, a maior torcida do Brasil especialmente no que se refere a “penetração nacional”. Em toda cidade há um bom número de torcedores do Flamengo. No segundo um time não só de São Paulo, mas chamado São Paulo. Pela cobertura dada no site dá para notar a prioridade da Folha, Online ou de São Paulo:

Folha Online de São Paulo

27 Jul 2006, 15 comentários.
:: Imprensa minha

Quando RP vira Jornalismo

Estão começando a ser desmascaradas (e quantificadas) nos EUA as peças “publicitárias” conhecidas como Video News Releases (VNRs). São reportagens parecidas com o que conhecemos por aqui como “informe publicitário” só que, justamente, sem a menor preocupação em dizer ao telespectador que aquilo não é uma peça jornalística.

Os canais de TV nos EUA são muito mais descentralizados do que aqui, principalmente na área de jornalismo. Enquanto o horário nobre da TV é basicamente o mesmo em todas as cidades, o resto da programação é montado por cada emissora local. Como tudo mais no mundo atual, TV e jornalismo viraram um negócio e, portanto, devem ter o máximo de receita com o mínimo de custos. Assim as emissoras locais compram matérias de outras emissoras e “aceitam de bom grado” VNRs que se fazem passar por reportagens legítimas, onde é esperado um mínimo de imparcialidade.

Funciona mais ou menos assim: a ACME está com uma nova linha de fraldas de bebê (sim… é tudo o que passa pela minha cabeça no momento) e contrata um “jornalista” para estrelar uma “reportagem” contando como as mamães devem escolher o melhor produto (empresas como Motorola ou Pfizer chegam a contratar figuras conhecidas do público). A reportagem começa dando dicas aparentemente úteis como… sei lá… uma boa fralda não deforma, não tem cheiro nem solta as tiras. Mas no final manda: “Mas essa semana foi lançada a última palavra em fraldas, a ACME Turbo 5000 que faz tudo isso e muito mais, veja.”

Os VNRs têm divulgado de tudo: remédios, carros, doces para o Halloween e, claro, o governo Bush. Um VNR apontado pela reportagem apontada no link acima fala de um segmento produzido pelo Departamento de Estado em 2003, depois da invasão de Bagdá, onde um iraquiano residente de Kansas City dizia “Thank you Bush. Thank you USA”.

As empresas envolvidas defendem-se dizendo que informam claramente às emissoras que tudo aquilo é uma peça de relações públicas. Seriam as emissoras que decidiram deixar essa informação para o público. Se houve troca de dinheiro da transação não está claro.

Desde sempre jornalistas visitam empresas, recebem brindes (ou empréstimos) de produtos e viajam por conta das empresas para escrever sobre seus produtos. Mas no fim do dia ainda é prerrogativa do jornalista o que vai ser dito e até mesmo se alguma coisa vai ser dita. Se ainda assim já é difícil conseguir saber se aquele novo carro recebeu uma boa resenha porque é realmente bom ou porque o repórter ficou andando com ele por uma semana (e pegando todas as tchutchucas que pode) o que fazer quando a reportagem já vem prontinha da fábrica? O que fazer quando o jornalismo deixa de ser notícia e passa a ser showbusiness.

Blessings of the state, blessings of the masses. Let us be thankful we have commerce. Buy more. Buy more now. Buy. And be happy.

29 May 2006, 6 comentários.
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