Meu avô Armindo me ensinou várias coisas muito mais úteis, entre elas como ser uma pessoa correta e humilde. Mas um grande ensinamento também é a frase pela qual ele mais é lembrado hoje: “quem guarda, tem”. Provavelmente por causa dele sou daqueles malucos que odeia jogar coisas fora. Só que morando em 10 endereços diferentes, indo e voltando para 3 países em 3 anos, fica meio difícil manter essa filosofia. “Bagagem leve e sempre e movimento” passou a ser o lema.
Mas algumas coisas sobreviveram e foram guardadas, entre elas o primeiro, original e único número do Idearo, fanzine bolado em 1994 pelo toda-hora-aqui-citado Alexandre Maron, naquela época entre o mimeógrafo e a Internet, onde as pessoas escreviam suas idéias nos computadores mas espalhavam via papel.
A revolucionária idéia sob o slogan “para quem sabe que não sabe de tudo” era publicar textos que não necessariamente concordassem com as idéias do Alexandre, que editou tudo no seu computadorzinho em casa (provavelmente usando um Page Maker 1.0), xerocou e distribuiu na faculdade, onde foi sonoramente ignorado.
O Idearo depois virou site que já saiu do ar e hoje é só um dos domínios que continuo mantendo na esperança de trazer de volta um dia. (e a origem por minha fixação por nomes em esperanto)
Arrumando a casa na organização pós-Clara a Anna mandou eu jogar fora o que não prestasse mais e… tcharam… achei o Idearo, que viajou pelo mundo e de volta ao Brasil apenas com um pequeno amarelado.
Essa “zerézima edição”, é claro, tinha um texto meu já metido a sabichão que orgulhosamente reproduzo aqui. Não vou tentar contextualizar o que digo para não parecer desculpa para um texto amador, mas só fica a nota (até pelos nomes de empresas citadas) que estávamos em 1994 e eu, portanto, com 21 anos, ainda na faculdade.

O agricultor do futuro
Século XVI. Navios partem em direção ao mar em busca de um descoberto novo mundo. Perigos adiante, mas muitas riquezas. Produtos exóticos para vender nas grandes cidades européias e matérias-primas mais baratas, principalmente comida. E mais: estes novos territórios poderão comprar produtos modernos, como tecidos ou ferramentas para a agricultura pelo preço que a metrópole estipular. Ah, a modernidade!
(Continua…)