Sim, este texto é em homenagem a todo mundo que chega aqui de paraquedas procurando “ler quadrinhos online”. (muito mais gente do que você, leitor fiel, imagina) Acho que o pessoal vai gostar.
Para competir com a DC, que lançou sua linha de webcomics no mês passado, e com a Dark Horse, que está lançando uma série pelo MySpace, a Marvel vai, a partir de hoje, começar a colocar seu catálogo de quase 70 anos de quadrinhos online. O projeto chama-se Marvel Digital Comics Unlimited.
Daquelas coisas legais que só temos acesso por causa da Internet…
Q: What was the best bit of the wedding, then?
A: It was either seeing old friends — Dave Gibbons, Kevin O’ Neill, Todd Klein, Chris Staros, Amber and Leah Moore, Oscar Zarate, Jose Villarrubia and on…. [só gente fraca]
xkcd é uma tira de quadrinhos conhecida por suas piadas com altos graus de nerdosidade e seus desenhos toscos. Mas essa semana a história deu uma guinada existencial, com uma mensagem daquelas que parece que foi escrita para mim. Foi?
Serginho manda a dica do Gibizada que aponta para um desenho animado da sempre sensacional tirinha Calvin & Haroldo feito por um fã italiano, desenhista profissional.
o italiano Donato Di Carlo resolveu homenageá-los em um curta-metragem animado de dois minutos e 28 segundos produzido para a Escola de Cinema de Milão. Uma beleza que o autor das divertidíssimas tiras do moleque e seu tigre de pelúcia deve repudiar, já que ele nunca permitiu merchandising de sua criação. No desenho animado falado em italiano e com legendas em inglês, Di Carlo conseguiu capturar com maestria o traço e o espiríto dos personagens
Além de um desenho divertidíssimo essa pecinha também é um bom exercício de copyfight. Como toda lei, a lei de copyright não serve para quando tudo vai bem e dá certo, mas sim quando alguém discorda.
Bill Watterson nunca deixou seu personagem ser explorado por terceiros (e, dizem, vive uma vida meio estilo Salinger). Nunca tivemos desenho animado do Calvin, filme, lancheira, bolo de aniversário, videogame… Quando Watterson decidiu que era o fim, assim foi.
Mas será que uma obra do tamanho e sucesso de Calvin & Haroldo pode pertencer ao autor e aos fãs? Se Watterson não gostar do desenho, ele tem o direito de tirá-lo do ar?
O pior é que a resposta, nesse mundão da Internet sem portera, muda de país para país. Nos EUA o trabalho pode ser considerado como fair use, mas esse é um conceito exclusivamente americano, com suas leis de liberdade de expressão acima de tudo. O Brasil não tem nada parecido com essa idéia, assim como a maioria dos países do mundo. Será que isso é certo? Será que um autor tem direito de impedir que qualquer um meta a mão em suas peças? Será que a vontade de um fã é mais importante do que isso?
Ninguém, até agora, mandou o vídeo sair do ar. Mas a discussão e o exemplo são importantes para entendermos melhor toda essa idéia de copyright. Além de a chance de ver um vídeo divertidíssimo, é claro.
Corcordo, concordo e concordo. Já venho falando isso tem tempo mas sou sempre o chato-velha-ranzinza. Os bons velhos tempos são agora, aproveitem a vida e parem de ficar reclamando de como naquele tempo é que era bom. E não estou falando só de música.
Aliás comprei um livro do cara antes do carnaval e nunca bloguei sobre o assunto. Então lá vai: é muito bom, pena que acabou logo.
Preacher — uma das revistas em quadrinho mais batutas que já li — vai virar série da HBO, o canal das melhores séries. Quando li a revista imaginei mesmo que os arcos de história cairiam bem em temporadas de TV.
A série conta a história do pastor Jesse Custer que logo nos primeiros quadros ganha o divino poder (no sentido de divindade e não no sentido di-vi-no meu amorrr) da “Palavra de Deus”: as pessoas obedecem tudo o que ele diz. Com esse poder Jesse sai pelos EUA tentando consertar sua vida e entender como pode Deus ser tão bom e o mundo ter tantas coisas ruins. A resposta para essa pergunta, revelada no capítulo final, foi uma das sacadas mais sacanas da teologia de botequim mundial.
Player-versus-player, PvP, pvponline… é a melhor tirinha em quadrinho que já acompanhei, online ou não, com histórias hilárias, cativantes e que não chamam o leitor de idiota. Depois de uns 6 anos acompanhando ininterruptamente as tremendas confusões da turma os personagens já são quase da família. As histórias se passam numa fictícia revista sobre jogos onde os funcionários são tão geeks quanto os leitores. Cada assunto novo do mundo pop-nerd é abordado quase que imediatamente. Arcos inteiros de história são gastos com um novo jogo online ou filme que apareça pela frente. Este blog é fã de carteirinha da série já não é de hoje.
Acima de tudo PvP também é pioneira no formato de web-comics e na idéia de que com a Internet o criador de cultura pode vender direto para seu público sem atravessadores e sem perder o controle criativo sobre sua obra. (para o bem ou para o mal). O criador Scott Kurtz começou fazendo a tirinha nas horas vagas e hoje vive única e exclusivamente da obra. Assinou contrato com uma grande editora de quadrinhos mantendo controle total sobre o que é produzido. (e produzindo ele mesmo, sem contratar desenhistas em países de desenvolvimento para ficar regurgitando suas piadas)
Agora PvP dá um enorme passo, ainda apostando na Internet como mídia: PvP, a Série Animada.
Junto com o estúdio de animação Blind Ferret, Kurtz e sua turma (que agora inclui o cartunista Kristofer Straub) prometem para 2007 uma série de 12 mini-episódios animados de mais ou menos 5 minutos sobre a turma do barulho. Os fãs compram acesso à temporada inteira (um episódio por mês) direto no site, pagando US$ 19.90 se assinarem ainda em 2006 ou US$ 29.90 ano que vem.
Pode ser o caminho aberto para outras empreitadas nesta área. Animação é um produto caro de produzir mas vendendo direto ao público vários outros custos são eliminados, inclusive o de publicidade — já que o próprio site da tirinha é o veículo de divulgação.
Achei o preço um pouco salgado para o que é oferecido. Como comparativo o DVD com a primeira temporada da série How I Met Your Mother sai quase pelo mesmos US$ 29.90 na Amazon. É claro que a sitcom atinge um público muito maior e já teve seus custos de produção pagos quando foi ao ar na TV. Mas o consumidor paga o valor e pronto, pode não estar muito interessado no que acontece por trás da caixinha (mas o público de nicho de PvP pode ser uma vantagem aqui também). No DVD da série leva quase 5 horas de conteúdo contra apenas 1 hora das animações.
A idéia é ótima e vou ficar aqui torcendo que dê certo. Scott Kurtz sabe que tem um produto de nicho, de cauda longa, e que só interagindo direto com seu público vai ter um destino mais glorioso do que, por exemplo, a fracassada série animada dO Balconista, que tentou virar série mainstream na ABC e não chegou nem ao terceiro episódio. (que realmente nem era tão engraçada assim, porque no fim das contas matou o que O Balconista tinha de mais engraçado: os palavrões e as infindáveis referências nerd)
Ainda há quem leia quadrinhos no mundo, ao contrário das evidências. O Alexandre, aparentemente, é uma dessas pessoas.
Em consideração a esse pessoal guerreiro o site comics.ign escolheu as melhores capas de quadrinhos Marvel de 2006, mesmo ainda faltando um pouquinho para o fim do ano. As 50 capas são, realmente, coisa fina.