Copa, dia 9

Pelo visto o carinha que bota os vídeos no YouTube tirou folga hoje. Vamos com os vídeos menores e que aparecem em popapes do site oficial.

República Tcheca 0 x 2 GanaPortugal 2 x 0 Irã: Ainda no grupo mais baba da Copa, Portugal não deu mole e jogou mais ofensivo contra o Irã. Gol do naturazilado Deco, que Figo não queria ver jogar por ser brasileiro. Ah esse Figo… Mais na frente gol de pênalti do marrento Eu Ronaldo que, juro, ficou vendo para qual câmera vibrar na comemoração. Destaque para o karatê no iraniano na cara do Figo. Se não fosse a máscara a coisa podia ter ficado mais séria.

Portugal classificado. Mais baba do que esse grupo nem pegando China e Costa Rica.

República Tcheca 0 x 2 Gana: E quem na outra rodada dava medo acabou sucumbindo à tradicional correria africana. O tchecos levaram um gol logo com um minuto e foram obrigados a partir para cima. No final todo mundo de língua para fora enquanto os ganeses corriam, corriam, corriam e perdiam gols. O placar de 2×0 mostra o quanto Gana é imaturo, a começar pelo pênalti perdido por Asamoah. Onde já se viu cobrar pênalti antes do juiz autorizar? Quebrou completamente a concentração e, na segunda cobrança, balaço na trave. Os tchecos não conseguiam marcar os atacantes ganeses que furavam sua defesa para perder gols de forma infantil, como o atacante que, na cara do gol, tocou para seu companheiro obviamente impedido marcar. Gana podia ter dado um belo chocolate tcheco mas não soube ser Argentina. Destaque para o goleiro tcheco Cech, que agarrou muito e já vem com piada pronta. Aliás os caras tem outro jogador que já vem com piada pronta: o meio-de-campo Plasil, que segundo o comentarista do SporTV joga um futebol enjoado.

Itália 1 x 1 EUA: a Itália tradicionalmente defensiva enfrentou a retranca americana. Mas uma retranca “inteligente”, com muitos jogadores no meio-de-campo mas não necessariamente todos defensivos. Os EUA aparentemente só atacariam com Donovan — que todo comentarista adora dizer que joga muito, mas que eu nunca vi fazer nada demais — mas quando tem a bola sai pro ataque. O jogo perigou virar de futebol para hockey mas o árbitro mandou bem expulsando três jogadores, incluindo o criminoso De Rossi. Com mais espaço em campo o jogo ficou mais aberto, mas as equipes não são grandes coisas no ataque e nada mais aconteceu, apesar de grandes emoções.

O grupo — que pra mim sempre foi o verdadeiro chavão-zístico grupo da morte — está emboladíssimo e totalmente aberto, com qualquer time podendo se classificar em primeiro. Lembrando sempre que este grupo cruza com o do Brasil na próxima fase.

17 Jun 2006, 3 comentários.
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Copa, dia 8

Argentina 6 x 0 Sérvia e MontenegroArgentina 6 x 0 Sérvia e Montenegro: Er… hum… cof cof… Argentina, hein? Seis-a-zero num time que só tomou um gol nas eliminatórias inteiras. E seis golaços. Um jogo lembrando comercial da Nike, como nossa imprensa quer. De repente param de encher o saco.

É bom ver que na segunda rodada os times estão se soltando mais. Uns por querência, como a Argentina, outros por precisão, como Sérvia-ainda-com-Montenegro. (obrigado ao povo de Montenegro por ter votado a favor de o nome de seu país dar menos trabalho de escrever!) A Argentina jogou um futebol como eu acho que deve ser jogado, vertical, sempre em busca do gol. Ainda foi ajudado por um time que já não jogava muito bem e precisava jogar no ataque. Perder de um ou de seis era desclassificação para Sérvia e Montenegro. Não que esse time da Argentina precisasse de muita ajuda, é claro.

Nota 10 ao técnico Pekerman que montou um timaço e ainda fez ótimas substituições. A Argentina mostra que também tem um banco invejável, coisa que só o Brasil também pode tirar onda. E mais: tem as proverbiais promessas, que já mostram resultado. Tevez tem pelo menos mais duas Copas pela frente e Messi umas três.

Fica nossa torcida de que os Argentinos, já classificados, subam nas tamancas e comecem a dar bobeira na fase eliminatória. Ou então nos vemos na final. (mas no momento continuo achando que essa vaga da final é da Alemanha)

Holanda 2 x 1 Costa do Marfim: Parecia que a Holanda ia passar fácil pelos elefantes africanos, mas “os outros laranjas” deram um sufoco e quase comprometeram a festa. Mas eles ainda têm muito o que amadurecer e aprender. Destaque para o comentário em cima do lance da garota Anna Maron. “Esses caras da Holanda nem parecem jogadores de futebol, parecem investidores da bolsa de valores!”

Holanda e Argentina classificadas prometem um jogão na rodada final.

México 0 x 0 Angola: como era de se esperar, Angola jogou retrancadaça. O México ficou esperando ver se o gol aparecia e só deixou para dar um gás no final. Deve ter pensado no alto número de gols ao fim dos jogos nesta Copa, mas não rolou. Joguinho chato com destaque para o goleiro João Ricardo, que fez umas defesas do arco da velha. Angola ainda tem chances no grupo mais baba da Copa.

17 Jun 2006, 1 comentário.
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Plim ploft

É… acho que o Globoesporte.com não está devidamente preparado para transmitir os jogos via Internet. Na primeira semana de jogos morreu o tamanho de tela super-mega-big, que era muito bom de se ver. Hoje o jogo da Argentina sumiu da homepage (cheguei a achar que o problema era aqui). Agora no tamanho médio a transmissão fica engasgando (mesmo no meu Velox 1mb) com o áudio funcionando, num sinal de que “não estou dando conta”. De vez em quando, também, a imagem parece “fora do ar”.


(captura em tamanho real, quando o Super funcionava, clique para a imagem completa)


Um fenômeno de discórdia

Essa história do Ronaldinho não-Gaúcho, se não for resolvida logo, vai acabar dividindo a seleção e comprometendo o título. Para ganhar uma Copa é preciso um time afinado, motivado e sem problemas na cabeça. São sete jogos onde nada pode dar errado, contra os melhores jogadores do mundo. O problema é que Ronaldo é o cara “gente boa” da seleção e nenhum jogador quer deixá-lo mal. Todo mundo chama o cara de Presidente. Mas enquanto isso alguns defendem Ronaldo no banco e a seleção fica nervosa com a pressão da imprensa, que não dá brecha.

16 Jun 2006, Nenhum comentário.
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Copa, dia 7

Equador 3 x 0 Costa Rica: Se não estou enganado este é o jogo entre os dois únicos times não vestidos pelas mega empresas Nike, Adidas, Umbro e Puma. Vou até arriscar que os uniformes são feitos por empresas locais por força de pressões internas. Mas é só chute meu. A Costa Rica confirma que só veio passear e o Equador confirma que é a terceira força do futebol sulamericano o que pode até depor contra o futebol sulamericano, já que o Equador não é essas coisas todas. Um time esforçado e só.

Com o resultado Polônia e Costa Rica são os dois primeiros desclassificados.

Inglaterra 2 x 0 Trinidad e Tobago: Trinidad veio para se defender. Inglaterra veio para cruzar bola na área. O jogo dava nervoso pela mesmice. O time inglês parece não acreditar muito em si mesmo, não se comportou como imensamente superior ao time caribenho. No fim, provavelmente no medo de deixar a vitória escapar, resolveu ousar mais e metou logo dois golaços, incluindo mais um de fora da área (e outro com puxão de cabelo). Trocadilho obrigatório: Beckham mostrou que é mais do que um rostinho bonito e que joga para o time. Pena que o Real Madrid é aquela bagunça.

Suécia 1 x 0 Paraguai: Notei que tenho um “problema” nas minhas torcidas nesta Copa. Não consigo seguir o que deveria ser a lógica. Por exemplo, pulei nos 3 gols da Austrália e torcia para a Suécia conseguir um gol contra os vizinhos Paraguaios. Mas eu devia estar torcendo pelo meu ídolo Zico ou, pelo menos, pelo empate que facilitaria a vida do Brasil. E “devia” sempre torcer por países sulamericanos em vez de europeus. Mas eu não consigo torcer por times chatos, times que não procuram o gol. A Austrália atacou sempre e a Suécia, mesmo mostrando não ter a menor habilidade na cara do gol não queria o empate (que só interessava mesmo ao Paraguai). Por isso comemorei feliz o gol da Suécia também no finzinho. Pelo visto nesta Copa mais do que nunca vale a história de que o jogo só acaba quando termina.

O Paraguai é mais um na lista dos desclassificados.

16 Jun 2006, 2 comentários.
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Copa, dia 6

Espanha 4 x 0 Ucrânia: Pouco vi deste jogo (estava blogando!) mas fiquei feliz em ver que o mega-mascarado Raúl foi barrado e que o time goleou sem ele. Esse cara é metade dos problemas do Real Madrid e foi bom tirarem o Rei de Espanha da barriga dele. Se essa é o time-renovação da Espanha imagina quando for o time principal. A Espanha dominou mas fez três de seus gols em jogadas de bola parada, pesadelo brasileiro: um escanteio, uma falta e um pênalti. Já a Ucrânia, pelo visto, é realmente Shevchenko mais 10.

Tunísia 2 x 2 Arábia Saudita: O cláaaasico das multidões. Não vi, fala sério. Não sou tão viciado em Copa assim.

E assim acaba a primeira rodada. Nenhuma grande surpresa. Quem tinha que ganhar, ganhou e podemos até dizer que, por enquanto, temos a “Copa dos gols de fora da área”. Mas primeira rodada, como já disse, é aquela história de nervosismo, de cautela e, sim, de cansaço. No momento nossa preocupação maior é com a República Tcheca e, sempre, com a Alemanha. Time da casa normalmente vai longe em Copas. O que esperar, então, quando o time da casa é aquele que já chegou a 7 finais de Copa?

Alemanha 1 x 0 Polônia: Alemanha mole em Polônia dura tanto bate até que faz gol no fim. Continuo achando a Alemanha um bom time. Tocam a bola com certa tranquilidade e acabam chegando ao gol. Dessa vez contando com o astro Matt Damon (mais uma chance de entenderem a piada) o time quase fica na retrancona polaca, mas no finzinho garantiu a classificação.

16 Jun 2006, 2 comentários.
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Copa, dia 5

Chegou o dia. Os outros jogos do dia foram só trailer antes da atração principal.

Obs: Como esperado o YouTube já está retirando videos dos jogos por “infração de copyright”. O mundo anda mais rápido do que as leis…

Coréia do Sul 2 x Togo 1: Coréia em festa, seu time ganhou e os japoneses perderam. Aliás os caras têm pontaria bem melhor que seus inimigos, dois balaços no ângulo. Já eu fiquei feliz em aprender que quem nasce em Togo é togolês. Copa também curtura.

Jogo de time caído é, pelo menos emocionante. Os coreanos estão tirando onda de que esse time é melhor do que o de 2002. Nota-se que ainda têm muito o que aprender de futebol. Afinal de contas não vão contar com a vantagem de jogar em casa nem com juízes anulando gols de adversários, como na outra Copa. Mas nesse grupo safado a Coréia provavelmente vai passar para a próxima fase.

França 0 x 0 Suíça: Não vi esse jogo chato dos diabos. Qual é… estava quase na hora do jogo do Brasiu-siu-siu! Será que a França vai conseguir passar por duas Copas sem marcar gols?

Brasil 1 x 0 Croácia: Segundo nosso ídalo Galvão o mundo inteiro acha que a Copa só ia começar depois deste jogo. Ou foi ele que achou e quer nos convencer disso, é claro. Felizmente vimos o jogo no SporTV onde o locutor se limita a narrar o jogo e não a dar opinião sobre a vida, o universo e tudo mais enquanto conta como conhece todos os famosos do mundo.

Pelo visto vou contra a maré dizer que gostei do jogo de estréia, ênfase no estréia. Antes da Copa começar todo mundo já cantava a bola de que o Brasil não ia ser campeão porque seus jogadores iam estar mais preocupados em dar espetáculo do que em vencer. Aí no primeiro jogo eles não dão espetáculo… e todo mundo reclama. Jornalistas todo do mundo (principalmente os daqui) caíram de pau porque nosso time parecia “um qualquer”. Nem primeiro do grupo somos porque a Austrália tem melhor saldo de gols. E o Kiko tenho a ver com isso?

O time ganhou, mostrou uma defesa sólida (nosso eterno pesadelo) e volantes nos quais podemos confiar. A Croácia levou perigo, ao todo, três vezes ao gol do Dida. Queriam que fosse diferente? Ao que parece todo mundo queria que o jogo fosse igual a um comercial da Nike. As machetes já estão chatas de tão repetitivas. “Brasil vence, mas não convence”. (repare que o link é de 2002)

É claro que eu também acho que o Ronaldo não só jogou mal, mas atrapalhou o time. O coitado do Adriano tinha que ficar correndo pelo ataque todo. Eu sou fanzaço do Felômeno e torço sinceramente para que ele quebre o recorde de maior número de gols em uma Copa. Mas assim não rola… Vamos deixar ele pegar o tal ritmo de jogo mas, enquanto isso, deixa o Robinho jogar. E, pelamordedeus, botem o Juninho Pernambucano no segundo tempo.


Tabelaço

Minha memória me traiu. Eu achei que a super-tabela-em-Flash da Copa 2002 era do site oficial da FIFA. Mas era da CBC. Este ano os caras estão com um estilo um pouco diferente mais ainda sim altamente poderoso.

Mas estou preferindo a tabela “instalável” (um .exe) do SporTV. Preencher tabela no papel é altamente século passado.

15 Jun 2006, 4 comentários.
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Copa, dia 4

Austrália 3 x 1 Japão: Estréiam nossos adversários mostrando, como se esperava, um futebol de “segundo escalão”. Mas a Austrália tem o técnico Guus Hiddink e o cara não costuma dar moleza. E foi exatamente isso que aconteceu no jogo contra a seleção do Galinho. Japão e Austrália inauguraram também o dia com pior arbitragem até agora na Copa, com o juiz egípcio confirmando um gol altamente safado do Japão, com uma falta descarada no goleiro Schwarzer.

A Austrália insistiu, insistiu e acabou empatando com uma saída bizonha do popstar Kawaguchi. Os japoneses, que já não eram grandes coisas no ataque ajudaram os australianos com duas jogadas altamente infantis de sua defesa. No segundo gol o zagueiro fica olhando Cahill chutar. Em vez de partir para cima da bola e cortar o chute o zagueiro parecia querer ficar na frente da bola. Já no terceiro gol o outro defensor corre junto com o atacante (e não para cima dele), chegando a virar sua oriental bundinha para o matador australiano. Os times costumavam jogar assim lá por volta de 1970… Venceu quem mereceu. É claro que o Brasil não precisa ter medo nem de Austrália nem de Japão. Mas não pode dar mole.

EUA 0 x 3 República Tcheca: O jogo que já vem com piada pronta… Americanos levam banho tcheco. Repitam comigo, crianças: eu tenho medo da República Tcheca. É o futebol europeu a ser temido. Os caras mostraram que merecem o segundo lugar no ranking da FIFA. Já os americanos não merecem o quinto, é claro. Conquistaram o posto jogando contra times do caribe. (tanto que o México é o quarto) Os tchecos já mostraram serviço no comecinho do jogo. Tocam bem a bola, sabem atacar, sabem se defender… medo, muito medo.

Itália 2 x 0 Gana: Pouco vi do jogo, mas não pareceu um jogo de grandes emoções. Gana continuou a tradição africana de chegar na cara do gol e não saber o que fazer e a Itália jogou como a Itália. Ainda teve uma dúzia de bolas na trave e dois pênaltis assintosamente não dados pelo juiz brasileiro. Um deles cometido não com uma, mas com duas mãos empurrando o atacante na área. Eu não sei o que acintosamente significa, mas como o José Roberto Wrong adora usar essa palavra acho que cai bem aqui. Vou dar um crédito de primeira rodada para os dois times. Sinistro mesmo eram os olhos desse moleque.

14 Jun 2006, 1 comentário.
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Copa, dia 3

Agora com links para os melhores momentos das partidas. Rápido antes que a FIFA mande o YouTube tirar do ar. (depois edito os dias anteriores para botar os links)

Sérvia ainda com Montenegro 0 x 1 Holanda: O jogo do país-que-não-existe-mais contra o time que ainda acha ser o carrosel de 1974. O jogo estava tão mais-ou-menos que no meio do primeiro tempo preferi ir jogar futebol eu mesmo. Aliás no meu time de galáticos o holandês Heitinga é reserva do Cicinho. E eu pensando… “De onde eu conheço esse Heitinga?!?” Na Holanda só mostrou algum valor mesmo o chuteiras-laranja Robben. Na Sérvia e Montenegro não salva ninguém, o que era meio de se esperar de um time que chegou na Copa com o título de maior retranca das eliminatórias (só levou 1 gol).

México 3 x 1 Irã: não vi então não vou me meter a falar nada. México é sim um dos favoritos do grupo, mas não deve chegar muito longe. Teve até gol de brasileiro e a Dani Lima contou um lance bizonho no estilo “vamos rir da desgraça alheia”, que é sempre muito bom, mas que eu não vi.

Angola 0 x 1 Portugual: Com este jogo Portugal leva fácil o título de time mais mascarado da primeira rodada, destaque especial para o marrentíssimo Simão, seguido de perto por Eu Ronaldo. Portugal começou arrasador mas depois do primeiro gol ficou olhando onde as câmeras estavam e esqueceu da bola. Felipão quase comeu o bigode de raiva, com razão. Nesse grupo meio baba devem passar para a segunda fase com só um pouquinho de seriedade.

14 Jun 2006, 1 comentário.
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Copa, dia 2

(tentando correr atrás do atraso…)

Inglaterra 1 x 0 Paraguai: Vamos fazer assim… toda vez que alguém da Globo (ou de qualquer veículo de imprensa) disser “O Gamarra não comete faltas” US$ 1 deve ser doado para o Convento de Santa Querupita do Saco Cheio. O cara passou a copa de 1998 sem fazer falta e até hoje é a única coisa que conseguem falar sobre ele. Daí, coitado, eu confesso que senti uma pontinha de alegria quando ele mandou aquele golaço-contra. Acho o Gamarra gente boa, mas ele virou objeto da chatice global.

Um dia torcidas e comentaristas também aprenderão que primeira rodada de Copa não é brincadeira de criança. Os jogadores também são seres humanos e ficam nervosos antes da estréia. Por isso primeira rodada não devia contar para nenhuma avaliação, mas insistimos em contar. (escrevo isso tudo, dá para notar, depois do jogo Brasil x Croácia, sobre o qual só falarei daqui alguns textos).

Acho a Inglaterra uma das fortes favoritas. Inclusive na minha cof simulação da Copa o Brasil perde a final para eles por 2 x 1. Os ingleses tem um time capaz, unido e humilde e se não fizerem grandes besteiras chegam longe neste mundial. Recuaram muito cedo no jogo mas isso pode fazer parte de uma estratégia de “primeira rodada”. Já o Paraguai mostrou ser só um time “honesto”. Venceu o favorito.

Trinidad e Tobago 0 x 0 Suécia: não vi o jogo, estava almoçando com o lendário Alexandre Inagaki e o filósofo de boteco Fábio Costello. Só sei que a porrada comeu solta e tivemos nosso primeiro cartão vemelho da Copa. Também ouvi dizer que foi um jogo chato pra dedéu. Os suecos, claro, ficaram com cara de fiofó decepcionado mas chamar o resultado de primeira zebra do campeonato pode ser forçar a barra demais. A retranca já era mais do que esperada.

Argentina 2 x 1 Costa do Marfim: “gostei” da Argentina jogando (ou melhor… não gostei nem um pouco, preferia que eles jogassem mal) que provou ser mais uma força da Copa. Cuidado com os caras, que andavam meio mal arrumados mas, de novo, primeira rodada é primeira rodada. Não deram show então não vão subir em suas tamancas. O que, para nós, é pior.

Costa do Marfim inaugurou a série de jogos de seleção africana que sabe correr muito mas na cara do gol não faz é nada. Como as defesas em geral estão cada vez melhores (com meios-de-campo mais sólidos) só correr não adianta nada. Muito bobinho esse time, mas o uniforme é maneiríssimo. Venceu, também, o favorito.

14 Jun 2006, 1 comentário.
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Copa, dia 1

A Copa começou com uma cerimônia de abertura honesta. Tem gente que ainda acha que abertura de Copa tem que ser no nível da de Olimpíada. A organização deixou como atração principal não fogos de artifício, cantores bregas e outras sacanages, mas sim com ex-campeões do mundo sendo homenageados, as verdadeiras estrelas. A Copa de verdade começou uma hora depois…

Alemanha 4 x 2 Costa Rica: Dizem que o time favorito na estréia treme nas bases e, assim, o Brasil (atual campeão e, portanto, tradicional time a abrir a Copa) jogou para cima da Alemanha a responsabilidade de abrir a festa. Diz a lenda — para quem não sabe e só se liga em futebol a cada quatro anos — que o supostamente aleatório sorteio de grupos é marmelizado na base de bolinhas mais quentes ou mais frias. Se for o caso a Alemanha escolheu bem o primeiro adversário. A Costa Rica que já tinha perdido de 5 x 2 para o Brasil em 2002 não tinha a menor chance de estragar a festa. Os Alemães não jogaram tão bem assim mas mostraram um toque de bola honesto mesmo sem seu grande craque Matt Damon, machucado. Mostrou também que sabem chutar de fora da área como ninguém. Mas comédia mesmo foi ver o locutor do SporTV chamando o goleiro Costa-riquenho de Poras. O nome do cara é Porras, porra. :-)

Polônia 0 x 2 Equador: Se eu tivesse entrado em bolão teria marcado um empate nesse jogo. Mas não entrei justamente porque entendo zero de futebol internacional. O joguinho chato dos diabo serviu para mostrar que, fora as unanimidades como Alemanha e Inglaterra, são limitadíssimas e dependem demais de um ou dois jogadores. Venceu o melhor, o que não quis dizer grandes coisas nesse jogo.

12 Jun 2006, 6 comentários.
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Copa, dia 0

Começou a Copa do Mundo, que pra mim sempre tem aquele ar meio mágico meio surreal. Eu que já não me ligo no futebol nacional desde muito tempo ainda fico inexplicavelmente ligado na TV, jogo do Brasil ou não. Imagens de copas perdidas e ganhas recheiam minha memória numa coisa bem comercial de plano de saúde. Comemorar os gols do Ronaldinho isolado no Canadá; a imagem cheia de “brilho” (na minha memória) ao ver o Brasil abrindo a Copa de 98; meu irmão chorando “eu vi o Brasil ser campeão do mundo!” em 94; a molecada vendo a fraca Copa de 90 mais preocupada com quais menininhas foram no jogo do que com o jogo em si; meu ídolo Zico perdendo o pênalti em 86; os gols contra a URSS em 82 e até borrões de imagem da Copa de 78, quando eu só tinha 5 anos.

Mesmo com todo o já ganhou em torno da nossa querida seleção ainda acho que temos as maiores chances de levar o caneco. Até a bola rolar temos tanta chance de ganhar quanto qualquer outro time, é claro, mas sinto que o time está unido e união é um dos segredos do título. Não vejo essa união, por exemplo, na Alemanha, mas vejo na Inglaterra. O outro segredo para o título é o craque que desequilibra. Quantas Copas foram vencidas “sozinha” por um jogador? Romário… Maradona… Zidane… E o Brasil esse ano tem uns 10 craques-desequilibrantes.

O clima de já ganhou sempre me preocupou (favoritos nunca ganham Copa, já disse nosso poeta-calado, Pelé) mas confesso que fiquei contente em saber que o bicho da CBF é um dos menores a ser pago entre as 32 seleções. Também gostei de ver os jogadores pedindo distância da imprensa até o jogo de estréia, para conseguir treinar em paz. Afinal de contas “as perguntas estavam ficando repetitivas”, disseram os jogadores. Todo mundo já está com a vida ganha e não precisa de mais dinheiro, melhores contratos ou mais fama.

Todo mundo gosta de dizer que o Brasil tem jogadores com talento para formar 3 times campeões. Mas que como só 11 podem entrar em campo isso não adianta nada. Só que nosso amado técnico já deu pinta de que vai usar seu poderoso banco durante todo o torneio. E é aí onde fica um dos segredos para a vitória, na minha opinião: Juninho Pernambucano, o melhor reserva do mundo. O cara joga muito e ainda assim todo mundo reconhece que ele não tem lugar no time titular. Acho que Juninho entra nos segundos-tempos e vai desequilibrar. Também boto muita fé no Adriano, pelo que fez na Copa América e na Copa das Confederações. Todo mundo vai ficar em cima do Ronaldinho Gaúcho enquanto Cacá, Adriano e Juninho vão fazer a festa.

Um mês, três jogos por dia (na primeira fase), muita bola rolando e muita besteira sendo dita pelo Galvão. O país para, mas vamos aproveitar que é só de quatro em quatro anos.

Traz o caneco, Brasil-sil-sil!

10 Jun 2006, 4 comentários.
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Most bonito

Deu no NYTimes

Tentando explicar para um público nem um pouco acostumado com futebol (exceto pelos imigrates) como o Brasil é mais do que favorito e Ronaldinho, se vencer a copa, chega ao panteão de Pelé e Maradona a revista do jornal conta, com a ajuda de Juca Kfouri e Tostão, um pouco da magia do futebol brasileiro.

Every neutral fan following this month’s World Cup will want Brazil to win, and every soccer-lover with a national stake in the competition will have Brazil as his second team. Soccer is the world’s biggest religion, cutting across race, faith, geography, ideology and gender like no other global phenomenon. Brazil is the religion’s favorite church.

Why the love? Some of it comes from the fact that Brazil is a country without enemies. That a defeat at home to Uruguay in the World Cup final in 1950 still ranks, in all seriousness, as one of the greatest tragedies in Brazilian history bespeaks a nation without much of a war-making tradition. Brazilians prefer a rip-roaring carnival. More important, perhaps, is the appearance of racial harmony that Brazil’s national team projects. Some players are black, some are white, but usually they are a blend of the two, the shades and shapes representing the range of types that come from the Amazon basin, from West Africa and from the European countries that have contributed so much to the genetic cocktail: Portugal, Italy and Germany. The first superstar of Brazilian soccer was the green-eyed, curly-haired Arthur Friedenreich, who scored the winning goal in a celebrated 1-0 victory over Uruguay in 1919. Racial stereotypes — blacks are more graceful, say, or whites more tenacious — break down. Ask any Brazilian who, in terms of pure skill, was the greatest Brazilian player ever, and chances are he’ll be torn between the competing claims of the brown-skinned Garrincha and the blond Zico.

A revista Play ainda cobre a copa com artigos sobre os outros favoritos; a seleção dos EUA que, pasme, é a quinta colocada no ranking da FIFA (mais sobre isso daqui a pouco); as jogadas dos principais times e fatos e factóides da copa.

5 Jun 2006, 11 comentários.
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Ai Jisus, que confusão da breca

Vi no TopLinks que, em Portugal, a emissora detentora dos direitos de transmissão dos jogos da Copa proibiu a exibição dos mesmos em lugares públicos. Se fosse por aqui isso ia dar guerra civil. Aliás, deu.


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