Tricolores: decisão por pênaltis não é loteria, OK?
Ontem eu torci pelo título do Fluminense. Não tenho nenhum amigo equatoriano e tenho alguns amigos tricolores (todos ricos, chiques e famosos, claro, membros da mais alta aristocracia carioca). Mas agora que o time perdeu o título da Libertadores já começou o pessoal a dizer que “poxa, perder nos pênaltis é azar”. Peralá, não é não.
O Brian Barbutti resumiu bem o que aconteceu. O Flu botou pressão para fazer os gols de que precisava (principalmente depois de tomar um logo no início) e quando saiu o terceiro relaxaram. “Puxa… fiz a minha parte… Ufa…” Na prorrogação já estavam tocando a bola de lado, enrolando nas cobranças, prontinhos para ir para os penais. Provavelmente acreditavam que estavam predestinados a levar o título.
Então não venham com papo de pênaltis-loteria. A disputa pode até ter um quê de sorte, principalmente quando o goleiro escolhe o canto onde vai pular (os dois goleiros fizeram isso). Mas quando você bate um pênalti no meio do gol, rasteiro, o certo é você perder. Sem chororô. O time jogou muito bem nos 90 minutos e depois morreu na praia. Também não adianta ficar dizendo que o goleiro deles (que jogou contundido e teve participação direta nos 3 gols do Flu) é malandro. O RLY? Malandragem faz parte do jogo, ainda não aprenderam?
Pontanto meu parabéns e abraços ficam só ao amigos tricolores que viveram ontem o dia mais importante da sua vida futebolística. Mas agora saiam da frente porque é Mengão rumo ao hexa.
Quando a Internet apareceu os tais especialistas, preocupadíssimos, avisaram que o computador ia nos deixar cada vez mais isolados. A geração do “não sei o nome do meu vizinho” seria consolidada e viveríamos grudados na frente da tela. Como se o fato de uma pessoa morar ao meu lado fosse mais importante do que, por exemplo, seu gosto musical ou preferência política.
Parabéns ao time que, na base da raça e união, bateu o time considerado imbatível, o Barcelona de Ronaldinho e Deco. Ao time que provou, mais uma vez, que o que ganha campeonatos não é o craque mas sim o grupo unido em torno de um objetivo.
Vivemos em um mundo engraçado. Um mundo onde se acredita no destino, na estrela, em ser predestinado, iluminado, escolhido. Brasileiro, então, é especialista nisso. Acha que um ou outro quando nasceu, Deus olhou e disse “esse é o cara”. No mundo todo o mito é seguido, mas aqui parecemos ter uma adoração especial. Uns diriam que é porque acreditar em destino e estrela é uma ótima desculpa para quando uma coisa dá errado. “Eu não tenho sorte mesmo, o destino não quis.”
Semana agitadíssima. O único jogo das oitavas de final que realmente vi foi Brasil e Gana. Passaram de fase todos os primeiros colocados de seus grupos, exceto Ucrânia e França. A Suiça mostrou porque a Copa do mundo e seu sistema de mata-mata é bela. Não basta ser retranqueiro e não tomar gols, é preciso fazê-los. Saiu da Copa com a honra de ser o primeiro time da história a ser eliminado nas oitavas sem ter tomado nenhum gol e toda a competição. Já a Espanha, como bem disse o filósofo 
