O jornal americano Newsday decidiu, em outubro do ano passado, cobrar pelo acesso ao seu conteúdo na internet. Agora, três meses depois, o resultado da ação: apenas 35 pessoas fizeram a assinatura. O site cobra US$ 5 pelo acesso por uma semana ou US$ 260 por um ano.
It’s not about getting people to come to my web site anymore. It’s about getting my content; my videos,my articles, my event promotion announcements, on YOUR web site. That’s what I’m paying attention to now.
E o jogo é relativamente novo, pois foi lançado no início de março deste ano. Descontando a comissão de 30% que a Apple leva em todos os aplicativos pagos, o faturamento da Firemint só com o jogo foi de mais de um milhão de dólares em 6 meses. Realmente um fenômeno.
Eu contribuí com meu dolarzinho para esse lucro milionário. Só desejo que sua vida nunca dependa das minhas habilidades como controlador de vôo… Nunca consegui fazer muitos pontos nem nas fases mais simples.
Não monte uma empresa. O mundo está cheio de mega-corporações dispostas a te pagar bom um salário, uma volta ao mundo e, de repente, até uma secretária.
Não monte sozinho. Tenha bons sócios. Ou não apenas bons: sócios que te complementem: você precisa de gente que seja excepcional no que você não é. (São raríssimos os casos de empreendedores solitários; às vezes você não vê, mas procure que você vai achar o sócio que toca a empresa enquanto o outro aparece no jornal.) Acho que uma afinidade profunda entre os sócios é fundamental para a empresa funcionar bem.
No distante 2007 fiz uma daquelas promessas furadas do blog: escrever uma série de textos sobre como ser um cliente melhor, não tratando seu fornecedor como idiota. O prêmio, se todos seguissem minhas dicas, seria um mundo melhor onde as crianças podem brincar tranquilamente em seus parquinhos sem medo da ameaça alienígena. Ou algo próximo disso.
Só escrevi 2 textos e ficou por isso mesmo, como tantas outras coisas aqui. Mas ficou a idéia básica: você paga pelo tempo de trabalho do seu cliente, incluindo o tempo em que ele perde convencendo você a fazer o trabalho daquela maneira, naquelas condições. Alguns clientes encaram a contratação de um serviço como uma coisa física (como no exemplo de um dos textos, “comprei uma parede pintada de branco”) mas você está comprando o tempo do profissional.
Para minha sorte um pessoal fez um vídeo que resume boa parte do problema. Eles inverteram a lógica: e se você realmente negociasse os serviços como se fosse uma coisa física? Um CD, um jantar? Os argumentos que os clientes que alguns clientes apresentam na hora de negociar o preço do serviço ultrapassam a barreira do ridículo e aparecem literalmente no vídeo, sob outro contexto para mostrar esse ridículo. Não você, claro. Outros fornecedores.
Taí o Brainsessions. Pessoas que admiramos dando uma visão pessoal sobre inspiração e criatividade. O trabalho foi duro e a lista de agradecimentos é longa. Merigo, Bruna, Gafanhoto/Pix, Mellancia Studios e principalmente a equipe do enxame que encarou esse novo desafio maluco com sede de sangue, foi lá e fez acontecer. É o primeirinho e agora é daqui pra riba.
O Merigo blogou ontem um pouco sobre como nasceu o projeto. No enxame a gente mede o sucesso de um pod por visualizações, comentários, retweets… No Brainsessions a medida é outra: cabeças explodidas.
O Fabio Seixas anda blogando e twittando, e o pessoal anda comentando, sobre o Epicentro, um evento auto-intitulado “o TED Brasileiro”. Como desde o ano passado venho conversando por aí sobre o modelo de eventos vou despejar umas idéias aqui nesse domingão de sol. Mas antes… um aviso.
Dia 16 próximo o Braincast (do qual sou co-apresentador) e o enxame (do qual sou sócio) vão organizar com a Gafanhoto/Pix um evento que pode ser considerado concorrente do Epicentro, chamado Brainsessions, que vai ter lá seu formato e abordagem diferentes mas, como veremos a seguir, persegue o mesmo objetivo de ser um bom evento-palestras. O objetivo deste texto não é dizer que o Epicentro é feio e bobo e meu pai é mais forte do que o seu, mas já conhecendo a karma-police-do-pensamento coloco esse aviso aqui antes que dedinhos sejam apontados. O Brainsessions tem, claro, um pouco da minha visão sobre eventos, que é o que vou comentar aqui, mas é só um pequeno primeiro passo.
Sobre o modelo de palestras atual
No início da minha palestra do Muvuca na Cumbuca ano passado contei que eventos de trading, congressos, etc. já foram a melhor maneira de as pessoas em um mercado ficarem por dentro das tais últimas novidades. Quando moleque eu contava os dias para a Sucessu, depois, a Fenasoft, quando eu veria de perto as maravilhas do mundo da tecnologia, os últimos lançamentos. O único contato com tecnologia fora dali era via uma única revista e meus amigos da rua. O mesmo pode ser dito para qualquer outra categoria profissional. De lá pra cá as coisas mudaram.
Ano passado fui no digital age 2.0, um evento lindamente organizado com gente muito mais importante do que eu na platéia. A palestra de abertura era de ninguém menos do que o Dr. Lawrence Lessig, O Cara quando o assunto é direitos autorais e liberdade digital. Logo depois veio uma tele-palestra de Seth Godin, guru do empreendedorismo web 2.0. E por aí foi. A minha sensação e a da maioria da platéia foi “não falaram nada que eu já não soubesse”. O que aconteceu? (Continua…)