Este blog vai fazer 10 anos em novembro e uma das motivações para criá-lo foi para falar de política. Nem sempre uma política acalorada, mas um comentário pontual sobre essa ou aquela ação do governo ou da oposição. Chegou o dia do primeiro turno em 2010 e vi que mal toquei no assunto aqui no blog. Primeiro porque deixei a maioria do papo para o Twitter mas principalmente porque, meio sem me tocar disso, não quis deixar uma marca no meu blog em uma eleição tão… polarizada quanto essa. Pela primeira vez estive “do outro lado” da maioria. E quando me manifestava sobre isso no Twitter levava bordoada.
Então estou aqui pensando em um texto para o dia das eleições mas é tanta coisa para dizer — e ser mal interpretada — que o melhor deve ser deixar pra lá. Fiquei muito triste em ver o rumo que a política tomou nos últimos 8 anos, com discussões parecidas com as de futebol. E botar tudo num só texto agora vai ser bem difícil.
O Brasil melhorou nos últimos 8 anos. O Brasil melhorou nos últimos 16 anos. Mas teve gente que não gostou de ver o poder mudar de mãos em 2002 e até hoje continua batendo. Gente que vai ver a Dilma ser eleita e gritar, abraçada à sua coleção de Veja “O Brasil piorou! O Brasil piorou! Eu tenho mais de 400 Vejas aqui que não me deixam mentir!!!”
Nessa eleição, no Twitter, já está todo mundo achando que eu sou cabo eleitoral da Dilma, parceirão do Lula. Mas se você prestar atenção vai ver que o que eu tenho feito é batido na chamada imprensa-golpista (não gosto do termo, mas tem vezes que parece que os caras querem mesmo um golpe) e nas pessoas que votam baseado no ódio e não na razão.
O Brasil melhorou nos últimos 8 anos. O Brasil melhorou nos últimos 16 anos. Mas é chato ver um monte de gente inteligente dizer que a única coisa que o PT fez, em oito longos anos, foi continuar com a política econômica do governo anterior. Ou é gente mal intencionada ou é mal informada. Veio uma mega crise financeira mundial ano passado e no Brasil só sofremos, sim, uma marola — só pra ficar em um exemplo. Quando era FHC no poder o que eu mais lia nos jornais era “o governo tomou esta atitude para controlar os ânimos dos investidores estrangeiros”. Éramos reféns de um pessoal que só estava aqui para fazer dinheiro rápido. Dubai está aí para não me deixar mentir e mostrar como isso é uma furada.
Também é estranho ver a continuidade de uma política econômica como uma coisa ruim. É o pensamento do político que derruba a obra do antecessor para poder ele, inaugurar a placa. Se a campanha de Serra fica dizendo que Lula continuou com a política FHC e as coisas vão bem por que é mesmo que eu preciso recolocar o PSDB no poder?
Não sou pró-Dilma. Já fui pró-Lula quando o candidato era ele. Quando rolou o primeiro escândalo do governo Lula (sei lá qual foi) a oposição comemorou. “O PT sempre bradou ter o monopólio da ética e agora está aí, se metendo em sujeira”. De repente tínhamos um vilão, que veio sujar a história de nosso país coberta de honestidades. Viraram a mesa e o PT passou a ser o único partido desonesto do Brasil. A campanha passou a ser em cima de bater no caráter do opositor. Os políticos acham que o povo é bobo, facilmente manipulável, mas está claro que as pessoas lembram que escândalo todo governo tem — apesar de todos os esforços da Veja em fazer parecer diferente, inclusive escondendo escândalos onde membros do PSDB se metem. Tanto é que a revista semanal mais vendida no país está batendo no PT tem 8 anos e periga Dilma ser eleita no primeiro turno.
Qualquer um dos 3 principais candidatos tem toda chance de ter ótimos mandatos. O triste é ver que a coisa foi claramente para o lado pessoal entre os conectadinhos dos blogs e do Twitter. Ninguém fala de proposta, de aliança, de ideias. É só xingamento e preconceito pra todo lado. É “aquele analfabeto”, “a pau-mandado do Lula”, “o amigo do Ahmadinejad”. Já ouvi até “aquela abortista”, quando eu estava aqui achando que ser a favor do aborto legalizado era um motivo para eu votar em alguém. Todo mundo alerta para a perpetuação do PT no Planalto quando a perpetuação do PSDB no Palácio dos Bandeirantes por muito mais tempo não parece ser um problema.
Hoje não vou votar — não transferi meu título para São Paulo e não viajei para o Rio para votar como fiz outras vezes. Estamos com três candidatos bem capazes de continuar com o Brasil nessa reta iniciada lá quando FHC ainda era ministro. Com uma política econômica sólida mas sem ficar refém de investidores estrangeiros. Com a economia forte e uma preocupação com quem não ganha tanto quanto a gente.
Pena que a discussão está parecendo mais boteco em dia de jogo de futebol.