Procure, encontre ou
feche.
No Twitter tudo é rápido. Um pseudo-protesto do senador, que avisava que iria deixar a liderança do PT no senado em caráter “irrevogável” (risos, muitos risos!), transformou-se pouco tempo depois em um atestado de óbito. Discursando para um plenário vazio (bem, isso não é novidade no senado), o senador vacilão atestava em viva voz que aquilo que se lera em seu Twitter era uma mentira virtual de um covarde real. Pobre política nacional, pobre Twitter. Pobre eleitor brasileiro.
O mercado está todo ouriçado com os políticos querendo ser “o próximo Obama” e os marketeiros querendo ser “o próximo cara do Facebook… aquele que fez a campanha do Obama”. (Chris Hughes, mas ninguém lembra nem o nome do cara)
Mas como sempre param na parte que acha que a solução está nas ferramentas e não no uso delas.
Mestre Alexandre, do alto de sua sabedoria, manda nos comentários:
Eu não tomo café com o Lula nem com o Alckmin. Para mim, o que importa é o projeto que esses caras têm pro Brasil. Essas ofensas pessoais são apenas sinal de que não há nenhum motivo racional para odiar o cara. Tudo se resume a não gostar da cara dele e ficar procurando motivos e argumentos que não se sustentam.
Uma coisa que achei bem curiosa da campanha do Alckmin foi que em nenhum momento ele disse “Eu vou fazer a economia do Brasil crescer fortalecendo os empresários. São eles que geram empregos e eu acho isso melhor do que ficar dando cheque-marmita para pobre. Se temos empresas fortes no Brasil temos mais empregos e ninguém precisa de programa assistencial.”
Veja que essa é a visão econômica considerada “de direita” e que é, em tese, a opinião que eu como empresário apoio. É uma abordagem válida para o problema e é como o PSDB encara a economia. Mas em nenhum momento o candidato-careca-de-fiapo teve a coragem de dizer isso abertamente. Pelo contrário, ficava dizendo no programa político. “Vamos aumentar o Bolsa Família”. Sabia que não ia ficar bem na fita se dissesse isso, então achou melhor fazer pose de esquerdinha, traindo até mesmo quem votou nele por acreditar que é assim que se faz um país crescer.
O mesmo para o caso das privatizações. Não acredito que ele fosse privatizar Petrobrás e Banco do Brasil (e não sobrou lá tanta coisa mais para privatizar depois da passagem do FHC), mas fazer cara de ofendido com a insinuação de que ele é de um partido “privatista” foi chamar a gente de idiota.
Mais a cerejinha no bolo de ter vergonha de mostrar o FHC na campanha… dá pra explicar porque quase dois milhões e meio de pessoas mudaram de idéia no que votaram no primeiro turno.
Em fato raro, Alckmin recebe menos votos do que no 1º turno
Isso é que é marketing político, o resto é brincadeira! Vamos colocar de outra maneira: teve (muita) gente que votou nele no primeiro turno mas, pensando bem, achou melhor votar no Lula, o tal despreparado, corja e ladrão, no segundo.
“Nossas pesquisas mostram que 14% dos eleitores que votaram em Alckmin no primeiro turno migraram para Lula”
Deve ter sido porque a campanha do querido penteia-o-cabelo-sobre-a-careca esqueceu de dizer como ia fazer para melhorar o Brasil e só ficou perguntando de onde veio o tal dinheiro do dossiê *cof* *cof* fajuto.
Uma coisa é certa: continuaremos a ouvir expressões grosseiras como “despreparado”, “analfabeto” e “corja do PT” por mais uns 4 anos. Acompanhadas, claro, de capas da Veja mostrando como o Brasil é um péssimo país para se viver.
Muita gente vai dormir incomodada hoje.
Depois quero escrever melhor sobre o debate de ontem. Mas agora fiquei na dúvida se realmente houve debate ontem ou se delirei. Afinal de contas segundo o Jornal Nacional a campanha presidencial teve um fim-de-semana calmíssimo.
E o Orkut volta a ser infestado por spammers. Sempre tem alguém que acha que pode tirar proveito de uma coisa legal sob a bandeira do “só estou tentando fazer o meu trabalho”. Mas triste mesmo são os “manuais” do tipo “como fazer propaganda de graça usando o Orkut”. Muito usado por alguns candidatos nesta eleição.
Aliás parece que quase todos os candidatos bizarros foram ridicularizados nas urnas.
O exótico mais bem votado foi Roberto Salum, candidato a deputado federal por Santa Catarina. Teve 71.864 votos, mas não se elegeu. Seu discurso era agressivo: “Pegou cadeia, vai dormir no chão. Direitos Humanos? Não gostaram, levem para casa.” Não deu certo.
Eu digo quase todos porque os eleitores de São Paulo mais uma vez praticaram o “voto da putaria”. Na última eleição levaram o Enéas Doido mais cinco figuras ao Congresso. Agora elegem Clodovil e Maluf e ainda vêm tirar onda de que carregam o país nas costas. Ontem no Jornal Nacional:
— Deputado-eleito Clodovil, o que o senhor vai fazer logo que começar seu mandato?
— Não sei.
Não é de se espantar de um cara que tinha como “plataforma” de campanha “quando eu chegar lá vocês vão ver só”. (a piada-pronta com plataforma já foi usada pelo próprio candidato, eu não preciso usar aqui)
Peraí, ninguém votou nesse cara? Nem ele?
Atualização: todos os votos do candidato foram considerados como nulos.
No ar mais um Braincast, desta vez falando sobre eleições, marketing político, horário eleitoral e, claro, o uso da Internet pelos candidatos e políticos.
A chapa é composta por Carlos Merigo, Fábio Seixas, Mauro Amaral e o polêmico-bobão aqui.
O que significa: o triplo de carros de som até quase meia-noite e uma carreata a cada 15 minutos.
Sofre eleitor!
Morar em uma das ruas mais movimentadas do bairro nos dá direito a ouvir todos os carros de som desta campanha várias vezes ao dia. O pior é que essas porcarias devem dar votos, porque o que tem de candidato por aí usando dessa arma. (trocadilho proposital)
Nosso jingle “favorito” virou um quebra-cabeça. A cada nova passada descobrimos um novo trecho da letra, que é cantada em porteirês.
Primeiro achamos que era: Meu num é trintetê-sessenteum… Meu num é trintetê-sessenteum… Deputado estadual. No federal, eu vou votar. Meu numé trintetê-sessenteum… Meu num é trintetê-sessenteum…
É federal ou estadual? Deve ser federal, que tem 4 números…
Depois a Anna entendeu melhor: Meu num é trintetê trézents e um… Meu num é trintetê trézents e um… Deputado estadual. No federal, eu vou votar. Meu numé trintetê trézents e um… Meu num é trintetê trézents e um…
Resolvido o mistério! É estadual! Mas e esse federal, quem é? Quem nosso candidato-cantor apóia para deputado federal e diz que vai votar? E qual o nome do misterioso candidato? Afinal de contas ninguém é só um número não é mesmo?
Precisou o carro passar de novo dessa vez com uma cantora ao vivo (ainda em porteirês) para esclarecer: Meu num é trintetê trézents e um… Meu num é trintetê trézents e um… Deputado estadual. Zé Geraldo, eu vou votar. Meu numé trintetê trézents e um… Meu num é trintetê trézents e um…
Achou que acabou? Claro que não. Para escrever esse post fui no Google ver se o tal Zé Geraldo tinha site. Não tem e o nome dele é José Everaldo.
Ontem enquanto dirigia para a Ilha levando a Anna para votar (já que eu não voto) não pude deixar de ficar incomodado com a quantidade de boca-de-urna. Faixas, panfletos, camisetas, bandeiras… Muitas bandeiras.
Só conseguia pensar no slogan de campanha “se ele já infringe a lei no dia da eleição imagine o que ele não vai fazer quando eleito!”. Hoje, inclusive, descobri que um dos candidatos mais votados para vereador era o que mais tinha boca-de-urna de Botafogo à Ilha.
Chego na casa dos meus pais e ao conferir a votação dos candidatos a prefeito me espanto: César Maia, Crivella e Jandira votaram com camisetas ou bonés de campanha. (com os dois primeiros eram membros da família vestindo a propaganda, mas a candidata do PCdoB vestia ela mesmo a camiseta) Pelo visto errei eu quando achei que esse tipo de prática era ilegal. Ou será que só quem já foi rainha do rebolado vai em cana?
CRIVELLA NÃO (Ninguém Merece O Bispo)
Não podemos permitir que este homem, que usa o nome de Deus apenas para seus objetivos pessoais, continue a tentar o poder! Houve o Rosinha Não, agora precisamos alertar os cariocas (afinal 20% é muita coisa) e começar o Crivella Não!”
Se você anda de memória fraca pode aproveitar para ver o vídeo Como arrancar dinheiro dos pobres dizendo que é enviado de Deus, estrelando Edir Macedo.
Esse Seu Bispo conseguiu praticamente sozinho queimar o filme de toda uma linha da árvore das religiões. Não é pra qualquer um não. Antes dele igrejas evangélicas tinham até uma boa imagem. Hoje em dia sobrou até para igrejas protestantes que, por definição, não têm ligação nenhuma com a IURD.
Fim da corrida presidencial, você ainda lembra em quem votou para deputado e senador?
Anote e, depois da posse, consulte sempre os sites da Câmara e do Senado para ver os que os seus candidatos andam aprontando.
(além de ver como anda a Assembléia Legislativa do seu estado)
Lula presidente. Dá até arrepio.
Amanhã, quando eu tiver digerido isso tudo escrevo mais. No momento estou acompanhando a emocionante apuração no DF.