Quando a Clara nasceu ela ganhou vários presentes “para mais tarde”, como roupinhas maiores e bonecas, muitas bonecas. Guardamos tudo na casa da minha mãe e este ano aproveitamos o Natal para dar as bonecas numa tacada só. Este, aliás, parece ter sido o Natal dos brinquedos robóticos, com lançamentos de bichos de estimação robóticos altamente avançados nos EUA e várias bonecas falantes e “inteligentes” sendo anunciadas nos canais de TV daqui.
Fiquei impressionado (para a pior) com essas bonecas. A graça delas é ver todas as palavras que consegue dizer e as expressões robóticas que faz. Eu fico me sentindo um velho ultrapassado e ludista em achar esses brinquedos até mesmo assustadores quando uma boneca pergunta “mamãe, é para eu chorar ou fazer cara de suspresa?” como se isso fosse uma escolha comum no dia-a-dia de uma criança. Os bonecos são vendidos como “humanos”, mas será que são mesmo?
Dentre os pacotes saídas da cápsula do tempo estava uma boneca de pano, presente do Marcos e da Marcela, que faz as bonecas artesanalmente. Eis que a Clara ficou completamente vidrada na boneca, andando com ela para cima e para baixo, de preferência puxando pelo cabelo.
Uma criança, especialmente uma de 1 ano e meio, tem imaginação mais do que suficiente para dar vida a uma boneca, ela não precisa de microchips e servo-motores para complementar (ou estragar) a magia. A questão não é a de que a boneca, por ser de pano, passa alguma coisa transcedental para a criança. Para a Clara o que importa é que a boneca é bonita, colorida, leve, fofinha, cheirosa… e divertida!
Obrigado mais uma vez ao Marcos e à Marcela, espero que fiquem felizes em saber que a Clara tem uma nova boneca preferida e totalmente humana.
Terça-feira o Brasil inteiro parou para ver o último capítulo da toscomunal novela Luz do Sol. Afinal de contas lá estava a Clarinha!
Videocassetes quatro-cabeças em todo mundo registraram o momento e foi o vovô Luiz Carlos quem fez essa ótima montagem com a parte que interessa do capítulo. Como o vídeo do YouTube é de baixa resolução (e alta compressão) não dá pra ver a banana no queixo da Clara na primeira cena. Fica de prêmio para quem aturou o capítulo completo ao vivo.
A história por trás da banana é que momentos antes de rolar o “ação” a Clara, que já estava cansada e estressada depois de passar a tarde toda esperando sua vez (já eram quase 21h), começou a chorar no meio do cenário. O responsável pelo catering, santo homem, perguntou: “Não quer dar alguma coisa pra ela comer? Costuma funcionar com a minha filha.” A Anna sacou-lhe uma banana e deu para a micro-atriz, que aquietou na hora. (que também é o motivo de ela ter olhado para o cachorro-quente no fim da cena e não ter dito o seu famoso “qué?”, assim, em forma de pergunta mesmo)
Uma das nossas maiores paranóias é saber se nossa filha é realmente fofinha, gracinha, cuti cuti, coisinha linda do papai como achamos. Sabe como é, há uns 20 ditados populares sobre amar o feio.
Mas parece que a bichinha é fofinha mesmo porque não só foi chamada para ser figurante numa novela da segunda divisão (Luz do Sol, da Record) como fez o maior sucesso no set. OK… eu sei… não é grandes coisas, mas esse texto aqui é mesmo para avisar que as duas cenas que ela gravou (depois de muito cansaço) vão ao ar no último capítulo da novela (onde por alguma regra universal o maior número possível de personagens deve casar e/ou ter filhos), que rola nesta segunda, dia 19, por volta das 21h.
A coisa foi cansativa ao ponto de brincarmos que a carreira da Clara começou e acabou ali (pelo menos enquanto ela não tem idade para decidir por conta própria) mas fica aqui o convite para todo mundo fazer o sacrifício de ver essa tosquice da dramaturgia brasileira (que tem até bons atores no elenco, mas…) por conta de ver alguns segundos da Clara no ar. Meu plano malígno era fazer essa convocação e abalar o ibope da novela, mas como vai ser o último capítulo eles não vão ligar qualquer alteração a este pequeno flashmob-papai-babão. Se alguém puder ainda por cima gravar o capítulo eu agradeço, já que os videocassetes por aqui devem ter famílias inteiras de insetos vivendo em seu interior.
Se você não tiver mesmo mais nada para fazer pode ainda passar no photoset das gravações e ver até o videozinho com a parte estúdio da primeira cena, gravada semana passada, que eu coloquei no YouTube para a família corujar.
Esta geração de bebês é mais do que obviamente a mais documentada da história. E se tem uma coisa que eu e Anna ficamos vidrados e maravilhados é com as “primeiras vezes” da Clara. Primeira papinha (ela fez uma careta horrível), primeiro banho, primeira saída de casa… É uma incrível fonte de filosofadas profundas ver como é o contato dessa mini gente com coisas que julgamos totalmente normais.
Duas semanas atrás levamos a Clara pela primeira vez para uma pracinha aqui perto, movimentadamente freqüentada por crianças de várias idades. Foi lá onde ela brincou na areia, botando os grãozinhos nas mãos pela primeira vez na vida. Mostrando o registro desse momento num Photoset do Flickr espero que num momento mensagem-profunda-sobre-a-vida você leitor filosofe também sobre estes momentos incríveis que, com o tempo, vão se tornando lugar comum nas nossas vidas. Sobre o que significa isso de pela primeira vez na vida.