O final, pelo menos por enquanto, da história do acesso 3G para o notebook foi inesperado para a platéia: acabei ficando com a Tim, que já é minha operadora de voz. O motivo, resumidamente, foi o preço de uma oferta da Tim para quem já é cliente (todas as operadoras têm alguma versão disso, consulte a sua) e a convicção, pelos comentários aqui no blog e buscas pelos intertubos, de que na média todos as operadoras ainda são uma porcaria. Dependendo do lugar onde você mais vai usar uma ou outra vai ser melhor mas você sempre vai achar que o 3G da grama do vizinho é mais rápido.
A parte tragicômica da busca pelo plano de dados ideal foi o conceito de plano ilimitado das operadoras de celular: você contrata uma determinada velocidade máxima (jamais garantida) e pode baixar quanto quiser sem ficar se preocupando em monitorar o tráfego. Sem limites. Até, veja você, atingir o limite de 1GB de dados baixados no mês, momento em que sua velocidade cai drasticamente (que é ou é uma nova medida técnica ou sinal de que os vendedores das operadoras não fazem a menor idéia de quanto seja). Estrelinha dourada para a frase nas letras miúdas “a critério da operadora”. (os limites podem mudar de operadora para operadora, mas nos planos que me ofereceram, Vivo, Claro e Tim limitam a 1GB)
E não é apenas só isso, como diria o locutor das Organizações Tabajara. Você pode ter contratado (no caso da Tim) o mega-boga plano de 7Mbits e o limite continua o mesmo: 1 gigabyte por mês. Na minha pobre cabeça de tamanho avantajado eu acho que se eu contrato um plano com mais velocidade é porque pretendo baixar mais coisas mais rápido. Sei lá, é como se meu carro só pudesse andar a 100 km/h nos primeiros 200km da Dutra, dali em diante só a 40km/h. É a mania de os provedores de serviço no Brasil tratarem seus clientes como inimigos trapaceiros. “Se eu não botar um limite vocês me quebram!!!”
Importante dizer que essa imbecilidade prática não é exclusividade da Tim. O vendedor da Vivo, quando perguntei “então o que raios é ilimitado nesse plano?” chegou a dizer que era o tempo da conexão, eu podia ficar conectado quanto tempo quisesse online. “Desde que eu não navegue” fui obrigado a emendar. A Tim é, das grandes, a que chega a dizer nas peças publicitárias “você não precisa mais de provedor de Internet em casa, use o nosso”. Esse pessoal realmente entende de uso de Internet rápida? A Oi ainda está apanhando para montar sua rede 3G em São Paulo. Na Claro a coisa anda na mesma, como narrado pelo Neto no texto que me motivou a sentar o rabo e escrever esse aqui.
“Luciana, você acha que a Claro sabe o que ‘ilimitado’ quer dizer?”
No mundo da boa e velha conexão a cabo os limites também aparecem nas letras miúdas dos contratos, mas que eu saiba só o Virtua anda fazendo valer. Pelo menos (tentando ver a porcaria pelo lado meio-cheio do copo) eles oferecem um plano ilimitado-realmente-ilimitado por um preço extra. (não faço idéia de quanto seja) Se você tem um plano de 4Mbits pode trafegar (baixar ou subir) 40GB por mês. 6Mbits, 60GB e por aí vai nessa multiplicação por 10.
Estes limites colocam os usuários num constante estado de medo de usar o produto que contrataram. “Melhor não usar agora porque posso não conseguir baixar Lost semana que vem…” As empresas estão literalmente dizendo ao consumidor “por favor, contrate nosso serviço mas não use, ou vamos penalizá-lo” Em vez de fomentar o uso da Internet para desenvolver o mercado as operadoras querem que você fique na receita e-mail-Orkut e tudo bem. Já deu para sacar que empresas de vídeo online como o enxame, da qual sou sócio, ficam com as proverbiais pernas quebradas. Cada vídeo de alta qualidade do enxame tem mais de 100MB de tamanho. Assistir a programação normal do enxame via modem 3G e mais nada vai colocar você pra lá do limite mensal.
Enquanto isso nos EUA os consumidores estão revoltadíssimos porque a Comcast anunciou que vai começar a impor limites nos downloads. O teto? 250GB por mês.