Cadeia para o reversor

Falta pouco para “descobrirem” que a culpa do desastre da TAM foi, mais uma vez, do reversor.

Aí fica todo mundo aliviado, podem voltar a chamar de acidente e, como diria o filósofo Mairus, em fevereiro tem carnaval e semana que vem tem medalha de ouro no vôlei masculino.

Eu só quero saber, então, se o reversor dos outros três aviões que derraparam na pista também estavam com defeito…

20 Jul 2007, 12 comentários.
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O Ministério da Aeronáutica adverte: a imbecilidade mata

O pódio da imbecilidade mundial acaba de anunciar seus campeões em prova surpreendente em São Paulo. A corrida da burrice cobra 175 vidas em troca.

Ouro para o governo, com vitória de lavada, com duplo mortal carcado e trocadilho infame. Imbecil mor por vir ignorando o problema pintado há mais de dez meses. Nesse tempo todo ficou mais preocupado com sua imagem do que com a segurança de seus cidadãos. Ficou mais preocupado em chamar os controladores de vôo de baderneiros e (até) terroristas, eles que vinham gritando que o céu literalmente ia cair se a coisa continuasse como estava. Imbecil por focar no sintoma, o atraso dos vôos e não na causa, a super saturação da malha aérea brasileira. Fez obras para expansão dos dois aeroportos mais lotados do Brasil, por falta de coragem de desviar vôos e desagradar passageiros mal-humorados. Mandou consertar a pista de Congonhas e reabriu na marra, sob pressão, fazendo o contrário do governo anterior durante a crise energética: torceu para não chover. Governo que recorreu da decisão da Justiça em interditar o aeroporto de Congonhas alegando que os prejuízos econômicos eram grandes demais, como se vidas e economia fossem cartas de um mesmo baralho de sueca. Ouro para o presidente e seus ministros “relaxa e goza” que nos enrolaram nesse quase 1 ano com desculpas e medidas paliativas.

Prata para o legislativo, que na CPI da crise aérea ficou o tempo todo querendo saber se o transponder estava ligado ou não, doido para jogar a culpa nos americanos e anunciar que tudo vai muito bem com o sistema aéreo nacional.

Prata para as empresas aéreas que em nenhum momento cogitaram diminuir o número de vôos para desafogar os aeroportos. Negócios, negócios, povo à parte.

Bronze para a imprensa, que toda noite noticiava o número de atrasos nos aeroportos como quem anuncia o tamanho de um engarrafamento em véspera de feriado. Que considerava atraso de 30 minutos na decolagem como fato noticiável, como o fim do mundo. Que se preocupou sempre em mostrar passageiros indignados com seus atrasos como se chegar na hora fosse o verdadeiro objetivo da brincadeira.

Bronze também para nós, os passageiros, que reclamávamos dos atrasos e exigíamos pontualidade britânica num sistema sujeito a atrasos até na Grã-Bretanha, que nos coloca sentados em litros de combustível altamente inflamável sem necessariamente nos preocuparmos com as causas gerais dos problemas. Que exigimos vôos para aeroportos no meio da cidade, já que não podemos perder um minuto do dia. Que achamos que avião é metrô. “Tenho uma reunião 15h em São Paulo, então pego o vôo das 13h, chego lá às 14h… dá tempo e sobra.” Assim pressionamos o governo, por via da imprensa, para que o aeroporto de Congonhas seja reaberto o mais rápido possível porque afinal de contas Guarulhos fica muito longe e o táxi sai caro. E aplaudimos quando cai a ordem judicial de fechar o aeroporto por falta de segurança.

Agora pelo menos 175 vidas (fora aqueles que estavam no prédio atingido) se foram por causa da imbecilidade geral e irrestrita de um governo que resolveu se fazer de morto (com perdão novamente do trocadilho) para ver se o problema se resolvia sozinho, como faz uma criança de 5 anos. Os 3 poderes, da esfera federal à municipal – mas principalmente no federal que é, afinal de contas quem manda na dança – acharam que aviação é brincadeira e que se a gente torcer muito muito forte tudo vai dar certo.

Vai começar agora o jogo de apontar o dedo e jogar a culpa nos outros. Mas como tudo na vida essa resposta não é simples e com um único culpado. Os nomes estão acima. A pergunta é: o que mais precisa acontecer para que uma atitude de verdade seja tomada e consertem de vez esse nó, doa a quem doer?

17 Jul 2007, 40 comentários.
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Vaias ensaiadas?

Vídeo mostrando as vaias já no ensaio da abertura do Pan. Sei lá, não prova nada, só fede mesmo. Falam o nome do barbudo, o pessoal vaia, acha tudo engraçado, etc. Pode ser só falta de educação mesmo. [valeu Merigo!]

16 Jul 2007, 4 comentários.
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Pan de quem, cara pálida?

Dizem que parte das vaias veio porque o governo federal mandou Petrobrás e Caixa (patrocinadores oficiais) chamarem o evento de “O Pan do Brasil” em suas propagandas. Pode ser, mas quem anda martelando demais a “marca” é a Globo. Dizer que “o Pan é de todos nós” é como olhar pro neném do vizinho e dizer “como é linda nossa filha!”.

Não vem que não tem, o Pan é do Rio.


O Pan e as vaias do Lula

Enrolei um pouco para blogar sobre isso para deixar a idéia esfriar. Mas como sou chamado de Lulista é melhor botar a carapuça e escrever logo: maior que o barulho das vaias dadas ao presidente na abertura do Pan só mesmo o som de milhares de leitores da Veja gozando de prazer intenso com a cena. Até gente que não blogava há mais de ano resolveu aparecer.

Dizem que as vaias foram armação do César Maia. Pode até ser, porque quem já filosofou só um pouco sobre dinâmica de multidões sabe que você só precisa de meia dúzia de puxadores para puxar de vaias a ola a “eu sou brasileiro com muito orgulho com muito amor”. Mas acho que é meio intriga… Minha teoria é bem mais simples: qualquer presidente — de FHC a Marechal Deodoro — seria vaiado.

O que o pessoal ainda não entendeu é que num evento transmitido para meio mundo (subdesenvolvido) vaiar o presidente pega mal pacas. Mas o que importa é mostrar pra esse operariozinho o verdadeiro lugar dele, não é mesmo gentem? Aposto que esse pessoal resolve suas brigas familiares, como bem lembrou o amigo Zé, no meio do shopping.

16 Jul 2007, 19 comentários.
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Você sabe que São Paulo venceu a guerra quando…

Um típico carioca do subúrbio fala “deu zica”. Entreguem as portas da cidade, por favor.

19 Jun 2007, 7 comentários.
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Ai Jisus

Cá entre nós… o Cristo Redentor é um dos candidatos mais caídos do concurso para as Novas 7 Maravilhas do Mundo, hein?

Este texto foi escrito ouvindo o tema das Novas 7 Maravilhas do Mundo. Entendeu? Poizé, nem eu.

19 Jun 2007, 7 comentários.
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Impossível não comparar

Trinta e dois mortos, mais o assassino, nos EUA. Comoção internacional. Capa de todos os jornais do mundo. Presidente deixando flores no túmulo.


Vinte e um mortos no RJ
. Um dia como outro qualquer.

17 Apr 2007, 11 comentários.
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Extra! Extra! Carnaval do Rio é armado

Nossa, estou chocado! Por essa ninguém esperava. O que virá a seguir? Vão descobrir que o futebol do Rio tem cartas marcadas?

16 Apr 2007, 3 comentários.
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Prepare o strip-tease

Parece que não ficou só na restrição a líquidos a chegada das regras “internacionais” de segurança aérea no Brasil — vulgo guerra contra a umidade — acho que também mandaram aumentar a sensibilidade do detector de metais. Nunca tive problemas em aeroportos mas ontem tive que tirar sapatos e cinto para conseguir ser aprovado. Pelo menos serviu para aprender que os tênis têm uma banda de metal no meio para garantir a rigidez.


Feira de ciências dá US$ 100,000 a menina-gênio

Eu queria ter mais tempo para escrever sobre isso e queria que esse blog fosse menos “o site da velha chata que fica reclamando de tudo”. Mas deu no NYTimes de quarta-feira que a vencedora da feira de ciências organizada pela Intel americana levou o prêmio máximo por ter inventado um espectógrafo de massa — uma máquina que custa centenas de milhares de dólares — com apenas US$ 300.

E aí volta aquela sensação de derrota pelo Brasil… Digamos que tenhamos no país um adolescente com o pontencial de um dos 40 finalistas da feira americana. Que tipo de incentivo seria dado? Se fosse filho de rico iria estudar no exterior. Se fosse de classe média para baixo provavelmente nunca saberíamos do potencial. E na melhor da hipóteses essa cabeça iria crescer com os nossos valores de que universidade não serve para nada e que para ganhar dinheiro o governo deve dar algum para você, principalmente se você for do Rio de Janeiro, a capital nacional do concurso público.

Lembrei também da história de uma conhecida brasileira que mora na Califórnia. Passamos quase uma semana em sua casa em 2005 e lá pelas tantas veio a inevitável pergunta: “Você não pensa em voltar para o Brasil nunca mais?”

– Eu até penso. Mas eu sou física nuclear especializada num tipo de aparelho que simplesmente não existe no Brasil. Se eu voltasse ia, no máximo, dar aula em cursinho.


Bolão da política nacional

Olhando o elenco da legislatura atual com o Marcelo lanço o bolão. Deixe seu palpite: quanto tempo até um BBB ser eleito para o Congresso Nacional?

Quem acertar ganha os pêsames dos demais.

12 Mar 2007, 4 comentários.
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Pelo fim da água de R$ 10

O Rafael lembrou bem. Os bebedouros estão lentamente sumindo dos shoppings. Quem tiver sede que pague.


Pelo fim da pipoca de R$ 10

Justiça proíbe ‘venda casada’ do Cinemark

Os freqüentadores do grupo Cinemark Brasil não são obrigados a consumir unicamente os produtos da empresa vendidos nas salas de espera. A decisão é do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Assim, a pessoa poderá levar de casa ou comprar em outro fornecedor os alimentos que consumirá durante a exibição do filme. (…) Segundo argumento da empresa, o consumidor poderia assistir ao filme sem nada consumir, razão pela qual não haveria violações da relação de consumo.

Bonzinhos os caras, né? E depois a culpa da queda da audiência nos cinemas é da pirataria. Arram…


Barbárie e indignação no RJ

Eu meio que decidi que não falar nada sobre o crime do menino arrastado por 7km por bandidos no Rio, principalmente em nome da minha nova fase zen. Acho graça quando esses crimes trazem de volta o papo de acabar ou reduzir a maioridade legal. É como se todos os pivetes, ao completar 18 anos, fossem procurar um emprego. “Droga… acabou a moleza.” Ou como se todos os envolvidos no caso fosse di menor! (só um acusado é)

Mas aí sou chamado de “papo de sociólogo que acha que pobre é lindo”. Aparentemente esse é o tipo de assunto onde as pessoas já têm opinião formada, cristalizada e pronto. Qualquer papo vira bate-boca sem fim.

Então achei essa série de textos do Alex Castro que encaixa certinho no que eu acredito ser exatamente o problema. Lê lá e vai encher o saco dele e não o meu se discordar.


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