O camarada Bruno* — que já tinha dado a dica do evento Jules e Jim — manda mais um recado que a galera do teatro deve curtir:
Só para lembrar que quem quiser conhecê-la pessoalmente, a Madame Picon-Vallin está no Rio de Janeiro exepcionalmente nestes dias, ministrando um curso na Casa de Rui. Em breve ela segue para Belo Horizonte, depois para Floripa e de lá volta a Paris.
A autora é excelente referência para o estudo e matérias sobre Meyerhold. Como esse tipo de fonte é muito escasso no Brasil, sugiro aos jornalistas de plantão aproveitar a oportunidade. Abaixo segue um breve currículo da autora:
Béatrice Picon-Vallin é diretora de pesquisas no CNRS (Centro Nacional da Pesquisa Científica) e especialista em teatro do século XX, suas pesquisas abrangem o teatro russo, as questões relativas à encenação, ao trabalho do ator e às relações da cena com as imagens (cinema, vídeo, novas tecnologias).
Quem quiser mais informações, entrar em contato com Fatima Saadi tel/fax: (21) 2558-0353
Lançamento do livro de Béatrice Picon-Vallin: A arte do teatro: Entre tradição e vanguarda - Meyerhold e a cena contemporânea
Informações : folhetim@pequenogesto.com.br
* que é camarada não só no sentido amigão mas no sentido comunista mesmo.
O zelo com que o setor “cultural” francês guarda sua língua já é famoso em todo o mundo. A Commission générale de terminologie et de néologie tem por objetivo indicar substitutos franceses para expressões estrangeiras (especialmente, claro, o inglês) em textos produzidos no país.
Até anos atrás a vida da Comissão devia ser um pouco monótona, com o pessoal tendo que se distrair condendando a expressão week-end (com hífen mesmo, usada literalmente por todos) em prol de fin de semaine. Com o avanço da informática no mundo a coisa foi se animando e surgiram os famosos exemplos de logiciel e matériel informatique, para software e hardware. E-mail também não pode, tem que ser courriel.
As determinações da Comissão devem ser seguidas por todos os órgãos públicos e seus textos oficiais, assim como qualquer um que queira se considerar escrevendo da maneira “certa”. Entre estes estão, normalmente, os maiores chatos que acham que as diretrizes têm força de lei. O pessoal mais novo, claro, fala o que acha mais simples e pronto.
Eis que hoje saiu uma nova lista de neologismos traduzidos. As redes sem fio de alta fidelidade, as tais redes Wi-Fi viram ASFI: accès sans fil à internet. Um hot-stop Wi-Fi vira uma estação de emissão ASFI (gare pour émettre). À sigla MMS (as mensagens multimídia enviadas por celular) pede-se o desuso; melhor é simplesmente message multimédia.
Nem mesmo os spammers ficaram de fora. Agora quem manda mensagens não solicitadas é um… regador?
Desde o fim do ano passado entrei numa de estudar francês por conta própria. Vou indo muito bem e já sou capaz de perguntar sem colar onde fica o banheiro e dizer que tenho três filhos: dois rapazes grandes e uma menina pequena, mesmo não tendo filho algum na verdade.
O susto ontem foi descobrir que em francês não existem as palavras para setenta, oitenta e noventa. O que existe é sessenta-e-dez (soixante-dix), quatro-vintes (quatre-vingts) e quatro-vintes-e-dez (quatre-vingt-dix). Setenta-e-cinco, portanto, é sessenta-e-quinze: soixante-quinze.
Como bom filósofo de botequim me coloquei a pensar como seria diferente da minha a cabeça de uma pessoa que pensa em termos de sessenta-e-quinze e quatro-vinte-quatorze (94). Obviamente não cheguei a conclusão nenhuma além de imaginar (ou só torcer) que no uso coloquial as pessoas usem, afinal de contas, septante, huitante e nonante.