Quando o politicamente correto não é suficiente
De volta de uma palestra em São Luís, conexão em Brasília e escala em Imperatriz. Mesma rota da ida. Blogando de dentro do avião. Em todas as paradas a equipe da Gol avisa que terão embarque preferencial gestantes, portadores de necessidades especiais e melhor idade.
Eu jurava que “idoso” já era um termo politicamente correto (e “velho” era o incorreto). Mas pelo visto a Gol está inventando o mais-que- politicamente-correto. Porque no fim das contas só mudar as palavras não adianta nada, até as mais fofinhas vão virando pejorativas lentamente, com as ações.
É a mesma intenção da empresa chamar funcionário de “colaborador”.
É cínico. Endomarketing canastrão.
Se for negro e envelhecer então, será: “Colaborador Afro-Descendente da Melhor Idade”.
Perfeito.
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Parece até um episódio da Familia Dinossauro onde eles não podiam falar nem “braço”.
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Eu já tinha visto esse termo outras vezes, acho que na TAM também….
O pior que eu acho que ele virou “politicamente correto” de gaiato, se não me engano foi cunhado por uma campanha de marketing de empresa de previdência, onde aí sim fazia sentido.
O próprio “portadores de necessidades especiais” é ridículo. O que é uma “necessidade especial”? Se considerarmos que é algo que uma “pessoa default” não necessite, então asmáticos, alérgicos, pessoas que usam óculos e mulheres na TPM também têm “necessidades especiais”.
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Acho equivocado. O que há de errado com idoso, ou mesmo velho? Aldous Huxley explica. Preconceito disfarçado de coisa “meiga”.
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Rafael Netto: sim, todos nos somos portadores de ALGUMA necessidade especial. Mas as deles sao mais complicadas, ne? Acho que pior do que isso eh chamar os PNE (portadores de necessidades especiais) de “especiais.”
Aih eh sacanagem! Eh como se fosse MELHOR ser “especial” – mais ou menos como a “melhor idade”: ora bolas, a maior vantagem de ser velho eh que vc nao morreu antes! (o que eu considero uma bela vantagem, e espero sinceramente chegar lah um dia).
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Essa onda politicamente correta é hipócrita e má, muito se fala nessas “necessidades especiais” mas as empresa investem muito pouco na real adaptação dos ambientes a essas necessidades. Onde eu trabalho (sorry, mas não vou declarar) houve uma grande contratação de pessoas com necessidades especiais, uma das escolhas foi assim: “Ah, esse não! Fica muito caro adaptar o ambiente para um caderante, vamos ficar com esse surdo, pelo menos ele anda e pode escrever para falar com a gente.”, boa parte da toda a comunicação interna é feita em vídeo, detalhe, nenhum com legenda.
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Bom, uso muletas há um bom tempo (não o tempo todo, mas dá pra contar nos dedos os anos que passei sem usar) e nunca me considerei portador de necessidade especial. 21 anos tratando de um problema no fêmur e nunca quis tirar cartão pra usar ônibus de graça e nunca usei da minha situação para furar fila ou ter alguma vantagem… Aliás, nesse tempo todo foram só desvantagens… Na Gama Filho, onde me formei em Computação, era obrigado a subir 4 andares de escada porque não existia elevador no meu prédio. Quem fazia arquitetura, engenharia ou computação não podia usar cadeira de rodas,
porque era impraticável… Trabalhei de fotógrafo em boate por uns 2 ou 3 anos, sempre de
muletas e nunca me incomodei, o que incomoda são as pessoas te tratando como um bebê… Te cercando e protegendo de situações que você não quer proteção…
Acredite, de muletas e com 8Kg de aço no fêmur eu posso me defender e já caí na porrada sem precisar da ajuda de ninguém… O mal das pessoas é achar que os outros são pobres coitados… Isso machuca muito mais que um tombo…
Mas, mesmo me virando sozinho sei que é complicado… Ter que ficar mostrando o dinheiro pro motorista do ônibus pra provar que você vai pagar mesmo entrando pela porta traseira… Porque não há como passar naquela roleta de muletas… Ou ter que pisar nos pés das pessoas no metrô pra que elas percebam que você está ali e que não quer ser empurrado…
Agora, o goda mesmo é provar que a muleta, cadeira ou o que quer que seja, é só um detalhe… Na hora da contratação eu disputo vaga com todo mundo, porque optei por não me classificar como deficiente (ou inválido como queria me rotular no exército) e na hora da escolha, o camarada prefere escolher o cara que sabe menos mas que não vai precisar se ausentar por uma possibilidade de cirurgia…
Eu estou na justiça com um processo contra a Petrobrás por conta disso, mesmo passando em 2o. lugar, a médica disse que eu não poderia trabalhar como Analista de Processos de Negócio, função esta em que você passa 8 horas por dia sentado numa cadeira… E isso mesmo depois de eu comprovar que já trabalhei e que estou trabalhado…
Enfim, não é um nome que vai mudar algo… Se me chamassem de perneta mas me tratassem como qualquer outra pessoa, eu não ligaria a mínima…
Mas já vou avisando, se for ofender é bom correr, porque as muletas têm um bom alcance heheheheheheheheheh
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Há um bom tempo que não se usa mais o termo “portador de necessidades especiais”, que não passa de um eufemismo. Também não se usa “portador de deficiência”. O deficiente não “porta” nada. Não é algo que você possa deixar de lado quando quer.
O termo correto é pessoa com deficiência ou deficiente físico. Simples e direto. Não sei porque as pessoas tem a necessidade de “mascarar” a realidade. Como se a mudança de um termo fosse tornar a situação destas pessoas mais fácil ou fossem mais aceitas na sociedade.
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Os links da semana – 4…
Quando o politicamente correto não é suficiente, do Cris Dias. Bom, o título fala por si só….
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