R$ 100 é de graça. Qualquer peça da Broadway (equivalente de um nome como o do Fagundes no Brasil) custa multiplas vezes isso (mesmo sem convertermos o dólar pra real, pensando em X dinheiros…). O problema é outro: o problema é que o público de cultura é mínimo no Brasil. A única chance de ter lucro com cultura é via patrocínio público ou privado, o que é triste. Melhor seria se o Estado Brasileiro investisse em criar/aumentar o público de cultura através da educação – isso todos sabemos. Mas educar tem aquele problema: um povo educado escolhe melhor seus representantes e diminui as oportunidades de locupletação. Bom mesmo é o caos e a balbúrdia da “cultura popular” (que é uma maneira educada de dizer circo, no pior sentido pejorativo que a palavra pode abranger). Nada contra o Circo (com C maiúsculo), mas entretenimento e cultura são duas coisas diferentes…
Pois é… o governo sempre financiou a cultura e/ou entretenimento e nunca investiu na formação cultural do brasileiro, coisa que deveria ser feita na escola com grupos de teatros, etc. Nessa hora é comum se ler/ouvir que o povo não consome cultura e/ou entretenimento, mas na minha opinião (afinal só posso falar por mim) isso é uma grande falácia. Na verdade eu diria que é até um pouco de arrogância e preconceito.
O povo consome cultura/entretenimento sim, mas quando o dinheiro é curto a gente automaticamente opta pelo menos custo. Com uma produção cultural elitizada, coube ao povo produzir sua própria cultura/entretenimento, é desse movimento que vem os Calypsos, Bondes, Axé Whatever, Pagode, etc. Independente da qualidade técnica que pode até ser questinada em alguns casos, isso é cultura, não é?
Bom, não sou estudioso desse mercado por isso não tenho nenhuma sugestão mágica simplista para o problema, até porque acredito que não exista, mas se o Brasil quiser mudar o cenário, não há como fazê-lo sem causa uma ruptura na estrutura que já existe.
Será que os grandes artistas estariam dispostos a rever seus cachês? Os teatros estariam dispostos a rever seus preços? O governo estaria disposto a rever os impostos ligados ao segmento?
Não sei, vou parar por aqui porque tenho mais perguntas que respostas.
A pergunta é: alguém deste ramo quer se sustentar sozinho?
Meu palpite é que não. Pois sem as muletas estes espetáculos teriam que depender, olha que absurdo… da audiência e de sua própria qualidade!
Seria bom p/ o cinema nacional (e outras artes em geral) que esta mamata do patrocínio com dinheiro tomado acabasse, teriamos menos lixo. Mas é utopia achar que os erquedinhas conseguem largar o osso.
Só para ilustrar o que eu e o Fabrício estamos falando, vejam o exemplo do alemão Uwe Bow, diretor de cinema “especialista” e estragar a história de bons jogos com filmes ridículos financiados à fundo perdido pelo governo alemão.
Bastou a Angela Merkel assumir o governos e a expressão “à fundo perdido” foi removida, como ele tinha o histórico de que nenhum filme sequer se pagava, o governo alemão não liberou mais nenhum centavo para este panaca, resultado: nós gamers apaixonados não veremos mais nossos jogos preferidos sendo estragados por este diretorzinho sem criatividade.
Quantos artistas, que hoje se garantem com estes financiamentos teriam dificuldade de se estabelecer por suas obras não terem apelo popular?
Eu tenho curiosidade e gostaria de ver as mesmas estatísticas que esta matéria da Folha aplicou no show do Lenine e na peça do Fagundes, sendo aplicadas em filmes como “E se eu fosse você?” (ambos), “Cidade de Deus”, Carandiru, Divã, Central do Brasil.
Isso é uma falácia, dizer que é um recuo depender de patrocínio estatal para desenvolver artes e cultura. A Noruega é, senão o, um dos países mais ricos do mundo, e seus filmes são financiados pelo Estado até hoje. Dinheiro público gerar cultura é BOM! Dizer que o governo investir uma quantidade alta de dinheiro para bancar peças, filmes etc. é ruim, é uma falácia neo-liberal, vazia como uma revista Veja. Daqui a pouco vai dizer que o bolsa-família é ruim também?
Escrevi sobre isso esses dias. Fiquei chocado que o mercado de artes (plásticas, visuais) nem é citado e, sendo artista, tenho certeza que ele não se sustenta. Pior ainda, é quase sempre levado como um exercício de futilidade e de delírio dos patrocinadores, quem sustenta ainda corre risco de ser taxado de elitista.
Agora, uma problematização mais útil: um problema sério é a noção de investimento no Brasil. Quem investe quer lucro a curto e médio prazo. Arte em geral (não-entretenimento) é investimento de longo prazo, que se valoriza ao passar de muitas décadas, se não de gerações. Há também uma péssima reação de muitos artistas em ser largamente aceito, o que leva facilmente a um rótulo de obra/arte burra. Isso é totalmente anti-mercado. Qualquer profissional bom que fica se escondendo em gueto está se sufocando. Quando é uma classe inteira, dá nisso: dependência do Estado pra se sustentar.
Ufa! pelo menos eu nao fui a unica que nao entendeu xongas desse grafico! Na verdade, eu tambem nao entendi a materia. Toda confusa, nao serviu para me explicar nada. Mas a ideia geral eu ja sabia, entao tudo bem. (e viva o jornalismo bem feito!)
E caro primeiro comentarista, voce esta viajando que a Broadway custa tao caro! As pecas em Londres custam entre 60 e 15 pounds! Pois eh, com 15 pounds vc senta num lugar nao muito bom e assiste a uma peca porreta, o que eh muito mais do que se pode fazer no Brasil. E claro, estou falando de musicais, com cenarios gigantescos, mega producoes, elencos gigantes e bem ensaiados, etc etc.
Se vc quiser falar de pecas de texto, com elenco pequeno, o que dizer de Esperando Godot, com Patrick Stewart e Ian MacKellen, por uns 35 pounds??? (na verde o preco tambem oscilava entre os 10 e uns 70). Todas as pecas grandes aqui tem uma reserva de ingressos a precos populares, tickets mais baratos, promocoes, etc. As vezes tem ensaios abertos tambem. O povo sem dinheiro tem opcoes se quiser ir ao teatro, diferente do Brasil.
E teatro independente por aqui custa uns £12, e existe as baciadas em todos os bairros (perto da minha casa deve ter uns 3 teatros pequenos que eu posso ir a pe. Sem contar os milhares em Camden). Nao vamos comparar Inglaterra/EUA/Europa com Brasil, porque vc esta comparando alhos com bugalhos.
@Elland falácia é comparar com a Noruega, dando a entender que ela possui uma industria cinematográfica relevante, sendo que a produção deles é quase tão fraca quanto a nossa. Conta-se nos dedos (de uma mão do Lula) os bons títulos noruegueses.
E ainda que fosse relevante, o que não é, ao menos os critérios para liberar fundos lá possuem relação com a bilheteria. O que não ocorre por aqui. No brasil basta ter uma história glorificando algum bandido que a garantia do auxilio é certa, independente se o resultado final é tecnicamente bom ou capaz de atrair público.
Pelo seu comentário se vê logo que não conhece nem o cinema nacional, nem o norueguês, continue aí lendo a Veja, que você vai longe Dada a qualidade do seu “argumento” parece até perda de tempo contra-argumentar.
Aliás o cinema francês também depende de recurso do Estado. Agora venha aqui cagar pelo teclado e dizer que também acha o cinema francês irrelevante.
Agora, com sua mente lavada pela Veja, e pela globo, eu aconselho você a ir ver o Faustão e tentar se meter menos em discussões.
Ok Elland, eu admito, estou preso numa lavagem cerebral promovida pela editora Abril, CIA, FMI e organizações Globo(mesmo eu não tendo TV). E ainda por cima sou uma farsa no que diz respeito cinema.
Agora, por favor me ilumine e escreva aqui para nós reles mortais massa-de-manobra desta conspiração elitista, qual é a sua lista pessoal dos 10 maiores filmes de todos os tempos, incluindo o nome do diretor e país de origem para cada filme.
Ou se preferir pode colar também, pegue a lista dos top 10 ou top 100 maiores filmes de todos os tempos escrita por qualquer diretor que já ganhou algum prêmio minimamente conceituado e cole aqui na caixa de comentários, com o país de cada titulo ao lado.
Mas sério, qual era o seu argumento mesmo? E quem falou que algum desses países libera verba de acordo com a bilheteria? O cinema alemão também vive do Estado. Vide Uwe Boll, que apesar de ser um diretor horrendo, é um dos únicos a usar corretamente o sistema de captação alemã.
> Sinceramente, acha que eu vim aqui só pra ficar soltando palavras vazias e criar discórdia?
Sinceramente? Sim, eu acho. Via de regra quem não consegue participar de uma discussão sem invocar a Veja e a Globo como forma de fugir do assunto está apenas soltando palavras vazias.
> Mas sério, qual era o seu argumento mesmo?
Meu argumento original é o de que uma indústria cinematográfica que tem que se manter sem dinheiro tomado é *mais* capaz de produzir obras de qualidade do que uma onde não existe a necessidade de aprovação pelo público.
Assumindo que os links que vc listou foram em resposta ao meu pedido para saber sobre seu top 10 maiores filmes de todos os tempos, segundo seu critério e gosto, admito que dos top12 que você escolheu vários tiverem apoio estatal. O que até prova que uma indústria deste tipo é capaz de produzir algo relevante.
Porém quando digo que o cinema Norueguês ou Brasileiro são fracos estou comparando com o Americano, que movimenta bilhões e já deu ao mundo um número impressionante de obras primas. A crítica que faço é essencialmente comparativa: entre seguir o modelo americano ou o europeu, eu fico com o primeiro, sem nenhuma dúvida
> E quem falou que algum desses países libera verba de acordo com a bilheteria?
Vou te poupar o trabalho de ir no google e postar links:
* http://www.norway.org/culture/film/production/
“The 2001 shift in film policy also resulted in the establishment of the Norwegian Film Fund, which was given sole responsibility for granting state funds to film production.
In addition to administering grant schemes for feature films, documentaries and short films, the fund provides grants based on ticket sales as well as development support to production companies.”
Apenas uma amostra de que o dinheiro público por lá recebe mais de respeito que aqui, e que a produção joga de acordo com as regras de mercado. Este era meu outro argumento
Bem, aparentemente é você que realmente não sabe do que fala. Não creio que custe muito admitir isso.
“Seria bom p/ o cinema nacional (e outras artes em geral) que esta mamata do patrocínio com dinheiro tomado acabasse, teriamos menos lixo. Mas é utopia achar que os erquedinhas conseguem largar o osso.”
Se você soubesse algo de cinema nacional veria que ele é muito bom, premiado e recohecido fora como um cinema de qualidade e com personalidade. E é bancado pelo Estado. Mas filmes do Didi e da Xuxa são bancados pela Globo Produções.
Mas aparentemente você é o cara que gosta do filme do Didi e da Xuxa, dos Se eu fosse você da vida, afinal:
“A crítica que faço é essencialmente comparativa: entre seguir o modelo americano ou o europeu, eu fico com o primeiro, sem nenhuma dúvida”
Eu ainda tinha esperança de que você conseguisse perceber o quão enganado você está. Cinema BOM não gera público, principalmente no Brasil. Mas se você entendesse de cinema, saberia disso.
=(
‘O que até prova que uma indústria deste tipo é capaz de produzir algo relevante.’
Sério? Até capaz? Sabe que os filmes americanos ‘relevantes’ costumam ser bancados pelos próprios diretores? Diretores que fazem filmes típicos blockbuster (conhecido como ‘ruim que vende’) para bancar seus projetos? Ou diretores que ficaram consagrados depois de lutar contra todo o sistema americano para conseguir lançar um filme, como Ridley Scott fez com Blade Runner. Um pouco de conhecimento na área te mostraria que 90% dos filmes realmente bons que saíram daquele país escroto, foram às custas de diretores e artistas que LUTARAM CONTRA o sistema americano de produção.
Isso pode te dar uma idéia melhor do que estou tentando te mostrar…
Mais uma vez vc deixa de lado a discussão de idéias e parte p/ ataques pessoais. Vou ignorá-los em respeito ao Cris.
Que tal começarmos daqui: “Cinema BOM não gera público”
Ta aí algo que concordo *parcialmente*. De fato, alguns grandes artistas não conseguem reconhecimento em seu tempo de vida, o mainstream sempre estará uns 3 ou 4 passos atrás das inovações, é fato.
O problema é: “Cinema PÉSSIMO também não gera público”
E ai que está o dilema, quem decide o que é BOM e o que é PÉSSIMO? Uma sala com burocratas pseudo-intelectuais que cuidam da torneira?
Quem deveria pagar por um filme de retorno incerto?
O artista apaixonado que se endivida, aceita fazer filmes ‘ruins que vendem’ para juntar grana e se ferra porque *acredita no que ele tem para mostrar*? Ou todo mundo deve ser *forçado* a entregar dinheiro p/ qualquer um que se intitule gênio?
Para mim um diretor que vende o carro e pega dinheiro emprestado da família por que tem paixão pela arte merece muito mais meu respeito do que um que bate a caneca na Petrobrás.
O primeiro, extamente como voce disse, está lutando contra, tentando provar que ele está vendo algo que os outros ainda não enxergam. O segundo quer jogar seguro, quer ter o bolo e comê-lo também. E não por coincidencia é do segundo grupo que sai tantas merdas, merdas estas que poderiam em alguns casos até terem se pagado sozinhas, como Didi, Xuxa, Globo produções e etc.
No modelo brasileiro EU dou dinheiro compulsóriamente pro Jorge Furtado e p/ a Xuxa sem sair de casa.
No americano eu só dou dinheiro pro Michael Bay apenas *se eu quiser*.
Não espero que você entenda a diferença, concordarei em discordar de sua visão.
Não, de forma alguma, agora concordei com seu ponto de vista.
Embora, até onde eu vejo, no Brasil o dinheiro vem de empresas, como forma de incentivos fiscais. Ou de fundos da mesma, como o caso da Petrobrás.
O problema maior é a ‘panelinha’ produtora de filmes, que entra em editais para fazer filmes de 10 milhões a 50, enxendo seus ânus com dinheiro. Vide Guilherme Fontes…
O caso é que isso não é culpa do Estado investir seu dinheiro em promoção de cultura, e sim do povo brasileiro gostar da safadeza e achar bonito.
De qualquer forma, o conceito de filme bom e ruim é mesmo relativo. E filmes que você pode achar uma bosta, por serem parados ou não ter cenas de ação (exemplo) eu acho muito bons, como Persona, e contrário também é valido. De qualquer forma, o Estado investir em cultura é BOM. Filmes serem bancados pelo Estado é BOM também. Desde que isso implique nos filmes serem livres, e não que tenham que ter ‘o monstro’ para vender mais, ou o projeto não sai.
Só uma observação, dinheiro de incentivo fiscal é dinheiro público, é o dinheiro que a empresa deixou de pagar em impostos(e a lei Rouanet é bem generosa neste desconto), ele pode “vir da empresa” mas é do país.
Eu não necessáriamente acho investimento público em cultura algo ruim, acho que existem algumas áreas sem viabilidade econômica como arquivos e museus que podem ser ajudadas pela sociedade com o uso do dinheiro tomado.
Mas tenho dúvidas se cinema é uma dessas áreas, só isso. Eu acho que existe mercado. Até para filmes parados. E que esta cultura de depender de coisas dadas é um tanto quanto nociva para todos.
O que volta ao ponto central e pergunta original do blog post: será que esta dependência está elevando o nível e caminhando para uma indústria que pare de pé sozinha, ou só está contribuindo p/ que a dependência se perpetue?
Nem sempre uma indústria para de pé sozinha, principalmente cultura no
brasil. Mas ainda acho que o problema maior é a falta de publicidade
para os filmes nacionais. Selton Mello e Matheus Nachtergaelle são
ambos atores muito conhecidos, quantos são os que sabem que eles são
também diretores de filmes sensacionais?
Entretenimento é importantissimo, deve ser tratado com respeito.
Quando o ultimo ser humano se for, medias contaram a nossa história através dos tempos.
E para que o entretenimento se torne sustentavél.
Fim da pirataria, imposto maior sobre o faturamento de filmes estrangeiros, obrigatoriedade de 45% de produções nacionais em todos os canais de TV a cabo, Fiscalização severa e aumento das taxas para importação de filmes publicitários, fim da censura aos anunciantes, menos impostos, investimento em programa de continuidade.
Pelo cinema tem muito que a Ancine possa fazer, mais enquanto ela não faz, ficam tapando o sol com a peneira oferecendo essas migalhas que chamam de incentivo cultural.
Enquanto custa 150 mi de dollares um filme nos EUA, aqui 2 mi de merreis.
Como alcançar a qualidade nescessária para competir?
Parabéns ao DIDI, Zé do Caixão,Fagundes ( que deu muito a bunda pra chegar aonde está ) e a todos que na raça fizeram alguma coisa pelo nosso cinema,teatro e pela nossa cultura.
Por vocação.
R$ 100 é de graça. Qualquer peça da Broadway (equivalente de um nome como o do Fagundes no Brasil) custa multiplas vezes isso (mesmo sem convertermos o dólar pra real, pensando em X dinheiros…). O problema é outro: o problema é que o público de cultura é mínimo no Brasil. A única chance de ter lucro com cultura é via patrocínio público ou privado, o que é triste. Melhor seria se o Estado Brasileiro investisse em criar/aumentar o público de cultura através da educação – isso todos sabemos. Mas educar tem aquele problema: um povo educado escolhe melhor seus representantes e diminui as oportunidades de locupletação. Bom mesmo é o caos e a balbúrdia da “cultura popular” (que é uma maneira educada de dizer circo, no pior sentido pejorativo que a palavra pode abranger). Nada contra o Circo (com C maiúsculo), mas entretenimento e cultura são duas coisas diferentes…
Pois é… o governo sempre financiou a cultura e/ou entretenimento e nunca investiu na formação cultural do brasileiro, coisa que deveria ser feita na escola com grupos de teatros, etc. Nessa hora é comum se ler/ouvir que o povo não consome cultura e/ou entretenimento, mas na minha opinião (afinal só posso falar por mim) isso é uma grande falácia. Na verdade eu diria que é até um pouco de arrogância e preconceito.
O povo consome cultura/entretenimento sim, mas quando o dinheiro é curto a gente automaticamente opta pelo menos custo. Com uma produção cultural elitizada, coube ao povo produzir sua própria cultura/entretenimento, é desse movimento que vem os Calypsos, Bondes, Axé Whatever, Pagode, etc. Independente da qualidade técnica que pode até ser questinada em alguns casos, isso é cultura, não é?
Bom, não sou estudioso desse mercado por isso não tenho nenhuma sugestão mágica simplista para o problema, até porque acredito que não exista, mas se o Brasil quiser mudar o cenário, não há como fazê-lo sem causa uma ruptura na estrutura que já existe.
Será que os grandes artistas estariam dispostos a rever seus cachês? Os teatros estariam dispostos a rever seus preços? O governo estaria disposto a rever os impostos ligados ao segmento?
Não sei, vou parar por aqui porque tenho mais perguntas que respostas.
A pergunta é: alguém deste ramo quer se sustentar sozinho?
Meu palpite é que não. Pois sem as muletas estes espetáculos teriam que depender, olha que absurdo… da audiência e de sua própria qualidade!
Seria bom p/ o cinema nacional (e outras artes em geral) que esta mamata do patrocínio com dinheiro tomado acabasse, teriamos menos lixo. Mas é utopia achar que os erquedinhas conseguem largar o osso.
Só para ilustrar o que eu e o Fabrício estamos falando, vejam o exemplo do alemão Uwe Bow, diretor de cinema “especialista” e estragar a história de bons jogos com filmes ridículos financiados à fundo perdido pelo governo alemão.
Bastou a Angela Merkel assumir o governos e a expressão “à fundo perdido” foi removida, como ele tinha o histórico de que nenhum filme sequer se pagava, o governo alemão não liberou mais nenhum centavo para este panaca, resultado: nós gamers apaixonados não veremos mais nossos jogos preferidos sendo estragados por este diretorzinho sem criatividade.
Quantos artistas, que hoje se garantem com estes financiamentos teriam dificuldade de se estabelecer por suas obras não terem apelo popular?
Eu tenho curiosidade e gostaria de ver as mesmas estatísticas que esta matéria da Folha aplicou no show do Lenine e na peça do Fagundes, sendo aplicadas em filmes como “E se eu fosse você?” (ambos), “Cidade de Deus”, Carandiru, Divã, Central do Brasil.
Não dá pra entender esse infográfico… o que é que estão querendo dizer?
Que obviamente foi gasto mais do que devia com ‘investimento em mídia’ (algo completamente discricionário)?
Ou seja, que foi tão mal gerenciado o projeto que agora não tem nem como dar lucro?
O.o
Haja incentivo prum povo ‘isperto’ assim.
Isso é uma falácia, dizer que é um recuo depender de patrocínio estatal para desenvolver artes e cultura. A Noruega é, senão o, um dos países mais ricos do mundo, e seus filmes são financiados pelo Estado até hoje. Dinheiro público gerar cultura é BOM! Dizer que o governo investir uma quantidade alta de dinheiro para bancar peças, filmes etc. é ruim, é uma falácia neo-liberal, vazia como uma revista Veja. Daqui a pouco vai dizer que o bolsa-família é ruim também?
Escrevi sobre isso esses dias. Fiquei chocado que o mercado de artes (plásticas, visuais) nem é citado e, sendo artista, tenho certeza que ele não se sustenta. Pior ainda, é quase sempre levado como um exercício de futilidade e de delírio dos patrocinadores, quem sustenta ainda corre risco de ser taxado de elitista.
Agora, uma problematização mais útil: um problema sério é a noção de investimento no Brasil. Quem investe quer lucro a curto e médio prazo. Arte em geral (não-entretenimento) é investimento de longo prazo, que se valoriza ao passar de muitas décadas, se não de gerações. Há também uma péssima reação de muitos artistas em ser largamente aceito, o que leva facilmente a um rótulo de obra/arte burra. Isso é totalmente anti-mercado. Qualquer profissional bom que fica se escondendo em gueto está se sufocando. Quando é uma classe inteira, dá nisso: dependência do Estado pra se sustentar.
Ufa! pelo menos eu nao fui a unica que nao entendeu xongas desse grafico! Na verdade, eu tambem nao entendi a materia. Toda confusa, nao serviu para me explicar nada. Mas a ideia geral eu ja sabia, entao tudo bem. (e viva o jornalismo bem feito!)
E caro primeiro comentarista, voce esta viajando que a Broadway custa tao caro! As pecas em Londres custam entre 60 e 15 pounds! Pois eh, com 15 pounds vc senta num lugar nao muito bom e assiste a uma peca porreta, o que eh muito mais do que se pode fazer no Brasil. E claro, estou falando de musicais, com cenarios gigantescos, mega producoes, elencos gigantes e bem ensaiados, etc etc.
Se vc quiser falar de pecas de texto, com elenco pequeno, o que dizer de Esperando Godot, com Patrick Stewart e Ian MacKellen, por uns 35 pounds??? (na verde o preco tambem oscilava entre os 10 e uns 70). Todas as pecas grandes aqui tem uma reserva de ingressos a precos populares, tickets mais baratos, promocoes, etc. As vezes tem ensaios abertos tambem. O povo sem dinheiro tem opcoes se quiser ir ao teatro, diferente do Brasil.
E teatro independente por aqui custa uns £12, e existe as baciadas em todos os bairros (perto da minha casa deve ter uns 3 teatros pequenos que eu posso ir a pe. Sem contar os milhares em Camden). Nao vamos comparar Inglaterra/EUA/Europa com Brasil, porque vc esta comparando alhos com bugalhos.
E la vou eu alimentar o/a troll…
@Elland falácia é comparar com a Noruega, dando a entender que ela possui uma industria cinematográfica relevante, sendo que a produção deles é quase tão fraca quanto a nossa. Conta-se nos dedos (de uma mão do Lula) os bons títulos noruegueses.
E ainda que fosse relevante, o que não é, ao menos os critérios para liberar fundos lá possuem relação com a bilheteria. O que não ocorre por aqui. No brasil basta ter uma história glorificando algum bandido que a garantia do auxilio é certa, independente se o resultado final é tecnicamente bom ou capaz de atrair público.
Eu só acho uma sacanagem sem tamanho filmes do Didi, Xuxa e outros produzidos pela Globo Filmes se utilizarem desses recursos para se financiar.
@Fabricio
Pelo seu comentário se vê logo que não conhece nem o cinema nacional, nem o norueguês, continue aí lendo a Veja, que você vai longe
Dada a qualidade do seu “argumento” parece até perda de tempo contra-argumentar.
Aliás o cinema francês também depende de recurso do Estado. Agora venha aqui cagar pelo teclado e dizer que também acha o cinema francês irrelevante.
Agora, com sua mente lavada pela Veja, e pela globo, eu aconselho você a ir ver o Faustão e tentar se meter menos em discussões.
Ok Elland, eu admito, estou preso numa lavagem cerebral promovida pela editora Abril, CIA, FMI e organizações Globo(mesmo eu não tendo TV). E ainda por cima sou uma farsa no que diz respeito cinema.
Agora, por favor me ilumine e escreva aqui para nós reles mortais massa-de-manobra desta conspiração elitista, qual é a sua lista pessoal dos 10 maiores filmes de todos os tempos, incluindo o nome do diretor e país de origem para cada filme.
Ou se preferir pode colar também, pegue a lista dos top 10 ou top 100 maiores filmes de todos os tempos escrita por qualquer diretor que já ganhou algum prêmio minimamente conceituado e cole aqui na caixa de comentários, com o país de cada titulo ao lado.
Estou curioso.
Te poupar o trabalho de ir no google e postar links:
http://www.imdb.com/title/tt0125507/
http://www.imdb.com/title/tt0780621/
http://www.imdb.com/title/tt0119375/
http://www.imdb.com/title/tt0060827/
Ah, os filmes suecos também são patrocinados pelo governo, mas claro, Ingmar Bergman é completamente IRRELEVANTE, right?
http://www.imdb.com/title/tt0064897/
http://www.imdb.com/title/tt0050976/
Seis estão de bom tamanho?
Ah, que tal uns filmes nacionais também? Afinal, você parece não conhecer o cinema local.
http://www.imdb.com/title/tt1264083/
http://www.imdb.com/title/tt1136609/
E que tal todos os filmes desse diretor aqui:
http://www.imdb.com/name/nm0707963/
Cujo curta de estréia é sensacional, by the way.
Mas sério, qual era o seu argumento mesmo? E quem falou que algum desses países libera verba de acordo com a bilheteria? O cinema alemão também vive do Estado. Vide Uwe Boll, que apesar de ser um diretor horrendo, é um dos únicos a usar corretamente o sistema de captação alemã.
http://www.imdb.com/title/tt0130827/ Que tal esse clássico, do Tom Tykwer?
http://www.imdb.com/title/tt0126765/ Ou esse, não tão conhecido?
E olhe que eu realmente não entendo de filme alemão, mas vem dizer que Der Untergang é ruim, também?
http://www.imdb.com/title/tt0363163/
Sinceramente, acha que eu vim aqui só pra ficar soltando palavras vazias e criar discórdia?
> Sinceramente, acha que eu vim aqui só pra ficar soltando palavras vazias e criar discórdia?
Sinceramente? Sim, eu acho. Via de regra quem não consegue participar de uma discussão sem invocar a Veja e a Globo como forma de fugir do assunto está apenas soltando palavras vazias.
> Mas sério, qual era o seu argumento mesmo?
Meu argumento original é o de que uma indústria cinematográfica que tem que se manter sem dinheiro tomado é *mais* capaz de produzir obras de qualidade do que uma onde não existe a necessidade de aprovação pelo público.
Assumindo que os links que vc listou foram em resposta ao meu pedido para saber sobre seu top 10 maiores filmes de todos os tempos, segundo seu critério e gosto, admito que dos top12 que você escolheu vários tiverem apoio estatal. O que até prova que uma indústria deste tipo é capaz de produzir algo relevante.
Porém quando digo que o cinema Norueguês ou Brasileiro são fracos estou comparando com o Americano, que movimenta bilhões e já deu ao mundo um número impressionante de obras primas. A crítica que faço é essencialmente comparativa: entre seguir o modelo americano ou o europeu, eu fico com o primeiro, sem nenhuma dúvida
> E quem falou que algum desses países libera verba de acordo com a bilheteria?
Vou te poupar o trabalho de ir no google e postar links:
* http://www.norway.org/culture/film/production/
“The 2001 shift in film policy also resulted in the establishment of the Norwegian Film Fund, which was given sole responsibility for granting state funds to film production.
In addition to administering grant schemes for feature films, documentaries and short films, the fund provides grants based on ticket sales as well as development support to production companies.”
* http://www.filmfondet.no/Server/Components/Global/ImageStream.aspx?DocId=150
Leia em especial o Capitulo 4 e o Capitulo 8, que tratam de “admissions estimate” como critério e “Box Office Bonuses”, ah, e também o artigo que trata de “Repayment of Support”.
Apenas uma amostra de que o dinheiro público por lá recebe mais de respeito que aqui, e que a produção joga de acordo com as regras de mercado. Este era meu outro argumento
O Uwe Boll podia até saber usar o sistema alemão (leia-se conhecer a burocracia), mas a mamata acabou:
Omelete: http://migre.me/7zcI
Jovem Nerd: http://migre.me/7zd4
Esse ultimo site eu não conheço, mas tem uma tabelinha bacana: http://migre.me/7zd9
Ufa!
Bem, aparentemente é você que realmente não sabe do que fala. Não creio que custe muito admitir isso.
“Seria bom p/ o cinema nacional (e outras artes em geral) que esta mamata do patrocínio com dinheiro tomado acabasse, teriamos menos lixo. Mas é utopia achar que os erquedinhas conseguem largar o osso.”
Se você soubesse algo de cinema nacional veria que ele é muito bom, premiado e recohecido fora como um cinema de qualidade e com personalidade. E é bancado pelo Estado. Mas filmes do Didi e da Xuxa são bancados pela Globo Produções.
Mas aparentemente você é o cara que gosta do filme do Didi e da Xuxa, dos Se eu fosse você da vida, afinal:
“A crítica que faço é essencialmente comparativa: entre seguir o modelo americano ou o europeu, eu fico com o primeiro, sem nenhuma dúvida”
Eu ainda tinha esperança de que você conseguisse perceber o quão enganado você está. Cinema BOM não gera público, principalmente no Brasil. Mas se você entendesse de cinema, saberia disso.
=(
‘O que até prova que uma indústria deste tipo é capaz de produzir algo relevante.’
Sério? Até capaz? Sabe que os filmes americanos ‘relevantes’ costumam ser bancados pelos próprios diretores? Diretores que fazem filmes típicos blockbuster (conhecido como ‘ruim que vende’) para bancar seus projetos? Ou diretores que ficaram consagrados depois de lutar contra todo o sistema americano para conseguir lançar um filme, como Ridley Scott fez com Blade Runner. Um pouco de conhecimento na área te mostraria que 90% dos filmes realmente bons que saíram daquele país escroto, foram às custas de diretores e artistas que LUTARAM CONTRA o sistema americano de produção.
Isso pode te dar uma idéia melhor do que estou tentando te mostrar…
http://xkcd.com/633/
Mais uma vez vc deixa de lado a discussão de idéias e parte p/ ataques pessoais. Vou ignorá-los em respeito ao Cris.
Que tal começarmos daqui: “Cinema BOM não gera público”
Ta aí algo que concordo *parcialmente*. De fato, alguns grandes artistas não conseguem reconhecimento em seu tempo de vida, o mainstream sempre estará uns 3 ou 4 passos atrás das inovações, é fato.
O problema é: “Cinema PÉSSIMO também não gera público”
E ai que está o dilema, quem decide o que é BOM e o que é PÉSSIMO? Uma sala com burocratas pseudo-intelectuais que cuidam da torneira?
Quem deveria pagar por um filme de retorno incerto?
O artista apaixonado que se endivida, aceita fazer filmes ‘ruins que vendem’ para juntar grana e se ferra porque *acredita no que ele tem para mostrar*? Ou todo mundo deve ser *forçado* a entregar dinheiro p/ qualquer um que se intitule gênio?
Para mim um diretor que vende o carro e pega dinheiro emprestado da família por que tem paixão pela arte merece muito mais meu respeito do que um que bate a caneca na Petrobrás.
O primeiro, extamente como voce disse, está lutando contra, tentando provar que ele está vendo algo que os outros ainda não enxergam. O segundo quer jogar seguro, quer ter o bolo e comê-lo também. E não por coincidencia é do segundo grupo que sai tantas merdas, merdas estas que poderiam em alguns casos até terem se pagado sozinhas, como Didi, Xuxa, Globo produções e etc.
No modelo brasileiro EU dou dinheiro compulsóriamente pro Jorge Furtado e p/ a Xuxa sem sair de casa.
No americano eu só dou dinheiro pro Michael Bay apenas *se eu quiser*.
Não espero que você entenda a diferença, concordarei em discordar de sua visão.
Não, de forma alguma, agora concordei com seu ponto de vista.
Embora, até onde eu vejo, no Brasil o dinheiro vem de empresas, como forma de incentivos fiscais. Ou de fundos da mesma, como o caso da Petrobrás.
O problema maior é a ‘panelinha’ produtora de filmes, que entra em editais para fazer filmes de 10 milhões a 50, enxendo seus ânus com dinheiro. Vide Guilherme Fontes…
O caso é que isso não é culpa do Estado investir seu dinheiro em promoção de cultura, e sim do povo brasileiro gostar da safadeza e achar bonito.
De qualquer forma, o conceito de filme bom e ruim é mesmo relativo. E filmes que você pode achar uma bosta, por serem parados ou não ter cenas de ação (exemplo) eu acho muito bons, como Persona, e contrário também é valido. De qualquer forma, o Estado investir em cultura é BOM. Filmes serem bancados pelo Estado é BOM também. Desde que isso implique nos filmes serem livres, e não que tenham que ter ‘o monstro’ para vender mais, ou o projeto não sai.
Eita, é noite de Natal!
Só uma observação, dinheiro de incentivo fiscal é dinheiro público, é o dinheiro que a empresa deixou de pagar em impostos(e a lei Rouanet é bem generosa neste desconto), ele pode “vir da empresa” mas é do país.
Eu não necessáriamente acho investimento público em cultura algo ruim, acho que existem algumas áreas sem viabilidade econômica como arquivos e museus que podem ser ajudadas pela sociedade com o uso do dinheiro tomado.
Mas tenho dúvidas se cinema é uma dessas áreas, só isso. Eu acho que existe mercado. Até para filmes parados. E que esta cultura de depender de coisas dadas é um tanto quanto nociva para todos.
O que volta ao ponto central e pergunta original do blog post: será que esta dependência está elevando o nível e caminhando para uma indústria que pare de pé sozinha, ou só está contribuindo p/ que a dependência se perpetue?
Muita gente não tem conhecimento desses valores!!!!!
Nem sempre uma indústria para de pé sozinha, principalmente cultura no
brasil. Mas ainda acho que o problema maior é a falta de publicidade
para os filmes nacionais. Selton Mello e Matheus Nachtergaelle são
ambos atores muito conhecidos, quantos são os que sabem que eles são
também diretores de filmes sensacionais?
Entretenimento é importantissimo, deve ser tratado com respeito.
Quando o ultimo ser humano se for, medias contaram a nossa história através dos tempos.
E para que o entretenimento se torne sustentavél.
Fim da pirataria, imposto maior sobre o faturamento de filmes estrangeiros, obrigatoriedade de 45% de produções nacionais em todos os canais de TV a cabo, Fiscalização severa e aumento das taxas para importação de filmes publicitários, fim da censura aos anunciantes, menos impostos, investimento em programa de continuidade.
Pelo cinema tem muito que a Ancine possa fazer, mais enquanto ela não faz, ficam tapando o sol com a peneira oferecendo essas migalhas que chamam de incentivo cultural.
Enquanto custa 150 mi de dollares um filme nos EUA, aqui 2 mi de merreis.
Como alcançar a qualidade nescessária para competir?
Parabéns ao DIDI, Zé do Caixão,Fagundes ( que deu muito a bunda pra chegar aonde está ) e a todos que na raça fizeram alguma coisa pelo nosso cinema,teatro e pela nossa cultura.
Por vocação.