Na internet, quando todos forem supers ninguém será super
Os Incríveis deve ser o meu filme preferido da Pixar… mas pelos motivos errados. Eu acho que o vilão tem a mesma visão que eu sobre o tal fenômeno das redes sociais. Visto assim Incríveis é o item mais reaça da filmografia da turma 3D.
Recapitulada básica se é que alguém realmente nunca viu esse filme: num mundo povoado por super-heróis (simplesmente chamados de supers) acontece uma revolta no governo e na população – no melhor estilo Watchmen – e os supers são banidos, proibidos, marginalizados. O raciocínio é que no meio da pancadaria e destruição fica complicado separar super-heróis de super-vilões e que os supers não podem ter tratamento especial só por serem… supers. Eles então precisam levar vidas comuns em trabalhos chatíssimos e impensáveis para pessoas tão especiais, como agentes de seguro ou donas de casa. Até que o super-vilão, Síndrome, tem uma idéia melhor. Quando moleque ele queria ser um super, queria ser o ajudante do Senhor Incrível, ele era seu maior fã! Chegou a inventar uns aparelhos para lhe dar uns super-poderes e tudo. Mas logo é rejeitado. Ele não é um super, ele só é alguém fingindo ser. Daí a idéia de Síndrome: quando todos forem supers ninguém será super. Ele vai criar geringonças que darão super-poderes para todo mundo, tornando poderes irrelevantes. A idéia é genial, pena que no filme ela é do vilão, é a idéia ruim. A criançada sai achando que quem nasceu super (ou foi mordido por algum inseto radioativo) merece, sim, ser intocável e os não-supers devem ficar no seu canto.
Quando eu vejo como as tais mídias sociais vão impactar a nova comunicação eu penso nesse filme, eu penso em como o Síndrome estava certo. Com o poder de publicação de conteúdo qualquer pessoa, se quiser, pode ser o que Marcelo Tas chama de “ser o Roberto Marinho de si mesmo”. Quando eu consigo publicar minhas idéias e receber feedback direto delas é como se todo mundo recebesse um kit do Síndrome e virasse um super.
É por isso que eu acho que a coisosfera (blogosfera, twittosfera, flickosfera…) não está aqui para criar um novo grupo de celebridades (que logo ganham um tom pejorativo como sub-celebridade-c-list de quem quer dizer que essas pessoas não são supers de verdade, são só um garoto usando botas com mola). As ferramentas de auto-publicação de conteúdo online (apelidadas de redes sociais para ficar mais sexy) vem acabando com esse conceito criando tantos nichos que teremos um zilhão de pessoas relevantes, uma para cada grupo de interesse. Na prática, para o mercado de comunicação, será impossível identificar e rastrear individualmente cada formador de opinião de cada grupo, porque cada um estará irradiando sua opinião. Todos serão supers (ou, pelo menos, todos que quiserem serão) e, portanto, ninguém será. Não há star-system na coisosfera. Alguns são mais fortes, outros correm mais rápido, mas todos são supers.
As ferramentas sociais já estão encurtando a barreira entre fãs e ídolos. E o comentário mais comum que você encontra por aí é “estou seguindo o Twitter do Fulano e ele é tão… comum!”. Você vai ler entrevistas de pessoas consideradas especialistas e vai pensar “mas isso eu já sabia” porque ao contrário do que acontecia 20 anos atrás você teve, basicamente, acesso às mesmas informações que o suposto especialista. (daí minha piada preferida do GapingVoid “Você é especialista em mídias sociais? Que coincidência, eu também sou especialista em mídias sociais!!!”)
No mundo onde você aparece na mesma telinha que os ricos e famosos as pessoas que “são famosas porque são famosas” vão se tornar obsoletas. Todos seremos supers. Pena que essa idéia é a do vilão.
Gostei muito do tema, Cris. Vou dar uma complementada falando da relação entre professor e aluno dentro desse contexto de web 2.0.
Em 2001, por conta da recuperação de uma cirurgia, ficava horas e horas a vasculhar a internet. Assunto preferido: Cases de marketing. Comparando com os dias de hoje, tinha pouca coisa, mas era uma ótima forma de estudo. Resolvi compartilhar esse conteúdo encontrado nos “radar uol” e “cadê” da vida com meus amigos de sala, em nosso E-groups. Até que um dia o professor, moderador da lista, me chamou a atenção e pediu que eu parasse com aquilo, pois eu não poderia parecer “mais antenado” do que ele.
Era o início disso tudo o que temos hoje. Não só o aluno pode se aprofundar num assunto de forma mais abrangente e clara que o professor colocou em sala (Não estou comparando pesquisas no Google com um mestrado, ok? Falo apenas de entender melhor um tema), como o professor pode passar maus bocados com alunos muito mais “antenados” que ele. Tem uma galera aí muito jovem produzindo conteúdo bacana sobre um tema. Pode faltar maturidade para falar do tema, fazer um prognóstico precipitado etc. Mas que professor nunca fez isso? Tenho um que previa a morte rápida de certos produtos que estão muito bem obrigado no mercado até hoje.
Falei no meio acadêmico pois muitos dos nossos professores posaram na nossa cara como inatingíveis. Tal como algumas celebridades. A nova internet veio definitivamente acabar com isso, seja a ideia do vilão ou não.
Abraço!
Muito interessante a analogia, mas os poderes na Internet brasileira são bem conhecidos: opniões sobre fatos e reflexões sobre boatos. O que sobra é descrição de produtos e tecnologias na forma dois parágrafos + foto ou vídeo + três parágrafos. Simples, não tem segredo, todo sabe fazer isso por instinto, o problema é fazer bem. Sem uma boa vivência e percepção cultural, textos como este que liga um desenho da Pixar com uma discussão contemporânea seriam bem improváveis de serem escritos.
Eu sou fanzoca dos filmes da Pixar. E obviamente tb gosto de “Os Incriveis”. Mas é engraçado como alguma coisa sempre me incomodou no filme (mas que até então eu não tinha conseguido descrever com clareza
É engraçado mesmo como parece que o vilão defende a igualdade (ao seu jeito torto, mas defende) e os supers se acham acima de tudo. O vilão é representado de um jeito meio pateta. Mas ele vai testando sua idéia e atraindo os supers – a cada nova máquina que ele constroi, ele chama um super para testa-la… e assim as máquinas dele vão aos poucos dizimando os supers.
A principal falha do vilão é que no final das contas, ele quer ter o mesmo tratamento que os supers. Tb quer salvar o mundo e ser aclamado por todos. E é aí que o plano dele falha.
E se o Síndrome nunca tivesse mandando a sua máquina para destruir a cidade na tentativa de se passar por heroi? Se ele simplesmente distribuisse suas invenções a todos? Talvez o final do filme fosse outro.. :p
(hum.. invenções inovadoras, com potencial para mudar o mundo como conhecemos, distribuidas gratuitamente para todos? Onde foi que eu vi isso? :p)
Achei bem interessante seu ponto de vista.
Nunca parei para pensar neste filme da forma com que você o analisou e vejo bastante sentido no que disse. A internet tomou um rumo muito interessante ligado a colaboração, o que acaba por gerar o que chamam de “subcelebridades”. Esse termo não é preconceituoso e sim mostra como existem pessoas despreparadas para lidar com o fato de que outras pessoas podem ser mais conhecidas que as outras. O “compartilhamento” de idéias pelos mais variados meios l(blog, twitter, redes e afins) deu as pessoas a chance de mostrar quem são e como pensam, gerando um movimento de agrupamento de ideias convergentes. As pessoas idolatram aquelas que falam o que elas pensam ou acreditam. Poucos são os que leem aquilo que vai contra seus principios algo que considero ruim pois é um dos meios de se formar opinião forte e ter a chance de rever conceitos.
Falando um pouco do papel da internet na educação. Vivo este meio e posso dizer que existem muitos profissionais que tem medo da internet. Medo da concorrencia. Eu, por viver intensamente o mundo virtual incentivo meus alunos a usarem a rede e procuro mostrar como separar o joio do trigo afinal não é porque está na internet que é verdade.
Alunos antenados podem debater e irrequecer a aula. O pensamento e a cultura de que o professor é a pessoa com maior conhecimento na sala é coisa do passado ou deveria ser. O professor precisa se altamente capacitado para debatar e promover o debate de alto nível entre seus alunos.
Vou parar por aqui, o assunto é longo..
Concordo!
E mais, ainda somos super-spores e as pessoas que trabalham com comunicação resolvem eleger um caldo por vez para gritar: é aqui que o povo tá.
Mas a realidade é que nego ta batendo cabeça, todo especialista em midias sociais conhece o twitter, mas nenhum conhece o 4chan, por exemplo. Por isso a comunicação vai continuar como desde sua formação: Olhando para o super umbigo e achando o máximo colocar outdoor no caminho que o presidente faz de casa até a berrini.
Droga! Vim pra descordar mas cheguei aqui e encontrei um ótimo texto.
Ah esquecí de mencionar, eu sou especialista em redes sociais, só não estou ganhando dinheiro dando palestras ainda, mas já ensaiei o meu discurso sobre relevância nas redes.
Abraço
Danilo Salati
Eis meu ponto de vista: Todo mundo que estuda um pouco de sistemas de informação sabe que existem uma linha que mostra a sua evolução em relação a sua criação até implementação completa e seu final. Esta linha é uma parabola, em que determinado momento fica estável quando o sistema chega no limite da evolução. Acho que é isso que está acontecendo agora. Um grande sistema de comunicação, que possibilita integrar todas as pessoas, e não somente grandes grupos, a informação que ela acha relevante, está chegando no limite deste sistema que nós conhecemos.
“Vilanizar” este processo não é um erro, é até uma abstração bastante interessante, mas na minha opinião não condiz com uma série de detalhes que estão ligadas diretamente com o gráfico de sistema que eu ja falei. O gráfico deve ser visto em 3D, com um plano Z cheio de variáveis que são impossíveis de mencionar, que incluem valores humanos até agora não calculáveis. Ou seja, no momento em que estes “parâmetros” humanos façam a diferença dentro deste sistema. Poderemos ter uma quebra neste paradigma e ver que somos todos iguais, sabendo que somos diferentes.
Enfim, é tão complexo este assunto, que nem sei se vou me fazer compreendido pelo que disse. Mas adorei o fato de voce propor esta discussão, e este devaneio em palavras que foi minha réplica.
olá cris. parabéns pelo texto e obrigado, aumentou minha autoestima, afinal, também sou super rsrs. brincadeira a parte, sinto essa “evolução” via twitter. eu pessoalmente aprendi muito com essa experiência de troca. vejo que todo mundo, famoso ou não, tem seus momentos de mau humor, de falar asneira ou de ser genial e como cada um vai lidar com isso. aliás, tem muito cara com zilhoes de seguidores e só fala besteira e outros com meia dúzia com muito conteúdo.
também não vejo problema em um conceito vindo de um vilão. no final das contas tem tanto conceito em evidência criados por vilões e o mundo continua mundo.
mais uma vez parabéns pelo post. abs.
Não posso deixar de filosofar sobre o assunto. Acostumamos tanto a adorar ídolos que esquecemos do universo interior, que somos nós mesmos. Nossos ídolos morrem do mesmo jeito – Michael Jackson não era imortal, não tinha super poderes e era uma pessoa real com problemas reais como qualquer um de nós. A idéia das redes sociais apenas amplificou a voz do indivíduo, que sempre foi falada mas nunca ouvida, pois preferimos ouvir aqueles seres míticos que criamos como “perfeitos”.
Talvez essa “revolução” sirva para nos mostrar que cada um de nós pode fazer a diferença, como de fato fazemos. Nossas ações de fato tocam as vidas de outras pessoas, mudando em escala de acordo com a exposição que nos permitimos dar. Se você se expõem em mídias de massa, obviamente irá tocar muito mais pessoas do que no boteco da esquina. Porém, será que você expõe quem realmente você é?
Cara um de nós é um nó na trama da vida, tecendo efeitos de maneira direta ou indireta a todos os que estão interligados na trama. Efeito Borboleta.
Fernando, esse lance da opinião é bem legal mesmo, mas criou um problema: As pessoas agora acham que podem sentar o pau em todo mundo. Eu gosto quando discordam de minhas opiniões, colocam um outro lado e tal, mas tem gente aí sem ter a menor noção de nada que sai te dando porrada sem embasamento. É o lado chato de termos “poderes”.
Realmente é muito interessante reforçar nossas ideias através de vertentes contrárias às nossas, mas a maioria ainda (simplesmente) idolatra quem defende nossos pensamentos. Os famosos 80% da lei de Pareto.
Abraço.
“A criançada sai achando que quem nasceu super (ou foi mordido por algum inseto radiotativo) merece, sim, ser intocável e os não-supers devem ficar no seu canto.”
Achei isso por muito muito tempo.
Na web os supers são no máximo vigilantes de bairro com mania de grandeza. Ainda existe a ilusão de deter ou ser uma fonte de informação e barganhar alguma notoriedade tentando formar opinião para alguma audiência; qualquer. É uma mímica que adquirimos do que os grandes meios de comunicação fazem com o grande público.
E é uma característica comum na Web. Mas fora a vaidade há um movimento interessante onde os produtores independentes de conteúdo ganham mais audiência, adeptos e notoriedade quando são mais servidores; quando se ocupam em trazer ou criam conteúdo original e interessante ao invés de ditar etiquetas ou “sins” e nãos do que consideram melhores práticas de convivência no mundinho perfeito e de horizonte nebuloso que é a Web.
Esses são os “supers” e a maioria deles prefere se manter longe dos holofotes. São os que vão embora acenando dizendo “Eu só fiz o meu trabalho”. Eles são magnéticos e atraentes sem muito esforço. Não chegam a ter super poderes. Diria que são como o “Batman” – uma pessoa como qualquer outra, que sabe usar a cabeça e os recursos que tem (além de ser meio louco e podre de rico, mas isso não vem ao caso agora). Não chego a discordar da sua opinião; ou concordar. Como a minha, é só uma opinião. E na Web isso é uma gota no oceano.
Abraço.
Parabéns pelo texto!
Tb escrevi sobre essa busca por fama e coisas do virtual no meu blog.
abs
http://eduhonorato.wordpress.com/2009/07/14/o-que-pode-estar-acontecendo-no-twitterlandia-brasileira/
Excelente texto. Mas o que me deixa, realmente, pensativo, nessa cauda longa de Robertos Marinhos, é tentar imaginar como conseguiremos filtrar esse monte de opiniões. Muito barulho termina virando ruído. Hoje, ninguém é um ser humano decente (já disse o luli) se não tiver pelo menos 5 mil ítens de feed não lidos. Eu acho (lembrando de um outro texto seu bastante interessante) que quem está seguindo 10 mil pessoas (seja em blogs, seja no twitter, seja onde for) está se enganando, fingindo estar antenado mas, na verdade, consumindo ruído.
E, quando o Leo Bragança fala que o poder de falar virou, quase automaticamente, o poder de “sentar o pau” em todo mundo, não está muito distante da verdade. Qual a última grande polêmica da semana que não tinha relação com esse mimimi da coisosfera?
E o “especialista” em mídias sociais é um esquema pra ganhar dinheiro em cima de gente mal-informada.
Ando pensando sobre esse assunto (vendo por outro ângulo, mas a idéia é basicamente a mesma) já tem uns dias. Atualmente a fama existe como um objetivo em si, e não como um mérito por alguma coisa. As pessoas querem ser famosas e pronto, sem considerar se merecem ou se fazem algo que justifique isso. A televisão construiu muito disso, acho, enfiando goela abaixo de todo mundo gente como Paris Hilton e Kim Kardashian, que, se você parar pra pensar, não fizeram nada pra merecer a fama que têm. São famosas simplesmente porque existem, são ricas, têm pais influentes, saíram em pornôs amadores que “vazaram” na internet ou coisa que o valha.
Se o caminho das mídias sociais for de fato esse que você aponta, a fama pode voltar a ser algo que só é conseguida com esforço e mérito (na meritocracia informal da internet®), mas essa é a visão otimista. Ou pode ser banalizada de vez, com qualquer scripter sendo alçado ao nível de celebridade, sendo famoso porque é e pronto.
Genial o post.
As ferramentas sociais permitem às massas separarem elas mesmas seu joio do trigo.
Mas infelizmente é cedo para se cantar vitória contra a ilusória fantasia do sucesso. A maioria das pessoas ainda prefere valorizar aqueles que, imbecil ou inteligentemente, “aparecem” mais.
Só a integração definitiva dos veículos midiáticos, em especial a popularização da Web TV, poderá dar fim ao império das pseudosubinfracelebrities. É a seleção darwinista rumo ao reconhecimento genuíno do talento.
Saudações cordiais.
Até que enfim alguém acabou com esse conceito de formadores de opinião à lá Seculo 19.
Boa analogia! Não acho ruim esta ser a idéia do vilão. Até porque os vilões são muito mais interessantes que os mocinhos.
O termo “celebridade” é por si só uma coisa antiga, quando poucos tinham acesso a uma “grande” exposição. “Grande” entre aspas porque hoje também é difícil definir o que é grande e o que é celebridade como consequência.
Sem dúvida, que agora está mais difícil dar uma aula ou alguma palestra com algo realmente novo. No EBP2009, reparou que vários convidados começaram suas apresentações dizendo: “Sei que vocês devem conhecer este case…” Todos sabem muito de pelo menos alguma coisa. Quem se expõe tem que necessariamente saber muito de tudo?
Por fim, temos que assistir mais filmes com nossos filhos e aprender com eles (com os filmes e nossos filhos). Às vezes, o que eles entendem como recado final do filme não é o que imaginamos.
Pois para mim inúmeras vezes o vilão é quem está certo. A própria Watchmen, onde Incríveis se inspirou, o Ozzymandias é apenas um homem comum, sem nada de “super”, ele é apenas muito inteligente e obstinado, coisa que qualquer um poderia ser. Ou seja, qualquer um também poderia ser um Marcelo Tas, usando o exemplo do texto, e não alguém que já tenha nascido assim, por assim dizer. Porque essa gana do ser humano querer ser sempre especial, e apreciado por isso? Pra espécie como um todo, cada um é apenas mais um. Abraço.
Cris, gostei bastante do texto. Porém, uma dúvida me bateu: quando todos forem supers, uns não serão mais que os outros?
Há 20 anos, saber falar inglês era diferencial. Hoje é pré-requisito, e o fator diferencial passou a ser outro. Acho que com a internet tende a acontecer o mesmo: as pessoas tendem a buscar uma referência única, um porto seguro, e isso vai criar os “supers supers”, não muito diferente de hoje.
Dou ponto para o fato de que, diferente da mídia traidicional, o broadcast é de qualquer um que quiser tê-lo, não daqueles que possuem milhões de dólares para criar uma emissora. Mas ainda assim não vejo fim para a difernciação entre “supers” e “supers supers”.
Posso estar em um dia meio pessimista e menos iluminista, mas vamos todos subir um degrau. Inclusive quem estava um degrau acima. O que é o problema.
De bom, vejo a questão que você colocou muito bem sobre os grupos de interesse: tradicionalmente eles se dividiam em Artes / Negócios / Política / Esportes. Hoje, dentro de cada um desses grupos você tem acesso a subgrupos que incharam estupidamente: dentro de negócios você tem 300 subgrupos poderosíssimos com pessoas gigantes capitaneando. Então, ao invés de um Jack Welch você tem 300 Jack Welch, cada um em sua área e com igual capital social.
Acho que ainda falta a ponte para realmente sermos todos igualmente supers, onde vai realmente prevalecer a informação, não o canal. Mas as pessoas ainda precisam de referenciais, ainda que as partes do bolo estejam mais suculentas. Um dia quem sabe…
Bem, creio que os supers precisam ser relevantes, mas nem todas as pessoas conseguem ser relevantes.
Também existem os “supers popularecos” que com uma ajudinha aqui e ali, conseguem virar celebridades virtuais sem ter conteúdo algum. Mas acredito que esses não durarão por tanto tempo.
Ah! Realmente, através do Twitter, vemos que as pessoas que admiramos não passam de pessoas normais, com uma habitos normais, que possuem um emprego público.
Em um mundo em que todos somos supers, alguns acabam se destacando. Por que falar com peixes se você pode ser o Superman? Dai as pessoas começam a inventar artificios para aumentar seus poderes como scripts e qualquer gambiarra que dê um a mais pra ele.
Qualquer métrica que ajude a me destacar do super ao lado é válida, mesmo que eu seja irrelevante.
[...] Na internet, quando todos forem supers ninguém será super » CrisDias weblog [...]
Adorei a analogia, o post e a piada no final (“Você é especialista em mídias sociais? Que coincidência, eu também sou especialista em mídias sociais!!!”).
Não acho que o conceito de formadores de opinião, especialistas e celebridades vai cair. Existe sim a ferramenta para todos, mas nem todos sabem usá-la.
Pode-se abrir nichos, mas um fato é que sempre existirá a pessoa que se expressa melhor, ou a primeira a lançar um conceito, a admirada.
Todos que são espertos já criaram alguma maneira de se manifestar online, mas nem todos conseguirão ter audiência suficiente para se destacar no meio.
[...] Cris Dias Na internet, quando todos forem supers ninguém será super [...]
Disse tudo, Cris. Será que finalmente chegamos ao tempo dos 15 minutos de fama previstos por Andy Warhol?
[...] bem diz CrisDias, na internet, quando todos forem super, ninguem será super, mas há de se observar que quando [...]
[...] e conseqüentemente vilanescas. Esse tipo de profundidade no antagonista é algo que já foi maravilhosamente explorado no filme “Os Incríveis” e encontra um rival à altura em [...]