Jesus é meu centro-avante, nada me faltará

Fervor religioso nos gramados causa constrangimento
Ao ver os jogadores brasileiros ajoelhados rezando no meio do gramado, comandados pelo zagueiro Lucio, um narrador da rede britânica BBC observou que o capitão da seleção “parecia um pregador evangélico pela emoção com que proferia cada palavra”.
No blog da BBC:
Será que a tolerância da entidade teria sido a mesma se ao final do jogo algum jogador mostrasse uma camiseta dizendo “Eu não acredito em Deus” ? Ou se outro fosse um pouco além e gravasse no peito algo como “Essa vitória foi obtida graças ao esforço dos jogadores sem nenhuma interferência divina ou sobrenatural”?
Com centenas de jogadores africanos, vários países europeus temem que a falta de uma punição por parte da Fifa abra caminho para extremismos religiosos e que o comportamento dos brasileiros seja repetido por muçulmanos que estão em vários clubes europeus hoje. Tanto a Fifa quanto os europeus concordam que não querem que o futebol se transforme em um palco para disputas religiosas, um tema sensível em várias partes do mundo. Mas, por enquanto, a Fifa não ousa punir a seleção brasileira.
Sua religião no dos outros é refresco, claro.
Posts sobre religião é audiência e recorde de comentários garantidos. Eu não acho que a Fifa deva punir jogadores que fizeram manifestações cristãs. Punição por causa de manifestação religiosa (qualquer que seja ela) me cheira a censura, e seria tão intolerante quanto a apologia religiosa. Talvez fosse o caso de a Fifa orientar e recomendar que se evitem tais manifestações. E esclareça ao Kaká e ao Lúcio que quem exibe camisetas com inscrições do tipo “I belong to Jesus” não poderá reclamar se um colega de outro time usar adereços com a frase “I belong to Maomé”, “I belong to Shiva”, “I belong to Buda” e assim por diante. De fato, eu acho que o futebol não é instrumento de evangelização ou de apologia religiosa. Mas se os jogadores acham o contrário, deverão engolir quietinhos manifestações de outras religiões. Quando se conscientizarem disso verão o quão inconvenientes são essas exibições, e as manifestações acabarão naturalmente, sem nenhuma necessidade de punição.
Tanta raiva incontida em relação a manifestações religiosas públicas pode significar um “amor mal resolvido” com alguma divindade qualquer. É de se esperar de um ateu, no seu ateísmo, ceticismo e indiferença, jamais mágoa ou ódio no que tange à religiosidade. Por outro lado, manifestações ostensivas de religiosidade podem ter origem na hipocrisia, pois se apela à evidência da autoridade e não à autoridade da evidência. Um Deus não necessita de apologeta. Apesar de que um bom perfume não pode deixar de exalar seu cheiro.