Para entender a Internet: whuffie

3356027263_d83e02fb91Ao final do último Campus Party eu fiquei com uma paranóia: o que construímos de real durante a semana internados no evento? O pessoal da robótica criou um robô usando apenas tecnologias livres. O pessoal do software criou milhares e milhares de linhas de código. E a gente, no Campus Blog? Saí com o gosto de que só construímos relacionamentos, só demos tapinhas nas costas, trocamos cartões e ficamos dizendo uns para os outros como somos importantes no micro-mundinho dos blogs e Twitter. Não criamos nada, achei eu, que pudesse ser visto e usado por quem não estava no evento.

Eis que essa semana fui lembrado que, sim, construímos algo lá mesmo, graças à iniciativa do Juliano Spyer, um dos Grandes Cabeçudos da Internet. Estava eu andando, amalucado, pelo pavilhão quando o Juliano me para: “Quero escrever um livro colaborativo aqui na CParty. Vai se chamar Para entender a Internet e cada pessoa vai escrever sobre um assunto sobre o qual eu a considero especialista.” (ele é capaz de contar essa história com mais detalhes e uma pegada Wikipédia que ele sabe dar) Eu, maluco, topei. Vivo reclamando de falta de tempo e vivo topando essas empreitadas. Ainda bem, você vai ver adiante.

Em 24 horas tínhamos dezenas de textos que empolgaram tanto o Juliano que ele resolveu chamar gente que não estava no evento para ajudar. Um pouco mais de um mês depois aqui está o resultado, um livro com mais de 30 assuntos e autores, de Cultura do remix a Whuffie, o tema que ficou sob minha responsabilidade.

O lançamento virtual do livro foi ontem e qualquer um pode baixar o livro direto no blog que o Juliano montou para o projeto. O livro, você vai ler lá no site, “é também um projeto colaborativo – literalmente – publicado com licença CC e aberto a interferências“.

Whuffie não é, em si, nenhuma novidade. É toda aquela troca que não envolve dinheiro, plata, grana, pila, bufunfa, mas sim reputação e capital social. Espero ter conseguido explicar os conceitos básicos no texto que escrevi apressada e animadamente durante a Campus Party. Vou aproveitar a deixa para colocar aqui, finalmente, o vídeo da minha palestra no Intercon 2008 onde trouxe a palavra para a boca do pessoal, que até hoje me sacaneia: “Ei, Cris, tô precisando pagar meu aluguel com whuffie, comofas?”

Minha apresentação foi a primeira dentro do esquema duas-palestras-ao-mesmo tempo iniciada no Intercon e os cortes durante o vídeo são justamente a parte onde a parafernalha tecnológica engasgou, desculpe a poeira, estamos em obra para servir melhor.

Pretendo falar sempre de whuffie aqui no blog mas se você quiser saber mais agora pode acompanhar o trabalho da Tara Hunt, que tem algumas apresentações sobre o tema no Slideshare e um livro sobre o assunto pronto para sair a qualquer momento. Além, claro, do livro onde tudo começou.

27 thoughts on “Para entender a Internet: whuffie

  1. no fundo, por mais que qualquer amigo que tenho na internet se recuse a admitir, a reputação e o reconhecimento é o que todos desejam alcançar quando criar qualquer conteúdo, por mais tosco que seja, na rede. quem tem a cabeça aberta sabe que esse capital social, que a princípio não adquire nada material, pode levar a muitos lugares.

  2. Puxa mas que mega idéia
    parabéns mesmo, isso é bem interessante e ira colocar em evidencia ainda maior o conhecimento e vivência de vocês na internet
    sucesso.

  3. “E a gente, no Campus Blog?”

    Pois é, você levantou um ponto muito interessante. O que fizemos?
    Vocês figuras carimbadas na blogosfera estavam lá para dar exemplos e ensinar.

    Eu, figura nova nesse meio, estava la para ouvir palestras e receber informações frescas e pontos de vistas diferentes.

    Sem falar em posts registrando tudo o que estava acontecendo na CParty. Nós divulgamos aquele evento!

    Foi após assistir a palestra sobre literatura na blogosfera que veio a vontade incontrolável de fazer um blog sobre o assunto. E sai de la construindo algo (www.onerdescritor.com.br)… se bem que participei de outras áreas também e fiz de tudo da maneira que pude.

    Mas, iniciativas a parte, o lançamento deste livro é bem interessante. Vi a estréia do livro na internet, mas ainda não cheguei a ler. Vou dar uma lida a noite e depois comento algo.

  4. Cris,

    Parabéns pela apresentação clara, instrutiva e divertida nas horas certas.

    Estou impressionado com seu poder de concentração, mesmo com um maluco testando o som enquanto você falava.

    Uma coisa precisa ser dita ao cara com microfone aberto:

    “Não era hora de testar, era hora de escutar”.

    Abraços,

    Montalvo

  5. Tenho procurado parar de fazer comentários que não adicionam muito ao post, mas eu realmente gostaria de te parabenizar pela palestra, Cris! Foi excelente!

  6. Gostei muito da palestra, mesmo ficando com vontade de agredir o idiota que testou o microfone o tempo todo!!!!
    Seria whuffie a moeda para medir a “meritocracia informal da internet”? 😛

  7. Cris, você sempre se superando.
    Gosto muito das suas idéias e me orgulho de um dia ter trabalhado com você.
    Sucesso na sua vida sempre
    Helena

  8. Excelente palestra Cris, mas com todo o respeito: PQP, que era o boçal falando “canal 1, canal 1, canal 1…” sem parar?

  9. Cris,

    Li o livro e deixei o link no Liso-Sapiens pra divulgar, pois, gostei muito do conteúdo. Não conhecia o seu trabalho, mas, agora te acompanho.

    Parabéns!!!

  10. Hello Cris, tudo joia?
    Achei tua palestra muito interessante e obviamente as piadinhas de pagamento de aluguel com whuffie seriam inevitáveis, rsrsrsrsrs.
    Acredito que a questão atual que o whuffie está inserido, inclusive, é justamente essa: como transformá-lo em algo monetário (R$ at all)!
    Não digo que a questão de reconhecimento e capital social no qual o whuffie nos sugere seja irrelevante, muito pelo contrário. A internet nos moldes atuais nos possibilita multiplicar nossos whuffies e assim criar relações de parcerias, trocas bem mais produtivas, que antes seriam inimaginaveis – como você mesmo disse neste capitalismo esquisito que vivemos. Na verdade o whuffie na minha singela opinião volta para a essencia das relações humanas – que é estar e compartilhar coisas, assuntos, e afins dentro de um mesmo grupo de interesse ou ainda, proporcionar conhecimento para grupos que na teoria, não poderiam se “encontrar”.

    A respeito de como tornar o whuffie algo passivel de pagar o aluguel (rsrsrsrs), acho que ninguém tem uma resposta pronta, mas acredito que ao termos um capital social e reconhecimento elevado ou significativo, podemos utiliza-los também de forma lucrativa, mas criar novas formas para isso.
    Neste caso penso numa analogia com a industria fonográfica, que teve que se reinventar por conta da facilidade de downloads free das músicas e consequentemente a queda na venda de discos. Por conta disso, eles tiveram que utilizar o “whuffie” que os seus artistas tinham e focam na busca da lucratividade em outros meios como celulares exclusivos, produção de mega shows (inclusive a Madonna que é mestre nisso, mudou de gravadora tradicional por outra que foca muito bem nessas novas formas) e afins.

    Cabe agora descobrirmos formas novas, como a industria fonográfica fez, para crescermos em whuffies e também pagarmos nossos alugueis, entre outras coisitas.

    Abraços
    @nanda_nogueira

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