O foco da mídia e dos seus leitores na cobertura dos crimes
É covardia comparar a cobertura da morte imbecil do Alberto Milfont Jr. com outros crimes “de rico”. A notícia não está mais na primeira página de nenhum grande site, mas o laudo e investigação de outros crimes contra pessoas de classe média continuam lá, semanas depois do ocorrido.
Mas a culpa, claro, não só é da mesquinharia e opressão dos meios de comunicação. É que rico não se interessa muito pobre morre. Não deixa ninguém indignado, não vende jornal, não dá clique, sabe como é, né?
Atualização: e como muito bem levantou a bola a Bia no Twitter… Será que o fato de que o Alberto morreu dentro de uma das lojas da empresa que gasta 1 bilhão de reais por ano em publicidade vai afetar em alguma coisa a cobertura? Não né? Imprensa isenta, sempre.
Os policiais, que vivem o dia-a-dia da criminalidade, das barbaridades perpetradas contra os menos favorecidos, sabem bem dessa ênfase especial que a imprensa como um todo dá apenas aos fatos relacionados a brancos, abastados e socialmente influentes. Daí certo rancor existente entre os policiais e os jornalistas…
Se fosse aqui no UK, provavelmente ja teriam dado algum apelido para essa historia. Provavelmente estaria nas manchetes e nos quadrinhos do Evening Stardard pela rua “Crime das Casas Bahia: seguranca diz que…” ou, melhor ainda “Morte nas Casas Bahia: seguranca esta foragido,” “Familia de morto das Casas Bahia se queixa do tratamento aos trabalhadores nas lojas.” Mas ve lah se jornal do Brasil vai juntar “morte” e “Casas Bahia” na manchete assim, de bobeira, para perder o anunciante?
A revolta é com o que mesmo??
Imprensa?? A velha mídia blah blah blah aquilo que todos já sabemos.
Notícia de rico sendo assassinado também sai rapidinho da página principal, a menos que seja algo “diferente” (como o caso da Eloá, e da menina que foi assassinada em Curitiba – nenhuma delas de grandes posses diga-se de passagem)
O que aconteceu nas CB é o que acontece TODO DIA em muitas favelas. Ou você acha que o “seguranssa” mora em uma cobertura no Leblon??? Quanto maior o nível de pobreza (de espírito principalmente) e de ignorância, pior é a Joselitagem. Só que se acontece dentro daí não tem problema né… Culpa de ninguém e ai da polícia tentar investigar alguma coisa.
Um segurança estressado (e louco, sem dúvida) também pelo excesso de trabalho (e lógico, um sadismo também) que todo dia encontra “zezinhos” mal intencionados também. Só que o braziu é assim, intolerância onde não se deve compensando a passividade e permissividade geral.
Dica do dia, se um cara tá com uma arma apontada pra você e perguntar se você duvida, não diga que duvida…
Bom, lembremos que no caso da menina morta pelo ex-namorado recentemente, todos os personagens principais eram pobres…
…mas anyway, o caso desses assassinato é infelizmente mais um na sequência de tratamentos brutais que o grande comércio nas cidades dispensa àqueles que não tem cara ou jeito de “bom consumidor”: desde as salas de tort… ops, de segurança dos shopping centers até daqueles hipermercados que em conluio com delegacias sentenciam shoplifters de sonho-de-valsa a meses de prisão.
E muita gente da classe média acha isso normal e necessário.
O que acontece no Brasil é que a imprensa está copiando o modelo falido ( e isso é visível pela tentativa frustrada de se inserir na internet ) do jornalismo norte-americano!
Atualmente vejo que existe um foco muito bom em nossa mídia, proteger o Daniel Dantas! Está em voga agora tentar desmerecer o trabalho do delegado Protógenes, isso é importante. Eloá também foi importante, mas pena que morreu, devia ter esperado mais, renderia mais aos jornais!
Agora esse pobre rapaz aí não colou, a imprensa não está interessada em abordar tal morte afinal a empresa em questão faz anúncios praticamente em todos os canais!
Do Observatório de Imprensa:
Os jornais de São Paulo seguem na trilha do assassinato de um jovem cliente, cometido por um segurança das Casas Bahia. Mas o leitor atento há de sentir falta de algumas perguntas básicas. Discute-se, por exemplo, se o jovem Alberto Milfont Júnior tinha ou não passagem pela polícia, como se isso justificasse o crime ou pudesse ser tomado como atenuante.
Realmente deplorável a tentativa de mudar o foco.
Tsc… Tsc… Tsc…
É no nosso país, é o que o povo procura!