A melhor maneira de acompanhar a Fórmula 1 (e qualquer outro evento ao vivo)

Quando a Internet apareceu os tais especialistas, preocupadíssimos, avisaram que o computador ia nos deixar cada vez mais isolados. A geração do “não sei o nome do meu vizinho” seria consolidada e viveríamos grudados na frente da tela. Como se o fato de uma pessoa morar ao meu lado fosse mais importante do que, por exemplo, seu gosto musical ou preferência política.

Só que com o aparecimento das redes sociais as pessoas acabaram usando a Internet para consolidar seus relacionamentos offline, nem que seja para conhecer novas pessoas com interesses parecidos, amigos dos seus amigos. Se você não pode se encontrar sempre com sua galera para algum evento pode hoje cada vez mais usar ferramentas online para se divertir com eles. Se você mora em um cantão da cidade ou do país onde mais ninguém gosta daquilo que você adora pode literalmente encontrar sua turma por aí, online.

É o que deve acontecer amanhã durante o GP da França de Fórmula 1, quando a galera do Twitter deve se “encontrar” mais uma vez para comentar em tempo real a corrida. Foi o que aconteceu 2 semanas atrás durante o GP do Canadá, que por si só já foi uma das corridas mais emocionantes do ano e que com o uso “sala de chat” do Twitter e ferramentas como o Summize aumentaram a dose de diversão da corrida.

O Twitter é um dos melhores exemplos de ferramentas que vão se moldando de acordo com o uso que a comunidade dá à plataforma. (infelizmente o pessoal do Twitter tem andando mais ocupado resolvendo os problemas causados pela explosão na popularidade do serviço e nenhuma novidade apareceu nos últimos meses)

O site foi inicialmente pensado como uma extensão daquela caixinha “escreva seu textinho engraçado aqui” do MSN e outros programas de mensagem instantânea. Da rua você escreveria “estou comendo um delicioso sushi, vocês deviam provar” e seus amigos seriam avisados via SMS, pelo site e algumas outras maneiras. Os usuários resolveram, logo de cara, esquecer essa “limitação conceitual” e usar o Twitter como micro-blog. O próximo passo foi trazer para o Twitter uma prática já comum em fóruns e comentários de blogs, o arroba.

Como no meio de uma discussão online eu normalmente não tenho como responder a uma pessoa diretamente na interface os usuários desenvolveram uma sintaxe mais ou menos assim:

@João Eu concordo só em partes, acho que o buraco é mais embaixo.
@Maria Nunca tinha pensado nisso...

Ou seja, em vez de ficar perdendo tempo escrevendo “Respondendo ao João… Respondendo à Maria…” o comentarista simplesmente colocava o @, que em inglês é pronunciado “at”, ou seja, meio como “em cima do que o João está falando…” ou simplesmente “para o João…”.

Como no Twitter o espaço é curto (os textos são limitados a 140 caracteres, o limite de uma mensagem SMS) o arroba virou obrigatório nas conversas. Os desenvolvedores do Twitter viram o aumento no uso do truque e facilitaram a vida do usuário: um nome arrobado vira um link para a página da pessoa arrobada e o sistema colocaria um link para o último texto do arrobado, na esperança de meu texto ser uma resposta àquele twitt.

O próximo passo foi dado com as chamadas hashtags. Funciona assim: se eu estou falando da Uefa Euro2008 eu coloco em alguma parte do meu texto o código #euro2008, facilitando a identificação imediata do assunto. O Twitter respondeu com a função de acompanhar palavras-chave (com ou sem o # na frente) pelo Google Talk. Se eu digo ao Twitter track vilago eu sou avisado no GTalk sempre que alguém citar o nome da minha empresa, mesmo que eu não siga aquela pessoa. Mas esta funcionalidade depende de eu estar com o GTalk aberto no momento do envio da mensagem (e depende que a integração Twitter-GTalk esteja funcionando, coisa que não tem sido verdade ultimamente…).

Hora de jogar mais uma ferramenta no molho, o Summize que, junto com outros concorrentes é uma espécie de Google do Twitter, indexando freneticamente os milhões de textos jogados no sistema a cada segundo. É só buscar por coisas como #F1 para acompanhar em tempo real o que está sendo dito no mundo todo sobre o assunto. Adivinha qual o país mais fala sobre cada corrida a cada domingo?

Sempre que uma nova mensagem é lançada o Summize atualiza a tela automaticamente ou emite um aviso, dependendo de como você estiver acessando. Isto é outra vantagem dessa plataforma: você não precisa ver a corrida com o notebook fritando seu colo (mas muita gente faz assim mesmo) pode ficar confortavelmente olhando para o celular para dar risadas com os comentários do pessoal e sacanear as tiradas do nosso ídolo maior, Galvão Bueno.

As imagens que ilustram este texto, resumidas na galeria abaixo, foram capturadas da conversa durante o GP do Canadá. Espero ver a sua lá amanhã. (clique em cada imagem para ampliar)


:: Escrito por Cristiano Dias, dia 21 Jun 2008, 08:59, em Esportes,Nêeerd!,Pontocom.
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