Quando a Clara nasceu ela ganhou vários presentes “para mais tarde”, como roupinhas maiores e bonecas, muitas bonecas. Guardamos tudo na casa da minha mãe e este ano aproveitamos o Natal para dar as bonecas numa tacada só. Este, aliás, parece ter sido o Natal dos brinquedos robóticos, com lançamentos de bichos de estimação robóticos altamente avançados nos EUA e várias bonecas falantes e “inteligentes” sendo anunciadas nos canais de TV daqui.
Fiquei impressionado (para a pior) com essas bonecas. A graça delas é ver todas as palavras que consegue dizer e as expressões robóticas que faz. Eu fico me sentindo um velho ultrapassado e ludista em achar esses brinquedos até mesmo assustadores quando uma boneca pergunta “mamãe, é para eu chorar ou fazer cara de suspresa?” como se isso fosse uma escolha comum no dia-a-dia de uma criança. Os bonecos são vendidos como “humanos”, mas será que são mesmo?
Dentre os pacotes saídas da cápsula do tempo estava uma boneca de pano, presente do Marcos e da Marcela, que faz as bonecas artesanalmente. Eis que a Clara ficou completamente vidrada na boneca, andando com ela para cima e para baixo, de preferência puxando pelo cabelo.
Uma criança, especialmente uma de 1 ano e meio, tem imaginação mais do que suficiente para dar vida a uma boneca, ela não precisa de microchips e servo-motores para complementar (ou estragar) a magia. A questão não é a de que a boneca, por ser de pano, passa alguma coisa transcedental para a criança. Para a Clara o que importa é que a boneca é bonita, colorida, leve, fofinha, cheirosa… e divertida!
Obrigado mais uma vez ao Marcos e à Marcela, espero que fiquem felizes em saber que a Clara tem uma nova boneca preferida e totalmente humana.
Mês passado o pessoal do projeto conhecido como “laptop de US$ 100″ lançou uma campanha nos EUA onde você compra um dos computadorezinhos e “leva” dois: o segundo vai para uma criança em algum lugar “carente” escolhido pela Fundação OLPC.
O Brasil vai gastar zilhões de Narjaras Turetas comprando várias unidades do tabletezinho. Eu quero ajudar, eu quero comprar um, ter um para mim e saber que outro vai ser entregue para uma criança que nunca teria a oportunidade de comprar um. Eu posso?
Enquanto você dormia rolou um vírus no Orkut. Apesar de inofensivo (o código simplesmente se propagava de usuário em usuário) e de eu ter achado o trabalho engenhoso esse assunto é complicado, obviamente, pelo seu potencial maléfico. O tal vírus começou a rolar com força depois da meia-noite, fico pensando no tamanho do estrago se acontecesse durante o dia.
O código maléfico usou o conceito de cross-site scripting (ou XSS para os íntimos), onde você roda código (Javascript) hospedado em um site externo para detonar um site vulnerável. É um daqueles problemas onde os espíritos de porco podem inviabilizar uma coisa boa. O boo-box, por exemplo, é um “cross-site scripting do bem”, já que também é um código Javascript externo que afeta o seu site, mostrando produtos relevantes no seu texto. Cabe aos programadores de sites onde o usuário entra com conteúdo (do Orkut ao Wordpress, sistema que comanda este e milhares de outros blogs) filtrar a entrada deste conteúdo alheio para que não tenha código maléfico. Mas como já dizia Mestre Doctorow, essa é uma luta injusta: os criadores dos sites precisam acertar sempre, em todos os cantos do código, enquanto os furadores-de-bloqueio só precisam acertar uma vez.
Há quem defenda que “ações” como a desta noite tornam os sites mais seguros, expondo suas falhas. Mas é bom lembrar que hoje em dia vírus normal, aquele que infecta seu computador todo, não é mais usado para apagar todos os seus dados ou fazer brincadeiras e sim para transformar seu Windows em um zumbi enviador de spam. É bom lembrar também que, apesar do termo usado pelo Inagaki, o vírus desta noite não infectou seu computador no sentido literal da palavra. O que foi infectado foi sua página de scraps. Pode rodar o anti-vírus que for que você não vai pegar nada (ainda bem). Por definição um programa Javascript não pode acessar dados da sua máquina (de novo, senão os espíritos de porco iriam deitar e rolar).
Tudo indica que a equipe do Orkut já controlou o vírus mas se você é paranóico pode desabilitar o Javascript do seu navegador, mas vai ficar sem poder usar sites mais avançados como o GMail. Usuários avançados über-geeks podem fazer como eu e bloquear o site files.myopera.com, onde o código maléfico foi hospedado, direto no seu arquivo hosts.
Por que diabos as empresas acham que esse sistema de atendimento eletrônico onde você fala a opção desejada, em vez de teclar, é melhor? É pra tirar a gente do sério, cortando a ligação logo no início e diminuindo os custos com call-center? Só pode!
– Não sua máquina estúpida, eu quero “outros serviçooooos”! Argh! (telefone é jogado contra a parede ou batido na cabeça)
Primeiro foi a Telemar-que-agora-se-chama-só-Oi, hoje encontrei o callcenter da NET com esse sistema safado. Qual o problema em teclar uma opção? Vai direto ao ponto e não há como errar. Ou eles acham que os usuários são mais burros do que esse computador e não conseguem nem teclar uma opção? Por favor, voltem para o jeito antigo!
Sexta-feira passada o povo do Twitter devia estar sem muito o que fazer e começou a jogar “Interney facts”, na onda dos já famosos Chuck Norris Facts e até Obina Facts. Por ser no Twitter você via as besteiras acontecendo em tempo real e contribuía por cima.
O Marmota (que, para aumentar a piada, tem blog sob o Interney Blogs) fez uma análise séria e pertinente sobre o viral, reforçando aquela história de que você pode até tentar fabricar um dos tais virais para promover sua marca, mas os bons mesmos são para coisas completamente inúteis como essa (exceto, claro, que a marca Interney acaba de ser reforçada, não que ela precise de mais ajuda).
Para mim o mais divertido é ver a compilação dos melhores fatos (no canto da página), onde você poderá encontrar algumas saídas direto desta minha cabeça avantajada tamanho 42 bico largo, incluindo a última da lista, minha preferida.
PS: O Yogodoshi colocou no ar só a lista, para quem estiver com preguiça e quiser ir direto ao ponto.