Macacos, jornais e blogs

OK, passada a brincadeira… Obviamente o Estadão marcou bola fora. Parece que executivos isolados no alto de seus castelos e torres pediram à agência de publicidade (Talent 1) alguma coisa contra a “perca” de audiência para internet em geral e blogs especificamente e saiu isso.

Obviamente também a blogosfera vai cair em cima e talvez esse seja o plano original do jornal e da agência, jamais saberemos. Mas vamos explicar umas coisinhas, que eu comentei por alto no Brain #9 e no encontro BLS da segunda-feira.

O jornal tenta passar a imagem de que se você precisa de uma opinião exata, isenta, precisa, etc. e blablabla você deve ir ao jornal. O blog pode ser escrito por qualquer um.

É nesse ponto que a campanha erra feio. Um jornal não é escrito por economistas, físicos nucleares ou técnicos de futebol. Todo mundo que escreve um jornal, por força de lei, é de apenas uma profissão: jornalista. Na linha de largada eles são tão amadores quanto qualquer blogueiro. É aí que os blogs saem na frente e dão poeira nos jornais, revistas, etc.: um blog é a informação direto da fonte, sem filtros, interesses e edições. Quer entender o acidente da TAM? Visite um blog de um piloto ou especialista em aviação (desculpe, não conheço nenhum para linkar). Quer entender a crise financeira no mercado imobiliário americano? Vá a um blog específico sobre o assunto. Rock? PHP? Sumô? O blog vai sempre dar uma informação de melhor qualidade.

Não é para isso que serve um jornal. O jornal, mais do que nunca, (e a revista, etc. etc.) passa a ser aquele “resumeitor tabajara” que pega os assuntos supostamente mais relevantes do dia, semana, etc. e, através da rede de contatos que só ele pode ter, apura os fatos, junta tudo, explica numa linguagem leiga e conta a história contextualizada para você. O jornal é onde você vai entender o que diabos é isso que todo mundo está falando. O blog é onde você vai pegar o detalhe e, se você é gostar do assunto, vai continuar acompanhando o que acontece naquela área.

Jornalistas são treinados para isso, para fazer as perguntas certas para as pessoas certas e colocar isso num formato que qualquer um pode entender. Jornalistas são macacos que conversam com crânios e escrevem de uma maneira que outros macacos como nós entendam tudo o que está acontecendo. E não há vergonha nisso, muito pelo contrário, é justamente nessa visão que a “mídia tradicional e oficial” é matadora e vencedora, o motivo pelo qual era vai morrer apesar das notícias exageradas, o motivo pelo qual você devia ler jornal, Estadão ou não. O problema é quando esses jornalistas não só se acham os donos da verdade e da sabedoria e sentem-se ofendidos quando mais gente tenta entrar na roda. Como em uma boa sociedade quadradona começam fazendo leis proibindo quem não é da turma de brincar. Quando o pessoal contorna essas barreiras partem para a ignorância e começam a chamar os outros de macaco.

Eu não estou revoltado, puto, chateado, ofendido nem com carapuça. Eu nunca li Estadão, não moro em São Paulo e não pago por jornal em papel lá se vão muitos anos. Por favor leia isso apenas como um comentário de quem tenta analisar como anda a mídia atual. E ainda por cima tem jornalista por aí chateado dizendo que blogueiro tem preconceito contra a classe. Bom… aí está a resposta.

1 Não merece o link porque acha que o browser pertence a eles e não ao dono do browser, eu e você, redimensionando a janela para ocupar a tela toda.


:: Escrito por Cristiano Dias, dia 10 Aug 2007, 21:45, em Blogs,Imprensa minha,Publicidade.
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