Sair de Cuba
O Alex Castro pediu que eu resenhasse o seu novo livro, Radical Rebelde Revolucionário – Crônicas Cubanas. Mas como demoro aproximadamente 27 anos para ler um livro até o fim e mais uns 3 para escrever a resenha falei para ele não ficar com muitas esperanças. Mas eis que no nosso querido Pan as emissoras de TV (OK, a Globo e sua filhota, Sportv) deitaram e rolaram mostrando a deserção dos atletas cubanos, atletas cubanos maravilhados nos shoppings cariocas, atletas cubanos vendendo as cuecas e, para fechar, histeria cubana com medo de deserção geral fugindo, aparentemente, para a ilha 1 dia antes do programado. (há quem diga que estes movimentos de saída foram friamente calculados)
Sendo assim indico um dos textos do livro onde o Alex explica que esse negócio de que é impossível a um cidadão deixar Cuba é um grande exagero da mídia burguesa.
Essa propaganda contra-revolucionária é foda. Por exemplo, dizem que as pessoas não podem sair de Cuba, o que é a mais arretada mentira. Claro que podem. Assim como qualquer cidadão brasileiro pode ter uma emissora de rádio: basta pedir uma concessão ao governo e pronto. Fácil assim.A primeira coisa que um cubano necessita para sair de Cuba é estar em dia com suas obrigações legais e militares, não estar sofrendo nenhum processo judicial, não dever dinheiro a ninguém, essas coisas. Se já foi oficial das Forças Armadas ou membro do Alto Escalão do governo, esqueça; ele sabe demais. (Provavelmente o maior segredo militar de Cuba é que o arsenal nacional se reduz a um pente com seis balas.)
Analisar a situação de Cuba apenas a partir de 1959 é compreender o problema pela metade. A situação lá é complexa demais. Cuba já foi colônia espanhola, território norte-americano, paraíso da máfia americana na época de Fulgêncio Batista e posto avançado do comunismo nas Américas durante a guerra fria. Com o colapso da URSS e a manutenção do desumano embargo econômico promovido pelos EUA as coisas ficaram bem piores por lá. O embargo econômico parece coisa de um falcão republicano, mas foi imposto pelo democrata Kennedy e transformado em lei pelo igualmente democrata Clinton. Fidel Castro implantou um regime totalitário, um socialismo decrépito, mas nada indica que o país teria andado melhor sem ele. Mesmo assim, houve notáveis progressos na medicina, na educação e nos esportes. Em compensação, opositores foram fuzilados no “paredón”. Fidel é uma figura complexa demais para se julgar com as palavras “bom” e “mau”.
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