Desenho animado do Calvin e Haroldo feito por fã
Serginho manda a dica do Gibizada que aponta para um desenho animado da sempre sensacional tirinha Calvin & Haroldo feito por um fã italiano, desenhista profissional.
o italiano Donato Di Carlo resolveu homenageá-los em um curta-metragem animado de dois minutos e 28 segundos produzido para a Escola de Cinema de Milão. Uma beleza que o autor das divertidíssimas tiras do moleque e seu tigre de pelúcia deve repudiar, já que ele nunca permitiu merchandising de sua criação. No desenho animado falado em italiano e com legendas em inglês, Di Carlo conseguiu capturar com maestria o traço e o espiríto dos personagens
Além de um desenho divertidíssimo essa pecinha também é um bom exercício de copyfight. Como toda lei, a lei de copyright não serve para quando tudo vai bem e dá certo, mas sim quando alguém discorda.
Bill Watterson nunca deixou seu personagem ser explorado por terceiros (e, dizem, vive uma vida meio estilo Salinger). Nunca tivemos desenho animado do Calvin, filme, lancheira, bolo de aniversário, videogame… Quando Watterson decidiu que era o fim, assim foi.
Mas será que uma obra do tamanho e sucesso de Calvin & Haroldo pode pertencer ao autor e aos fãs? Se Watterson não gostar do desenho, ele tem o direito de tirá-lo do ar?
O pior é que a resposta, nesse mundão da Internet sem portera, muda de país para país. Nos EUA o trabalho pode ser considerado como fair use, mas esse é um conceito exclusivamente americano, com suas leis de liberdade de expressão acima de tudo. O Brasil não tem nada parecido com essa idéia, assim como a maioria dos países do mundo. Será que isso é certo? Será que um autor tem direito de impedir que qualquer um meta a mão em suas peças? Será que a vontade de um fã é mais importante do que isso?
Ninguém, até agora, mandou o vídeo sair do ar. Mas a discussão e o exemplo são importantes para entendermos melhor toda essa idéia de copyright. Além de a chance de ver um vídeo divertidíssimo, é claro.
Tô doido pra ver
Eu acho que o Watterson não vai processar. Pelo que parece, ele é bem passivo na questão de direitos autorais - ele até faz comentários sobre isso em um dos livros dele (The Calvin and Hobbes Tenth Anniversary Book): “Only thieves and vandals have made money on Calvin and Hobbes merchandise. ” (p.12).
E se a Universal não está fazendo dinheiro com eles, qual é a lógica de processar?
Ao contrário de outras pessoas que comentaram sobre o desenho (lá no Globo e aqui), e talvez justamente por estar lendo esse livro onde ele expõe os motivos pelos quais não licenciou o Calvin, eu detestei o desenho. Não achei o traço fiel, e detestei a voz do personagem, achei ele meio resmungão, sei lá. Mas é que eu sou ranzinza que nem a Mrs. Wormwood…
Acho que as restrições morais do Bill Watterson não se aplicam ao desenho, que é uma homenagem ao personagem, sem exploração econômica.
Maffalda, achei o traço fiel. Também não gostei da voz, mas é difícil avaliar em italiano. Mas, principalmente, achei a animação dispensável. Não trouxe nada que não fique melhor no formato de tiras. Só vale como curiosidade.
Como grande fã do Calvin (com direito ao mega “The Complete Calvin and Hobbes” direto da Amazon), tenho 4 coisas a dizer:
Calvin e Haroldo não ficam bem com animação. O traço do Bill se perde. Não concordo com o “Di Carlo conseguiu capturar com maestria o traço e o espiríto dos personagens”.
A voz do Calvin não é aquela. Definitivamente.
Pior do que isso, só aquele adesivo com o Calvin fazendo xixi, geralmente colado na traseira de Chevettes.
É interessante conhecer a briga do Bill sobre direitos autorais e uso do Calvin em merchandising. Mas isso é uma longa história. O artigo na Wikipedia dá algumas informações.
Bom, é importante esclarecer que: briga por direitos autorais é uma coisa e produção caseira de desenhos, caricaturas ou animações, é outra.
Quero dizer que, se o desenhista italiano produziu esta animação como uma forma de homenagear seu personagem favorito dos quadrinhos, Bill Watterson tem mais e que se sentir lisonjeado e parabenizar o rapaz por seu trabalho. Um eventual pedido de censura à animação só faria sentido se o autor do filme estivesse fazendo isso com a intenção de ganhar dinheiro em cima do personagem, o que não é o caso.
Sobre o comentário do Fábio:
1) “Calvin e Haroldo não ficam bem com animação. O traço do Bill se perde. Não concordo com o ‘Di Carlo conseguiu capturar com maestria o traço e o espiríto dos personagens’.”
Ora, levando em conta que não foi o próprio Bill quem fez a animação, ela está EXCELENTE SIM! Sem falar que é complicado comparar o traço estático e o traço em movimento. Nunca vai ficar idêntico, ainda mais quando o traço não segue um padrão industrial tipo Disney….
2)”A voz do Calvin não é aquela. Definitivamente.”
Discutível. Aí cada um imagina a voz que preferir, não? Também não é assim que imagino, mas ainda assim, gostei.
3)”Pior do que isso, só aquele adesivo com o Calvin fazendo xixi, geralmente colado na traseira de Chevettes.”
A animação é excelente, mas tenho que concordar que aqueles adesivos são uma merda mesmo, rsrrsrs…..
[...] Cris vai mais fundo sobre o assunto que vale [...]
“Um eventual pedido de censura à animação só faria sentido se o autor do filme estivesse fazendo isso com a intenção de ganhar dinheiro em cima do personagem, o que não é o caso.”
Não necessariamente. Tio Bill poderia simplesmente não gostar história e mandar tirar do ar. É direito dele. Não ter fim lucrativo não faz a menor diferença, apesar de muita gente achar que faz. Um juiz, obviamente, levaria em consideração o fato de ter ou não fim lucrativo, mas por princípio uma pessoa deve pedir autorização ao autor para usar a sua obra. E, claro, eu acho isso errado.