Feira de ciências dá US$ 100,000 a menina-gênio

Eu queria ter mais tempo para escrever sobre isso e queria que esse blog fosse menos “o site da velha chata que fica reclamando de tudo”. Mas deu no NYTimes de quarta-feira que a vencedora da feira de ciências organizada pela Intel americana levou o prêmio máximo por ter inventado um espectógrafo de massa — uma máquina que custa centenas de milhares de dólares — com apenas US$ 300.

E aí volta aquela sensação de derrota pelo Brasil… Digamos que tenhamos no país um adolescente com o pontencial de um dos 40 finalistas da feira americana. Que tipo de incentivo seria dado? Se fosse filho de rico iria estudar no exterior. Se fosse de classe média para baixo provavelmente nunca saberíamos do potencial. E na melhor da hipóteses essa cabeça iria crescer com os nossos valores de que universidade não serve para nada e que para ganhar dinheiro o governo deve dar algum para você, principalmente se você for do Rio de Janeiro, a capital nacional do concurso público.

Lembrei também da história de uma conhecida brasileira que mora na Califórnia. Passamos quase uma semana em sua casa em 2005 e lá pelas tantas veio a inevitável pergunta: “Você não pensa em voltar para o Brasil nunca mais?”

– Eu até penso. Mas eu sou física nuclear especializada num tipo de aparelho que simplesmente não existe no Brasil. Se eu voltasse ia, no máximo, dar aula em cursinho.


:: Escrito por Cristiano Dias, dia 16 Mar 2007, 09:17, em Brasil-sil-sil,Ciência.
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