Feira de ciências dá US$ 100,000 a menina-gênio
Eu queria ter mais tempo para escrever sobre isso e queria que esse blog fosse menos “o site da velha chata que fica reclamando de tudo”. Mas deu no NYTimes de quarta-feira que a vencedora da feira de ciências organizada pela Intel americana levou o prêmio máximo por ter inventado um espectógrafo de massa — uma máquina que custa centenas de milhares de dólares — com apenas US$ 300.
E aí volta aquela sensação de derrota pelo Brasil… Digamos que tenhamos no país um adolescente com o pontencial de um dos 40 finalistas da feira americana. Que tipo de incentivo seria dado? Se fosse filho de rico iria estudar no exterior. Se fosse de classe média para baixo provavelmente nunca saberíamos do potencial. E na melhor da hipóteses essa cabeça iria crescer com os nossos valores de que universidade não serve para nada e que para ganhar dinheiro o governo deve dar algum para você, principalmente se você for do Rio de Janeiro, a capital nacional do concurso público.
Lembrei também da história de uma conhecida brasileira que mora na Califórnia. Passamos quase uma semana em sua casa em 2005 e lá pelas tantas veio a inevitável pergunta: “Você não pensa em voltar para o Brasil nunca mais?”
– Eu até penso. Mas eu sou física nuclear especializada num tipo de aparelho que simplesmente não existe no Brasil. Se eu voltasse ia, no máximo, dar aula em cursinho.
Como trabalho com jornalismo científico na Inglaterra (que parece ser de onde todas as pesquisas bizarras que aparecem na mídia saem), posso contar centenas de histórias como essa – tanto de cientistas brasileiros que trabalham/estudam aqui porque não podem fazê-lo no Brasil quanto de iniciativas do governo ou de empresas pra estimular inovação e pesquisa de dar inveja. Dá pena mesmo.
Cris,
A única coisa que podemos fazer é reconhecer o trabalho de quem tenta fazer algo de bom nesta direção. A feira americana tem uma eliminatória no Brasil há 5 anos.
http://www.lsi.usp.br/febrace/
A feira deste ano acabou ontem.
Camilo
Me sinto menos mal por não ser um gênio encarando a situação real do brasil.
Falando sério, o Brasil é um país de lucra muito com a produção agrícola. Cada vez mais se faz necessário ter cientistas que entendam de genética, para entender, estudar, criar e proibir alimentos transgênicos; pessoas para estudar o impacto das alterações climáticas na nossa produção e criar work arouds ou tirar vantagem disso; entender como as plantas se desenvolvem em agricultura hidropônica e como fazer com que seja possível plantar alface no centro de são paulo…
Fora as pesquisas que poderiam ser feitas na amazonia (afinal lá não deve ser preservado por causa da bio diversidade?) para ver se talvez nós consigamos extrair coisas úteis de lá antes que outros países o façam e ainda patenteiem (alguém lembra do caso cupuaçu?), as pesquisas para se conseguir medicamentos baratos (neste ponto os medicamentos para a AIDS são um exemplo de como as coisas podem dar certo)…
Possibilidades há muitas. Falta os órgãos competentes (e com $$$) acreditarem nelas e acredito que os que acreditarem serão da iniciativa privada ou gringa.
Só não concordo com a parte dos “órgãos competentes”. Chega de ficar achando e esperando que é o governo quem vai resolver nossos problemas. Esse é o verdadeiro segredo do sucesso americano.
Mas realmente no Brasil se eu quero investir em um filho ou filha vou tentar que ele seja jogador de futebol ou ela atriz de TV (vai pro BBB Clara!). Lamentável.
Eu só acho que a capital do concurso é Brasília.
Vim de São Paulo, e tive um choque. Aqui se fala de concurso nos comerciais de televisão. Fala-se de concurso nos almoços. Fala-se de concurso nos butecos. Faculdades são deixadas de ser feitas para que pessoas possam estudar. Estudar para concursos.
Peguei trauma!
Cris,
Como medico-cientista, fica difícil voltar para o Brasil. Eu gostaria de voltar ao Brasil, mas quem vai financiar minha pesquisa ? Não se trata de “os cérebros abandonarem o Brasil”, mas sim o contrário.
[]
Leo
Isso que você disse sobre ser o segredo do sucesso americano…
Lembra do famoso discursso do JFK? “Não pergunte o que o seu país pode fazer por você, mas o que você pode fazer pelo seu país”.
Cientista no Brasil é difícil mesmo. Um amigo físico que esta terminando seu mestrado já esta se preparando para fazer as malas e procurar um país onde ela possa pesquisar e fazer o que gosta porque aqui já foi difícil achar um orientador para o mestrado que não castrasse suas idéias.
Se um cientista quiser ganhar dinheiro no Brasil, é simples: abandone os estudos, malhe até ficar “saradão” e apareça sem camisa no Big Brother.
Acreditro que a sociedade precisa ser mais ativa e organizada. Temos provas e mais provas de que esperar pelo governo ou pelas autoridades competentes não funciona.
Abs!
eu acho que as escolas deviam dar um incentivo a mais para os estudantes muitos tem interesse mas nao tem oportunidade…
Anualmente 18 projetos brasileiros vão à Intel ISEF. E a qualidade dos projetos brasileiros é tão boa quanto a deles. Eu participo da FEBRACE e da MOSTRATEC, e vejo isto. No Brasil, o que falta é um maior incentivo para a o desenvolvimento de ciêcia e tecnologia.
Ontem, 09/03/2010, vi em um jornal televisivo, alguns jovens cientistas apresentarem o protótipo de
um equipamento capaz de dedectar o combustível alterado, seja ele gasolina, alcool ou gnv.
No meu parco conhecimento, achei de grande valia, tendo em vista a corrupção e pirataria desenfreada que tomou conta desse setor.
Todavia, não me causaria nenhuma estranheza que que tal patente caia nas mãos dos corruptos e não saia nunca do papel.
Brasil, país da ingovernabilidade!