Blogueiros, a série

O Caparica é daqueles blogueiros de raiz. Gosta de escrever, pesquisar e filosofar sobre o assunto. Então ele juntou onze blogueiros (eu jogo na lateral direita no time) para conversar sobre blogs em geral e sobre essa história toda de viver sobre blog, mas só o texto de introdução às entrevistas já vale o click. A entrevista foi feita ao longo de dias via instant messenger e nela tentei passar essa idéia que vem me martelando de que o whuffie — a “moeda da reputação” inventada pelo Cory Doctorow — está valorizando mais que petróleo em época de guerra. O whuffie não é melhor nem pior do que Cruzado Real, mas é diferente o suficiente para tentarmos apontar uma mudança de rumo, se ela realmente estiver acontecendo. (há quem diga que whuffie sempre houve e sempre valerá menos que dinheiro vivo, é uma hipótese)

Então teve gente que, parece, não me entendeu direito. Bem normal. Me acusaram de ser contra quem almeja viver de blog. Ora bolas, se eu vivo de hospedar blogs eu quero mais que esses blogs dêem pelo menos grana suficiente para pagar meu boletinho! O que eu questionei foi todo o blablablá de que blogs são lindos e maravilhos por serem isentos, por não sujarem suas mãos com dinheiro. Existem blogs amadores e blogs profissionais. Sendo que profissional e amador é simplesmente um atributo da quantidade de dinheiro gerada e não da qualidade. M’kay?

Eu fiz um podcast inteiro sobre como ganhar dinheiro com blogs. Em nenhum momento disse que ganhar dinheiro com blog é feio e bobo. Eu falei que ganhar dinheiro com blog é difícil e dá trabalho. Se você quer ganhar dinheiro com blog vai ter que se dedicar a isso praticamente de tempo integral, que é o que muita gente vem fazendo. E que talvez você já esteja ganhando com o seu blog, só que não dinheiro mas sim whuffie. É o que eu ganho com o meu (fora a cerveja que o Submarino me dá por conta desses links aí embaixo).

O Cardoso, que se diz incompreendido, fez uma boa comparação: é como se as pessoas que dirigem para a praia (ou seja, por prazer) ficassem indignados com o motorista de ônibus ganhar dinheiro por dirigir. (Sacou? Ele é o motorista de ônibus.) Não é isso. Meu problema é com essa fome que apareceu ultimamente: “Ei, você sabia que tem gente que ganha para dirigir? Você não ganha? Otário!” E de repente essas pessoas que viviam muito bem dirigindo por prazer começam a buscar incessantemente receber por isso, afinal de contas “tem gente vivendo de dirigir”. Só que ser motorista de ônibus é o pior emprego do mundo. Ou você não reparou que no ônibus não tem banheiro?

14 thoughts on “Blogueiros, a série

  1. Acho que esta discussão esta indo para o caminho errado, todos temos algum interesse em manter um blog, seja para ganhar status, ter o seu cartão de visitas ou ganhar dinheiro com ele. Este interesse não importa, contanto que o blog tenha conteúdo atrativo e interessante.

  2. Eu também sou goleiro que nem o Edney. Acho que eu não tinha entendido a sua crítica, mas agora lendo seu post, ficou tudo mais claro.

    Não faço paraquedismos lá no blog porque ia descaracterizar totalmente, já que ele é um blog de tecnologia e gadgets. E a única vez que falei da Cicarelli foi para falar mal, quando ela tirou o YouTube do ar.

  3. Li o texto de ambos. Entendo que um blogueiro que anteriormente escrevia bem, e que agora muda o estilo de escrita a fim de poder incluir propaganda é aceitável até certo ponto. Se a mudança de uma linha vai proporcionar que talvez uma pessoa clique e ele leve uns trocados, por que não fazer isso?

    Agora, tenho plenas certezas, há blogueiro literalmente se vendendo, seja através do Adsense ou dos programas de afiliados. Mudam o estilo de escrita, a temática, a abordagem, enfim, tudo, com o único intuito de conseguir mais clicadores provenientes dos buscadores. Acima de tudo, essa é uma perda de identidade.

  4. Um blog pode ser jornalístico ou não. Se for, tem uma série de parâmetros a seguir. Um deles é que, pelo menos em tese, não deve mudar de rumo para agradar anunciantes. Nem um pouco. Jamais. De jeito nenhum. Há jornalistas e veículos de comunicação que quebram esses preceitos? Claro. Mas há quem quebre regras de trânsito também, afinal. Poder pode, mas não deve.

    Se não for jornalístico, está sujeito ao jogo de seduzir e agradar ao leitor e nesse caso, muda tudo. Há quem faça tudo por uns clics, da mesma forma que existe quem faz qualquer coisa por uns pontinhos de audiência. No fim das contas, tudo está ligado a achar o público certo. Se eu gosto de quem muda de estilo para conquistar leitores? Na teoria, não. Mas na prática, sabe-se lá. De repente, até muda para melhor.

  5. Eu acho que esse “modelo de negócios” não dura muito não. Se o blog “dá suporte” (no sentido de o que oferece ao usuário) à leitura do conteúdo (ou mesmo participação), a conversão ocorre exatamente quando o usuário faz outra coisa que não o que o blog dá suporte, que é o clique em links não relacionados. Isso é no mínimo, estranho.

    Em um site que eu trabalhava, tinha uma política de afiliados, onde quem tivesse um site, poderia colocar nele um banner ou link para o site que eu trabalhava. Algumas pessoas tinham um site sem conteúdo nenhum (não é forma de falar, não tinha nada mesmo), só banners. Meio que tentando a sorte, sabe? “Se alguém entrar e clicar, já ganho”.

    []s!

  6. O final do post é especialmente interessante:
    “Ei, você sabia que tem gente que ganha para dirigir? Você não ganha? Otário!”

    Isso é o que bazicamente têm acontecido na blogosfera brasileira. Imagine você que eu já peguei gente competindo “quem ganha mais por dia com AdSense”…

  7. O pior é quando o cara esquece de que tem que dirigir, e se preocupa simplesmente em fazer a propaganda que está nessa pela grana.

  8. Acho que se temos um site, que ganhemos dinheiro com ele. Nem que seja mínimo. Se somos motoristas de ônibus, que ganhemos dinheiro com isso. Nem que seja mínimo. Tudo pode ser convertido em receita. Portanto acho que se não ganhamos com nossos sites, alguém estará ganhando (o Google, por exemplo, que ao nos indexar melhora seu sistema de busca, na medida que quanto mais conteúdo indexado, melhor para o usuário)… Melhor tirarmos nossa fatia.

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