Onde ficará a isenção dos blogs.br em 2007?

No fim do ano a blogosfera brasileira foi tomada por uma febre maior do que RBD em pré-adolescentes: virar um pro-blogger. Isso mesmo, viver de blogar. Eu mesmo já falei sobre isso em outra ocasião.

Você passeia pelos blogs e começa a ver anúncios do Google em todo canto, inclusive em cima do texto que pretendia ler. O alvo direto são os tais “paraquedistas de Google”, gente que chega procurando coisas absurdas, bate no seu blog porque não sabe usar a ferramenta, clica em tudo que vê e gera os centavinhos.

Monetizar, monetizar. Só se fala nisso, ou melhor, só se pergunta e filosofa sobre isso. Aparecem casos de sucesso aos montes, “eu vivo de blogar”, “pago minhas contas com o blog”, etc. Gente que ganha US$ 1000 por mês com blog. Eldorado. 2007 vai ser o ano do pro-blogger brasileiro. Em dezembro deve sair na Veja, aguarde.

Eu não só não tenho absolutamente nada contra a idéia de receber dinheiro por blogar como já afirmei que, indiretamente, vivo do meu blog. Mas a questão não é essa.

Imagine que você tivesse um leitor cativo, o maior leitor do seu blog. Ainda por cima ele é o mais rico, agradar a esse leitor garante dinheiro no bolso. Se você quer viver do seu blog você faria o máximo para blogar direcionado para ele, não?

Quem for só um pouquinho esperto já entendeu onde eu quero chegar: esse super-leitor existe e atende pelo famoso nome de Google.

O Google passa todo dia no seu blog, dá uma lida, contextualiza e coloca seu site nos resultados das buscas dos tais clicadores tresloucados. Se você tem propaganda no site ele pega tudo isso e traz anunciantes supostamente lucrativos. Agrade o Google, ganhe dinheiro e seja feliz. É impossível resistir, seus textos estão de olho no leitor humano e no leitor robótico. Senha grátis BBB7. Ops…

Mas peralá? E a isenção dos blogs? Será que virou um conceito tãaaao 2005? Os blogs não iam acabar com a mídia tradicional por não terem interesse comercial, por poderem escrever sobre o que quisessem, no enfoque que tivessem, com as palavras e expressões que escolhessem? Se um blog fala bem de um produto é porque o produto é realmente bom e não porque o Submarino paga 8% de comissão se alguém comprar o livro citado. Se um blog só fala sobre turismo é porque o autor conhece e ama o assunto e não porque ter um blog sobre um assunto específico é ótimo para o Google e catapulta as comissões. Se um blog coloca o título do artigo, 3 anúncios logo abaixo (com as mesmas cores do resto do site) e só depois o corpo é porque… sei lá porque. Mas os blogs são isentos! Não têm o rabo preso! Jornalismo cidadão.

Sim, eu provavelmente estou exagerando para me fazer entender. Mas é melhor esquecer essa história toda de isenção absoluta e páuer to the pipou. Inclusive aqui, não se engane. Eu só quero que você hospede seu site comigo, não me encha o saco.

22 thoughts on “Onde ficará a isenção dos blogs.br em 2007?

  1. Eu acho que dá pra unir uma coisa a outra. Dá pra escrever sobre oque se quer sem ser tendencioso, basta apenas mudar algumas frases pra encaixar com uma “busca parquedista” e pronto.

    No meu caso, adSense seria só uns trocadinhos a mais pra comprar gadgets. 😛

    P.S.: O final do post foi ótimo hehehehe. 🙂

  2. Não sei se sou só eu mas a impressão que tenho é que a a maioria dos pro-blogs que assumem isso para os quatro cantos têm tratado desse tema com gradativa freqüência (“como ganhar $”, “sou problogger com orgulho”, etc.) de modo que o perfil de seus leitores habituais é composto majoritariamente de outros pro-bloggers ou pessoas com interesse de se tornar um, ficando aquela mesma concentração de temas e comentários repetitivos. Visitação e retorno com AdSense é claro que terão, pois o aumento do número de paraquedistas é algo que está já acontecendo e beneficiará quem souber aproveitar essa tendência. Acho que só irão deixar de alardear e bater na mesma tecla quando perceberem de que não existe uma panacéia, uma receita de bolo, um passo-a-passo de “como se tornar um pro-blogger de sucesso”. A melhor solução será aquela que se adequar às capacidades e objetivos do blogueiro empreendedor.

  3. Já faz algum tempo que venho acompanhando isso meio que de longe, e ponderando sobre uma opinião. Queria poder formular um texto ou algo que expressasse o que penso,mas ainda não sei. Só sei que a idéia do pro-blogger não me agrada muito, pelos motivos que tu mesmo colocaste, Cris.

    Parece-me que, de repende, a idéia de “go pro”, além de tirar a liberdade de escrita (e ninguém venha dizer que não tira) afugenta o público que está interessado, realmente, nas idéias do blogueiro.

    Um blogueiro-pro, inevitavelmente, terminará por escrever voltado para seu patrocinador e não para seus ideais, como fazíamos no começo dos anos 2000.

    E esse círculo vicioso de um pro escrever para um pro que lerá um pro, vai terminar transformando esses sites em Herbalifes e AmWays. Clique o meu que eu clico o teu.

    Ninguém no Brasil fará como o Kottke. É impossível.

  4. Já virou Herbalife com certeza. E o estouro será enorme. Pode apostar…nâo vai ter “ração” pra todo mundo.

  5. Além do problema da isenção, tem também a questão da qualidade. O conteúdo do blog pode ser bom se ele for direcionado a captar mais cliques nos anúncios? Seria lindo se os blogs fossem realmente, forever, viver sem interesse comercial. Desde que viraram hype, com algum destaque na mídia tradicional e nos veículos mais famosos, os blogs já foram adaptados ao mundo do marketing e do ganhe-dinheiro-com-isso. Seria lindo, mas é utópico, pelo andar da carruagem. Além disso, não há nenhum documento que assegure o compromisso de qualquer blog criado na internet ser isento, imparcial e amador. Porém, é óbvio que haverá sempre aqueles determinados a manter-se distantes desse afã de lucrar em blogar. Uma questão de opção que, bem ou mal, acentua a variedade dos temas, das abordagens e do conteúdo.

    No fim, otimista que sou, acredito que seja possível, sim, aliar qualidade ao interesse comercial. Há muitos veículos de comunicação bons que sobrevivem graças aos anunciantes. Os blogs podem se enquadrar no mesmo sistema.

  6. Conheço alguns blogs que conseguem manter os anúncios mas, ainda assim, ter um conteúdo independente e isento. Essas pessoas já admitiram que o ganho de capital é uma conseqüência do bom trabalho, e eu concordo plenamente.

    Acho que é possível distinguir a área comercial do resto, de modo a não misturar tudo. Já outros blogueiros, que se dizem profissionais, assumem publicamente que querem pegar os cliques das pessoas que chegam através dos buscadores. Não é válido postar apenas pelo dinheiro. A internet é, sim, capitalista, mas não a tal ponto.

    E um bom trabalho naturalmente que gerará os frutos desejados, seja mais cedo, seja mais tarde.

  7. Eu sou um dos que deixam adsense por deixar por que ganho muito muito pouco com aquilo. Motivado pela leitura acabei tirando os dos posts que realmente sempre me incomodaram.
    Agora eu só consigo escrever sobre o que eu gosto (caso contrário não escreveria sobre discordianismo)…Obrigado pela sacudida eu estava precisando!

  8. A própria pulverização dos anunciantes impedem que o blogueiro fique de rabo preso. Claro que ninguém em são consciência vai postar “dicas de como hackear o AdSense”, mas a liberdade (com responsabilidade) ainda é muito, muito maior do que a conseguida em qualquer emprego tradicional .
    E não, escrever só para o Google não é bom. Você escreve para o seu leitor fiel e ganha dinheiro com o paraquedista. Quem vai te colocar nas alturas no Google é o leitor fiel, baseado nos links, trackbacks e outros recursos.

    Quanto à isenção, desculpe, isso não existe. O que mais gosto nos blogs é justamente OPINIÃO.

  9. Minha opinião é direta e franca: se problogger só escrevesse para o Google, blogs como o Contraditorium não teriam tanta fama como o tem.

    Outro pitaco: no meu blog escrevi bastante sobre o caso youtube-cica. Num dos posts sobre o assunto ganhei referência no Terra e na Gazeta do Povo.

  10. Através do Adsense eu descobri, a duas semanas, que o blog pode ser o meu “bico virtual”. Ele está sendo um bom complemento ao meu parco salário de PM no Rio.

    Não faço resenha de produtos, nem faço posts especificos para fisgar paraquedistas. Mas eles existem e também caem no meu blog. E são bem vindos também.

  11. Acho que é possível ganhar dinheiro sim e também penso que a blogosfera tem espaço para todos, ninguém aqui é competidor, apenas uma familia, parece que alguns pensam diferente, mas isso é tipico da natureza humana, do resto, sorte para todos nós.

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