Fallen Dragon

Fallen DragonNo século 24 a humanidade já domina as viagens inter-estelares colonizando vários mundos com suas naves de longo alcance. A colonização, feita por empresas privadas, não se mostrou um negócio muito lucrativo e de todas as empresas somente a Zantiu-Braun continua investindo no “mercado”utilizando-se de uma jogada contábil básica: compram empreitadas coloniais de outras empresas (contabilizando o movimento como uma despesa) e realizam missões de realização de lucros nas colônias, o que basicamente significa chegar no planeta e pilhar os itens mais lucrativos no menor espaço de tempo (maximizando o lucro). Afinal de contas alguém tem que pagar pelos custos de mandar milhares de pessoas e toneladas de equipamento espaço afora. O sucesso da campanha é assegurada pelo que há de melhor em termos de aparato militar, os Skins. Soldados de elite que vestem uma bio-armadura totalmente integrada ao seus corpos e mentes, dando-lhes virtual invulnerabilidade. O Sargento Lawrence Newton é um destes Skins mas suas ações podem acabar mudando totalmente a história da Zantiu-Braun e de toda a espécie humana.

Este é o cenário do romance de ficção-científica Fallen Dragon, do inglês Peter F. Hamilton, lançado em 2001. Num Brasil onde a prateleira de ficção-científica fica escondida o máximo possível da vista (e é composta 90% por sobras de livros de Star Trek e Arquivo X) é preciso apelar para versões em inglês para ler alguma coisa divertida.

Fallen Dragon tenta ser um daqueles romances de ficção-científica “hard” (ou quase), onde a tecnologia é avançada mas não é fantástica o suficiente para não haver diferença entre ela e a simples magia. Forças como a gravidade, inércia e o vácuo precisam ser domadas e até mesmo os computadores mais avançados têm limites (ou quase). Os “ou quase” são justamente por conta de um dos pivôs da história, o programa de computador Prime, que parece mais a versão cibernética do Super-homem, fazendo o que quer e bem entende com outros programas de sistemas que encontra. Mas tudo com uma ótima explicação, claro.

Como todo bom romance de ficção-científica Fallen Dragon é uma grande metáfora da nossa sociedade, um grande laboratório do que somos e o que poderíamos ser. Ao longo da história acompanhamos o personagem principal, Lawrence Newton, em suas andaças pelo universo conhecido. No melhor estilo Lost cada capítulo tem a narrativa no “presente” intercalada com o passado de Newton e outros personagens secundários, da sua juventude como menino rico no planeta Amethi — um mundo gelado que vai sendo terraformado diante dos olhos do jovem Newton — à operação de realização de lucros em Thallspring, paraíso da natuzera que resolve não deixar tão barato assim a segunda invasão de seu planeta. E provavelmente o mais interessante é notar que na história não existe claramente o mocinho e o bandido. Logo no primeiro capítulo nosso herói planeja ganhar um “por fora” na invasão do planeta (ato que, por si só, já coloca sua empresa como vilã) e ao visitar cada planeta durante sua carreira vai percebendo (e nos mostrando) o quanto a vida levada por cada cultura é apenas uma questão… cultural, sem fórmula perfeita para todos os humanos. Temas como sistemas políticos, consumismo, o impacto da tecnologia em nossas vidas e até um pouco de vegetarianismo vão sendo abordados sem que nada seja esfregado na cara do leitor.

O livro foi uma recomendação de Steve Gibson co-apresentador do podcast Security Now. Apesar de um pouco longo demais, mantém sempre o leitor interessado no desenrolar da história e no quanto o universo de Fallen Dragon é igual ou diferente do nosso. A história pode não ter a beleza de clássicos como a saga da Fundação mas é uma leitura altamente recomendada para os fãs de ficção-científica procurando novidade para ler.


:: Escrito por Cristiano Dias, dia 11 Nov 2006, 16:40, em Livros.
© 2000-2008 Cristiano Dias. Alguns direitos reservados. Só alguns, não se preocupe.
Based on a tbeseda & 5ThirtyOne design. doismidela primeraza
RSS