Lula reeleito
Uma coisa é certa: continuaremos a ouvir expressões grosseiras como “despreparado”, “analfabeto” e “corja do PT” por mais uns 4 anos. Acompanhadas, claro, de capas da Veja mostrando como o Brasil é um péssimo país para se viver.
Muita gente vai dormir incomodada hoje.
De qualquer forma, hoje o preconceito perdeu.
Ainda bem…
Pois é, minha preocupação é só sobre a governabilidade do Lula nestes 4 anos. Espero que os políticos esqueçam as eleições e seus partidos, para pensar no povo.
Carlos, o preconceito perdeu, de novo. :).
Na boa, o Lula está se elegendo numa situação melhor que a de 2002. Melhor base parlamentar, maior numero de governadores aliados e uma derrota clara de seus adversários mais ferrenhos - o PFL elegeu apenas o governador de Brasilia, essa cidade com mania de estado. E isso porque o cara é um tipo de lider religioso daqui. Ele podia ser até do PCO que ganharia.
Além disso, teve a vitória de 60% a 40%, arredondando e esse fato raro do Alkmin ter perdido votos para o Lula.
Sim, os alarmistas de plantão vão de dizer que base não conta, que na hora do vamos-ver é diferente, etc. Mas ninguém pode negar que a situação de início é BEM melhor que a de 2002.
Não concordo com a questão “preconceito”
Preconceito tá aí, é um “pré-conceito”, uma idéia antes de se conhecer a realidade.
E a realidade de ambos já é bem conhecida.
Se votaram ou deixaram de votar, com certeza, não foi por “pré-conceito”
E que legal, o importante é votar em Lula para “azelites ficarem incomodadas”, legal mesmo…
Hummm, Cris, quanto a isso, vc tem toda razão. Aliás, tudo continuará igual. Afinal, todas as nossas oposições sempre tiveram a língua afiadamesmo … Se bem que nunca se teve tanto material pra reclamar quanto agora, mas isso é outra questão.
E ao companheiro (do presidente) Carlos Merigo, a sua visão parcial do momento político lhe traiu, permitindo nada além de uma análise leviana da situação. A verdade é que o preconceito venceu, sim. Explico. A intolerância, a suspeita, o ódio irracional, não existem somente contra os ignorantes, ou alcoolatras ou vagabundos. De fato, qualquer característica que pode discriminar alguém, pode ser alvo de preconceito. Assim, diante do fato de o cadidato do PSDB fez a sua carreira política única e exclusivamente em São Paulo e por isso só era conhecido pelo povo daquele estado, o competente marqueteiro do PT (aquele que recebe seu pagamento num banco de um paraíso fiscal, longe das garras do fisco e da verificação do TSE) explorou esse desconhecimento do restante da população brasileira, atribuindo-lhe políticas de outro quadro do seu partido e conclamando os covardes com o poderoso jargão “Não troque o certo pelo duvidoso”. O preconceito pode ter sido vencido a quatro anos atrás, quando José Serra perdeu utilizando exatamente esse jargão, mas que não colou, pois todos já estávam familiarizados com aquele canditado do PT que concorria desde que existem as diretas e mais até, todos já estávam apaixonados pelo personagem lulilnha-paz-e-amor ali criado, mas não nessa eleição de 2006. Nessa, o preconceito venceu.
Ai, ai, ai. Como isso me cansa. Dizer pra mim que o Lula pagou marketeiro com dinheiro de caixa 2 não muda em nada minha opinião sobre os projetos do PT, porque o Alckmin, o Serra e o FH usam exatamente os mesmos expedientes.
Dizer qu eo Alckmin tem que entrar e o Lula sair por causa do mensalão, ignorando que o governo FH comprou votos na maior calma, é ridículo.
EU não acho que esses erros são louváveis. Eu gostaria de um governo em que isso não acontrecesse. Mas usar isso como argumento contra um candidato e depois me dizer que vai votar em um cujas práticas em nada têm de diferentes me soa apenas como irritação pessoal. COmo implicância.
O fato é que ninguém discute políticas desses candidatos. Eu ia ficar muito feliz se me dissessem que não gostam do Lula porque discordam da mania do PT de ligar pouco pro déficit público. EU queria ver alguém que dissesse que vota no Alckmin porque quer um Estado mais magrinho, mais enxuto, sei lá. Qualquer coisa prática.
Eu não tomo café com o Lula nem com o Alckmin. Para mim, o que importa é o projeto que esses caras têm pro Brasil. Essas ofensas pessoais são apenas sinal de que não há nenhum motivo racional para odiar o cara. Tudo se resume a não gostar da cara dele e ficar procurando motivos e argumentos que não se sustentam.
Bom…o Alexandre disse tudo
[...] Mestre Alexandre, do alto de sua sabedoria, manda nos comentários: Eu não tomo café com o Lula nem com o Alckmin. Para mim, o que importa é o projeto que esses caras têm pro Brasil. Essas ofensas pessoais são apenas sinal de que não há nenhum motivo racional para odiar o cara. Tudo se resume a não gostar da cara dele e ficar procurando motivos e argumentos que não se sustentam. [...]
Primeiramente, preciso confessar que já tomei café com ambos, apesar de nenhum dos dois ter realmente tomado café. De qualquer forma, não foram só esses momentos que determinaram a minha preferência pelo Alckmin pra comandar política e administrativamente o Brasil.
Caro Alexandre Maron, não se canse da discussão política. Mantenha seus olhos, ouvidos e cérebro abertos aos fatos e pense bem no que vc defendeu.
Marketing. Uma coisa é o cara ir à CPI mais pop da história do Brasil e reconhecer que recebia grana do PT num paraíso fiscal. Outra é vc ouvir um bando de acusações levianas e repeti-las como se fossem verdades absolutas. Brother, o PT vai sempre ser o perseguido? As CPIs só se formam para investigar membros do PT? A PF vive para seguir e punir membros do PT? Os jornalistas todos só implicam com o PT? Tudo que o Lula fala é verdade? Todas essas crises são armações das elites pra derrubar PT? Todo mundo é realmente corrupto no Brasil? Deixa eu lhe falar uma coisa: “Não importa o que o PT está dizendo, caixa dois pra pagar marketeiro não é praxe de político sério nem aqui nem na lua”.
Mensalão. O Lula tem que sair sim por causa do mensalão. Fraudar a democracia não é uma coisa ridícula. É uma pena que pense o contrário.
Erros. Não são erros. Não é possível que alguém ainda engula essa ladainha do Lula! Pior ainda é repetir. Acorda! Não são erros. São crimes. Não é implicância pessoal. José Dirceu foi mesmo indiciado por corrupção ativa. Delúbio Soares foi mesmo indiciado por falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, peculato, corrupção ativa, crime eleitoral e pelo crime do art. 89 da Lei 8.666. José Genoíno foi por falsidade ideológica, corrupção ativa e crime eleitoral. Luiz Gushiken, por tráfico de influência, corrupção ativa e pelo art. 89 da Lei nº 8.666. Henrique Pizzolato, por falsidade ideológica; lavagem de dinheiro, peculato, e pelo art. 89 da Lei nº 8.666. Silvio Pereira, por tráfico de influência e pelo crime do art. 90 da Lei nº 8.666. Antônio Palocci foi denunciado pelo MP pelos crimes da máfia do lixo de Riberão Preto. E nem vou falar em Marcos Valério, Duda Mendonça, Gilberto Cardoso, Freud, …
Políticas. Realmente é fato que pouco se discute as políticas dos dois candidatos. Mas também não pode se ignorar que há muito tempo já, não existem mais ideologias puras por trás dos partidos. Os últimos 12 anos foram marcados por políticas econômicas de dar inveja a qualquer conservador de direita, as quais conviveram tranqüilamente com 3 recordes seguidos de gastos com medidas sociais. Alckmin disse que faria mais, com mais competência e exigindo menos dos nossos bolsos. Apresentou propostas concretas. Gastou, inclusive, mais tempo com elas em suas propagandas eleitorais do que com os ataques à corrupção do governo Lula. Mas isso vc não viu, viu? Sem falar que ele ainda teve que se defender e tentar desmentir o MANIFESTO ANTI-ALCKMIN. Lembra dele? “Vai acabar com a bolsa família”, “vai privatizar o Banco do Brasil a Petrobrás e tudo mais que o FHC não conseguiu” e outras coisas do tipo.
Ofensas pessoais. Não aceito o argumento de que ética não é assunto pra se discutir na campanha. É sim. Ética é muito importante. Afinal de contas, a nossa sociedade é muito corrupta sim, e o dinheiro subtraído dos cofres públicos (nossos bolsos, portanto) pela corrupção, ele não volta.
Preconceito. E não me venha falar que é preconceituosa essa discussão. Eu não admito isso. O comentário que me fez escrever aqui, de que quem não vota no Lula é preconceituoso, é tão ridícula quanto a de que quem não vota no PSDB é ignorante. Entretanto admito que, diante da dificuldade de se conversar civilizadamente com lulistas militantes, que nunca dispensaram as oportunidades para apelidar o Alckmin de picolé-de-chuchu, mauricinho, fascista ou protofascista, silas (do Código da Vinci), filhote-da-ditadura, etc, eu tenha ficado realmente receoso de iniciá-las e relevanto a questão: Alckmin e seu eleitor também não podem ser alvo do preconceito alheio?
Motivos racionais para escolher Alckmin. Havia sim. Bastava não ignorá-los.