Lula reeleito, capítulo 2

Mestre Alexandre, do alto de sua sabedoria, manda nos comentários:

Eu não tomo café com o Lula nem com o Alckmin. Para mim, o que importa é o projeto que esses caras têm pro Brasil. Essas ofensas pessoais são apenas sinal de que não há nenhum motivo racional para odiar o cara. Tudo se resume a não gostar da cara dele e ficar procurando motivos e argumentos que não se sustentam.

Uma coisa que achei bem curiosa da campanha do Alckmin foi que em nenhum momento ele disse “Eu vou fazer a economia do Brasil crescer fortalecendo os empresários. São eles que geram empregos e eu acho isso melhor do que ficar dando cheque-marmita para pobre. Se temos empresas fortes no Brasil temos mais empregos e ninguém precisa de programa assistencial.”

Veja que essa é a visão econômica considerada “de direita” e que é, em tese, a opinião que eu como empresário apoio. É uma abordagem válida para o problema e é como o PSDB encara a economia. Mas em nenhum momento o candidato-careca-de-fiapo teve a coragem de dizer isso abertamente. Pelo contrário, ficava dizendo no programa político. “Vamos aumentar o Bolsa Família”. Sabia que não ia ficar bem na fita se dissesse isso, então achou melhor fazer pose de esquerdinha, traindo até mesmo quem votou nele por acreditar que é assim que se faz um país crescer.

O mesmo para o caso das privatizações. Não acredito que ele fosse privatizar Petrobrás e Banco do Brasil (e não sobrou lá tanta coisa mais para privatizar depois da passagem do FHC), mas fazer cara de ofendido com a insinuação de que ele é de um partido “privatista” foi chamar a gente de idiota.

Mais a cerejinha no bolo de ter vergonha de mostrar o FHC na campanha… dá pra explicar porque quase dois milhões e meio de pessoas mudaram de idéia no que votaram no primeiro turno.


Conta pra menos

Em fato raro, Alckmin recebe menos votos do que no 1º turno

Isso é que é marketing político, o resto é brincadeira! Vamos colocar de outra maneira: teve (muita) gente que votou nele no primeiro turno mas, pensando bem, achou melhor votar no Lula, o tal despreparado, corja e ladrão, no segundo.

“Nossas pesquisas mostram que 14% dos eleitores que votaram em Alckmin no primeiro turno migraram para Lula”

Deve ter sido porque a campanha do querido penteia-o-cabelo-sobre-a-careca esqueceu de dizer como ia fazer para melhorar o Brasil e só ficou perguntando de onde veio o tal dinheiro do dossiê *cof* *cof* fajuto.


Lula reeleito

Uma coisa é certa: continuaremos a ouvir expressões grosseiras como “despreparado”, “analfabeto” e “corja do PT” por mais uns 4 anos. Acompanhadas, claro, de capas da Veja mostrando como o Brasil é um péssimo país para se viver.

Muita gente vai dormir incomodada hoje.


Long Tail is so 2005

Chris Anderson Strikes Again: The Economy of Abundance

Continuing in his role as shirpa of the new economy, Chris has moved on from the Long Tail to a related but distinct idea that he is calling the Economy of Abundance. (…) The basic idea is that incredible advances in technology have driven the cost of things like transistors, storage, bandwidth, to zero. And when the elements that make up a business are sufficiently abundant as to approach free, companies appropriately should view their businesses differently than when resources were scarce (the Economy of Scarcity). They should use those resources with abandon, without concern for waste.

(mais pra tirar a poeira do blog mesmo…)


Lembre-se: downloads de séries prejudicam os artistas

Rodrigo Santoro vai baixar Lost da Internet

Outros atores da série (que não moram nos EUA) já declararam que baixam episódios da série no dia seguinte da exibição nos EUA.

18 Oct 2006, 11 comentários.
:: TV

Este post foi escrito por Arnaldo Jabor

Qualquer besteira da Internet que quer parecer “inteligente” atribui sua autoria a Arnaldo Jabor, supostamente a pessoa mais inteligente do país.

18 Oct 2006, 19 comentários.
:: Brasil-sil-sil

Nobel da paz para quem dá dinheiro

O ganhador do Prêmio Nobel da Paz deste ano, Muhammad Yunus, fez sua “fama” com um programa de microcrédito na Ásia, ajudando a população ultra-pobre de países como Bangladesh. Quem mais usava seu esquema de “emprestar pouco dinheiro é melhor que nada” eram mulheres que, com o dinheiro, compravam celulares. Algumas usavam o telefone para ajudar nos seus pequenos comércios (a ótica mostrada pelo Jornal Nacional, aliás). Mas a maioria usava mesmo o celular para alugar para outras pessoas num esquema “a varejo”, cada pessoa paga por ligação (mais ou menos como os caras que vendem cigarro por unidade nas ruas do Rio). O esquema deu certo e com o dinheiro arrecadado as micro-micro-empresárias alavancaram outros negócios.

O leitor vai ter que desculpar, mais uma vez, meu cinismo. Mas uma coisa dessas no Brasil ia logo sair na capa da Veja como “dinheiro de programa social é usado para comprar celular”. Todo mundo ia cair de pau sobre como o dinheiro é usado para a exploração de outras pessoas, bla bla bla.

E nessas e outras o Brasil continua sendo o país onde “empreendedorismo” ainda é palavra desconhecida. Pelo menos oficialmente, claro. Afinal de contas 50% do nosso dinheiro circula no mercado informal, também conhecido como “pessoas que resolvem correr atrás”.


És nesta sesta-fêra!

Lo dia internacional de hablarse portuñol

Quien biber, berá.

10 Oct 2006, 9 comentários.
:: Olha isso!

Por que a Wikipedia é melhor do que qualquer enciclopédia?

Porque tem um verbete sobre a palavra favorita do Samuel L.Jackson.

“Motherfucker” has taken on additional meanings through continued use. It has come to mean a formidable or inexorable force, as in the threat: “Payback is a bitch, but revenge is a motherfucker.” It is also an expletive expression of disgust or contempt: “Now, isn’t that a motherfucker!” “Motherfucker” also has come to be used in some circles as a general pronoun.

Jules: I want you to go in that bag, and find my wallet.
Pumpkin: Which one is it?
Jules: It’s the one that says Bad Motherfucker.

10 Oct 2006, 4 comentários.
:: Pontocom

Festa isenta da democracia?

Depois quero escrever melhor sobre o debate de ontem. Mas agora fiquei na dúvida se realmente houve debate ontem ou se delirei. Afinal de contas segundo o Jornal Nacional a campanha presidencial teve um fim-de-semana calmíssimo.

9 Oct 2006, 14 comentários.
:: Eleições

Lost, começou a terceira temporada no mundo todo

Compre agora a terceira temporada de Lost em DVD e leve junto brindes super-legais.

Lost, primeiro episódio da terceira temporadaSexta-feira é dia de… passar o dia todo na Lostpedia (que já tem até sua versão totalmente em português) vendo cada detalhe do primeiro episódio da terceira temporada de Lost. Coisas que só os über nerds conseguem ver, como o número de série do CD colocado por Juliet na primeira cena.

Aliás a primeira cena me deixou de cabelo em pé e achei que o resto do episódio ia arrasar. Tolo mortal, foi um tradicional episódio de Lost onde muito se disse nada foi explicado. E isso porque os caras tinham prometido arrasar nessa mini-temporada de seis capítulos direto na veia, toda semana.

Ontem Lost foi, para os americanos, o assunto da Internet. Se hoje for o assunto no resto do mundo vai mostrar como é cada vez mais impressionante a penetração do download de séries de TV no mundo todo. Certo ou errado do ponto de vista legal é um movimento sem volta. Todo mundo sempre disse que a Internet ia quebrar as barreiras globais mas os empresários só conseguiam ver o lado bonitinho de “idioma” e “democracia”. Um produto digital interessante o suficiente para alguém é rapidamente enviado de um lado ao outro do planeta sem a menor preocupação com regiões de marketing, direitos de distribuição ou minúcias que só interessam a quem vende o produto e não a quem consome. O fenômeno é global e em mão dupla. Em 2004 fãs americanos viram a série Battlestar Galactica via Torrent antes de ela estreiar em seu país, via a captura de colegas ingleses que, por um acerto comercial entre os produtores da série, tiveram o programa estreiando antes nas suas TVs. Houve quem apontasse ali a morte da TV como conhecemos.

Segundo o Marcelo Cabral o vídeo com o episódio já estava sendo ferozmente compatilhado três horas depois do fim do episódio (1:30 lá, 2:30 aqui). A legenda em português saiu às 5:30 da manhã, horário brasileiro. O site dos criadores das melhores legendas da série caiu sob o peso dos milhares de fãs. Como os torrents oferecem serviço de RSS você não precisa nem estar acordado para comandar o download dos seus episódios favoritos.

Com aparelhos de DVD suportando o formato de vídeo usado nos downloads e as legendas “amadoras” com qualidade superior às profissionais (as legendas da série House M.D. são revisadas por um estudante de medicina) o processo vai ficando cada vez mais fácil para que o usuário leigo em geral veja o conteúdo que quiser. Enquanto isso os executivos ficam decidindo qual a melhor hora de lançar um serviço de DVR no Brasil, como se ainda estivéssemos no século onde os empresários tomavam as decisões pelos consumidores.

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6 Oct 2006, 11 comentários.
:: Nêeerd!, Pontocom, TV

Este não é meu melhor lado

Quando eu era criança minha brincadeira favorita era “rádio”. Eu pegava o som incrementado do meu pai, ligava dois toca-discos (um era o aparelho semi-profissional do meu pai, outro era minha vitrola vermelha da Philips) no mixer Pioneer, falava no microfone e gravava tudo em fita, que 99% das vezes não eram ouvidas: o legal era gravar. Nas festas da família eu era o DJ. Em um natal na casa dos meus avós cheguei a levar meu “estúdio” completo, preparei script e, claro, nada saiu como previsto. Na adolescência cheguei a fazer curso técnico de radialismo mas nunca exerci a profissão, fui direto “trabalhar com computador”.

Ano passado explodiu de vez a febre dos podcasts, que justamente foi puxada por um ex-VJ da MTV ególatra que queria ter de novo sua rádio pirata. Como eu já tinha largado a vitrolinha resolvi, também, fazer meu podcast e ninguém melhor para chamar para a brincadeira do que meu sempre-sócio Alexandre Maron.

Depois de muito encher o saco para gravar o programa mandei um ultimato por email: “Esteja na frente do computador no próximo domingo, 17h”. O resto é história.

Neste mês em que comemoramos, então, 1 ano de RadarPOP (que deveria ser semanal mas que teve uns 20 episódios a menos do que deveria) resolvemos aproveitar minha passagem por São Paulo e fazer uma graça. Era para a graça ser maior, com festa e confete, mas ficou sendo mesmo uma edição em vídeo (a segunda) onde você poderá ver nossa cara feia acompanhando as besteiras costumeiras.

RadarPOP 1 ano, em vídeo

Fazer o RadarPOP neste um ano não foi só prazeres. Em geral minha irritação vinha nos atrasos em gravar o programa, com os envolvidos (incluindo eu mesmo, é claro) furando em cima da hora. Mas é claro que as alegrias dão de lavada senão, afinal de contas, não estaríamos no número 34.

Meus parabéns e agradecimentos ao Alexandre, que sempre almejou que o RadarPOP fosse mais do que “dois nerds falando em um microfone”. Com seu preciosismo e ambição hoje o programa tem uma cara menos amadora e, juntos, fomos aprendendo a dominar a ferramenta. Além, claro, de ele ser o cara que realmente entende do assunto, eu sou só um bicão.

Outro abraço para a Nicole, corretamente chamada pelo Alexandre de “banco de reserva de luxo”, que nos ajudou em tempos de compromissos profissionais, casamento, férias, filho… e ainda atraiu a macharada nerd ainda mais para o programa. Eu gosto muito do formato “dois caras e uma garota” comum nas rádios americanas, mas agendas e fuso-horários acabaram inviabilizando a execução.

Então apague as velinhas, abra o YouTube e venha ver o programa especial de um ano. Espero que seja tão divertido para você ver o RadarPOP quanto é fazê-lo.

3 Oct 2006, 1 comentário.
:: crisdias.com

A volta do espírito de porco

E o Orkut volta a ser infestado por spammers. Sempre tem alguém que acha que pode tirar proveito de uma coisa legal sob a bandeira do “só estou tentando fazer o meu trabalho”. Mas triste mesmo são os “manuais” do tipo “como fazer propaganda de graça usando o Orkut”. Muito usado por alguns candidatos nesta eleição.

Aliás parece que quase todos os candidatos bizarros foram ridicularizados nas urnas.

O exótico mais bem votado foi Roberto Salum, candidato a deputado federal por Santa Catarina. Teve 71.864 votos, mas não se elegeu. Seu discurso era agressivo: “Pegou cadeia, vai dormir no chão. Direitos Humanos? Não gostaram, levem para casa.” Não deu certo.

Eu digo quase todos porque os eleitores de São Paulo mais uma vez praticaram o “voto da putaria”. Na última eleição levaram o Enéas Doido mais cinco figuras ao Congresso. Agora elegem Clodovil e Maluf e ainda vêm tirar onda de que carregam o país nas costas. Ontem no Jornal Nacional:

— Deputado-eleito Clodovil, o que o senhor vai fazer logo que começar seu mandato?

— Não sei.

Não é de se espantar de um cara que tinha como “plataforma” de campanha “quando eu chegar lá vocês vão ver só”. (a piada-pronta com plataforma já foi usada pelo próprio candidato, eu não preciso usar aqui)


Nem a mãe

Peraí, ninguém votou nesse cara? Nem ele?

Rui Costa Pimenta com zero votos?

Atualização: todos os votos do candidato foram considerados como nulos.

2 Oct 2006, 10 comentários.
:: Eleições

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