O carro de som eleitoral e seu quebra-cabeça sonoro
Morar em uma das ruas mais movimentadas do bairro nos dá direito a ouvir todos os carros de som desta campanha várias vezes ao dia. O pior é que essas porcarias devem dar votos, porque o que tem de candidato por aí usando dessa arma. (trocadilho proposital)
Nosso jingle “favorito” virou um quebra-cabeça. A cada nova passada descobrimos um novo trecho da letra, que é cantada em porteirês.
Primeiro achamos que era: Meu num é trintetê-sessenteum… Meu num é trintetê-sessenteum… Deputado estadual. No federal, eu vou votar. Meu numé trintetê-sessenteum… Meu num é trintetê-sessenteum…
É federal ou estadual? Deve ser federal, que tem 4 números…
Depois a Anna entendeu melhor: Meu num é trintetê trézents e um… Meu num é trintetê trézents e um… Deputado estadual. No federal, eu vou votar. Meu numé trintetê trézents e um… Meu num é trintetê trézents e um…
Resolvido o mistério! É estadual! Mas e esse federal, quem é? Quem nosso candidato-cantor apóia para deputado federal e diz que vai votar? E qual o nome do misterioso candidato? Afinal de contas ninguém é só um número não é mesmo?
Precisou o carro passar de novo dessa vez com uma cantora ao vivo (ainda em porteirês) para esclarecer: Meu num é trintetê trézents e um… Meu num é trintetê trézents e um… Deputado estadual. Zé Geraldo, eu vou votar. Meu numé trintetê trézents e um… Meu num é trintetê trézents e um…
Achou que acabou? Claro que não. Para escrever esse post fui no Google ver se o tal Zé Geraldo tinha site. Não tem e o nome dele é José Everaldo. ![]()
E o que é pior: fica na cabeça!
Rararararara! Minha barriga doi de tanto rir!
Por mais chato que seja eu sempre me diverti punk com esses carros
Proibiram os galhardetes (funcionou) e a propaganda fixa (não funcionou, há vários cartazes espalhados na cidade, em minioutdoors). Mas deviam proibir esses carros de som. Se fosse implantado o voto de rejeição no Brasil, aquele em que você escolhe alguém pra NÃO ser eleito, todo candidato que se utilizasse do megafone ambulante entraria na lista.
O pior é que essa música fica literalmente implantada na cabeça. Isso pq o tal Zé Geraldo vem tentando se eleger já faz um tempinho. Nas últimas eleições era vereador, eu acho. Na musiquinha de campanha ele só trocava o cargo.
Esses carros de som são muuuito chatos. Deveriam proibir mesmo!
Maravilhas da comunicação interativa. O receptor, na tentativa de compreender, vira co-autor.
Período eleitoral é um tempinho bem bizarro…
Mais um para NÃO votar!
Cara! Eu amo estas propagandas barulhentas tanto quanto de uma enxaqueca!
Gostei da idéia de voto de rejeição… Se o cara tivesse mais votos de rejeição do que de aprovação seria eliminado.
Eu também odiava carro de som até que num belo dia eu estava precisando de emprego e montei um carro de som pra me virar e hoje eu sou um dos caras que pertuba a vida de vocês e tenho que ouvir isso por várias horas ao dia e tenho vários carros.
Concordo plenamente com o parceiro de trabalho Marcos Fabiano, eu tenho carro de som, vivo da propaganda só que muitas pessoas acham que isso é uma espécie de esporte, mas náo é pura profissão. Sinceramente, todos nós temos direito de trabalhar em áreas diferentes.
Claro, todo mundo tem direito de trabalhar. Mas eu preferia que você trabalhasse em uma coisa menos chata e que não me impedisse de fazer coisas como ver TV ou, sabe… dormir.
É claríssima a Resolução 22.718 de 2008 (DJ de 19/6/2008) do TSE no que dispeito ser permitido, até a véspera do dia da eleição, o carro de som transitar pela cidade divulgando jingles ou mensagens de candidatos, desde que os microfones não sejam usados para transformar o ato em comício. Entretanto, não disse o TSE qual o limite de som permitido, de cuja omissão se aproveitarão, como já o estão fazendo amíde e a qualquer hora do dia e da noite, centenas desses “inferninhos supersônicos” sem deixar ninguém repousar, em flagrante desrespeito à lei do silêncio, a qual deveria ser observada, pelo menos, em relação a cheches, escolas e residências particulares! Durma-se com tanto barulho!
Leia-se “no que diz respeito ser permitido, … em vez de “no que dispeito ser permitido, …”