A vida que já era boa ficou melhor ainda

Clara e Anna

A emoção, o cansaço, o déficit de sono… Tudo isso vai impedir um texto mais profundo e lacrimoso do que eu gostaria. Mas o importante é que minha filha querida nasceu e minha vida, obviamente, mudou para melhor. Coloque aqui por favor todos os chavões e frases feitas. É tudo verdade. E eu sabia que ia ser verdade. Minha família é a melhor coisa que já aconteceu comigo e ainda tenho a felicidade de poder trabalhar em casa, acompanhando tudo de pertinho (e acordando de madrugada para ajudar sem precisar ficar desesperado com a hora no dia seguinte).

Então vamos, por enquanto, nos limitar aos detalhes “técnicos” do nascimento. Afinal de contas todo mundo sabe que esse site agora vai meio que virar o blog da Clara. ;-)

Na quinta-feira de noite aconteceu o cinematográfico “a bolsa estourou”. Fomos para a Perinatal, fizemos exames mas não ficamos por lá já que a maternidade mais famosa do Rio está sempre lotada. Depois de acertos com a médica partimos para o Barra D’Or, chegando por volta da virada da meia-noite. Como o plano era parto normal ficamos esperando a maldita dilatação dar o ar da graça, mas só quem aparecia eram as dolorosas contrações.

Sete da manhã o veredito: cesariana. Mais espera pela preparação da sala de cirurgia e por volta das 8h os times entram em campo. Mal me acomodo no ambiente, 8:21, os gritos “Clarinha saindo! Clarinha saindo!” O mundo girou, brilhou eu entrei em órbita e meio que ainda não voltei.

O “dia seguinte” (ou seja, o mesmo dia sem a noite de sono) foi triplamente surreal pelo nascimento, pela falta de sono e pela montanha russa de emoções. Fui com meu pai no cartório (você tem que registrar o bebê no mesmo bairro da maternidade) e dormi sentado na fila. Ele me cutucou e na hora de responder o nome da criança fiquei com medo de dizer besteira, dado o cérebro em derretimento, numa cena que podia ter sido assim:

— Qual o nome da criança?

— Hmmm… Mabel Billy Mmmm Mmmmm…

Apontei para as carteiras de identidade à frente e mandei:

— Clara, Maron que nem a mãe, Dias que nem o pai.

Depois fiquei pensando se tinha dito tudo na ordem certa, mas como meu pai não pulou de susto acho que acertei.

Mais horas sem dormir, mamadas, visitas, avós babando, dormir no sofá do hospital e no final deu tudo certo. A Anna teve uma “ressaca” da anestesia maior do que o esperado mas hoje viemos todos para casa festejar a nova família. Anna, aliás, chorou horrores a cada momento “marcante”. Parto, primeira mamada, primeira mamada em casa… Mas não podia ser diferente. Até porque nossa filha nasceu com um pouquinho menos de cara-de-joelho do que o normal em recém-nascidos então ficamos babando mais ainda. Ou talvez ela seja tão feia quanto todo bebê e a gente não consiga perceber. Importa? Claro que não.

De agora em diante as noites serão longas e os dias mais bonitos. Meus enormes agradecimentos a todos que torceram por nós, a meus pais que nunca saíram do nosso lado, junto com a mãe e o padrastro da Anna. Também um abraço à equipe do Barra D’Or que é nota dez e nos deu todo o apoio necessário e mais um pouquinho. E um agradecimento especial para os “técnicos” que trouxeram a Clara ao mundo. Às doutoras Mônicas (obstetra e pediatra) e sua equipe que comandaram o espetáculo mas também a todos os médicos e cientistas que vieram antes deles. Se eu estou aqui contando de maneira trivial como o nascimento da minha filha foi lindo e como ela e a mãe passam bem isso só é possível graças a pessoas que quebraram barreiras e procuraram, através da ciência, melhorar nossas vidas. Hoje em dia a “bolsa estourar” é uma mera curiosidade, a (bem) menos de 100 anos atrás era risco sério de vida para mãe e bebê. Isso sem falar na própria anestesia, novidade recente na medicina e mais ainda nos partos, já que “alguns” acham que as mulheres devem sofrer no parto para expiar os pecados de uma figura imaginária que roubou uma maçã de uma árvore figurativa. Hoje minha filha e minha mulher passaram por um parto sem nenhum risco grave, mas menos de um século atrás a coisa poderia ter sido diametralmente diferente.

Então, antes de ir lá botar a Clara para arrotar queria dizer: Anna, você que já me fazia o cara mais feliz do mundo agora ganhou uma ajuda e tanto. A família Maron-Dias chegou com força total.


:: Escrito por Cristiano Dias, dia 31 Jul 2006, 22:41, em Vida de gado.
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