Copa, dia 10

Mais um dia de jogo do Brasiu-siu-siu. Desta vez o jogo foi degustado no quiosque-restaurante do sogro do meu irmão. Ambiente agradável, petiscosos espetinhos, cerveja em ponto de fusão, boa companhia… mas transmissão pela Grobo. Sendo assim tive o desprazer de ver nosso ídalo Galvão pedir um justo minuto de silêncio em homenagem a Bussunda… e não fechar aquela #$#@%!&#^@ daquela boca. Meu ódio pelo cara atingiu níveis inéditos. O infeliz calava a boca, aí 3 segundos depois falava alguma coisa. Aí se calava. Aí falava. Ele não conseguia ficar calado, era mais forte do que ele. Um desrespeito sem tamanho.

Mais justa do que nunca a faixa achada pelo Juca Kfouri e flagrada pelo pessoal do Haja Coração.

Mas vamos ao futebol que é o que interessa.

Japão 0 x 0 Croácia: Eeeeita jogo chato. Pelo menos tirou do Brasil o título de jogo mais chato do dia. Esse time japonês é muito limitado, uma vergonha pro nome do Zico. Os caras não conseguem chutar a gol e quando chegam ao ataque cruzam a bola, como se fossem ganhar dos croatas 20 centímetros mais altos. Um time completamente perdido em campo. Não que os croatas fosse tudo isso, até pênalti perderam. No campeonato do mais pior de ruim um resultado justo para os times e injusto com quem teve que ver aquilo. Nem de aperitivo serviu. Os dois ainda têm chance, mas a segunda vaga está muito mais pra Austrália, é claro. Pela matemática e pelo futebol.

Brasil 2 x 0 Austrália: Eita jogo chato. A Austrália mostrou que é um time que sabe anular melhor o meio-de-campo (e laterais) do Brasil, mas não soube furar o bloqueio deste mesmo meio-de-campo-e-laterais para chegar no gol. Ameaçou pouco (quase que o Dida entrega!), mas podia até ter feito unzinho, é um time com mais vocação ofensiva do que a Croácia. Guus é Guus, temos que admitir.

O Brasil jogou um pouquinho melhor do que no primeiro jogo, o que era de se esperar. Mas não como o mundo inteiro pagou ingresso para ver. As manchetes dos jornais do mundo todo (especialmente os daqui) caem de pau em cima de um time que venceu por 2 x 0 e já está classificado. Eu achei que o objetivo do futebol fosse marcar mais gols que o adversário.

Eu posso estar errado, mas toda essa expectativa de jogo bonito, futebol espetáculo, etc. nasceu sozinha depois dos 4 x 1 em cima da Argentina na Copa das Confederações. (mais um ou outro jogo contra time fraco nas eliminatórias). Parece que todo mundo anda meio esquecido, mas nosso técnico é o mesmo de 1994, o caneco mais jogo feio dos cinco que temos. Em 94 chegaram a fazer uma estatística maluca de que o Dunga tinha sido de lavada o jogador que mais tocou na bola o campeonato inteiro. Todo ataque tinha que, obrigatoriamente, passar por ele. Repare como hoje é o Ronaldinho Gaúcho que desempenha esse papel. O meio-de-campo do Brasil é burocrático e sem velocidade, porque é assim que jogam os times do Parreira. Se em 94 fazíamos gol na base do chutão pra frente pro Romário completar hoje ainda usamos um pouquinho do meio-campo criativo. Então não sei de onde todo mundo tirou que o Brasil vai jogar bonito, dar espetáculo, ser inesquecível, blablabla. Não vai, o técnico é o Barreira! Lembra do sufoco de 94? Você vai recordar e viver.

É só escolher: ser campeão como em 94 ou jogar bonito como em 82? Meio-termo só chamando o Felipex de volta.

Ronaldinho jogou melhor e pode realmente já estar no ponto nas oitavas, desde que não tome outro cartão idiota contra o Japão. Todo mundo, obviamente, quer ver o Robinho jogando desde o início. Mas está esquecendo que esta será a Copa vencida pelo banco de reservas. Praticamente todos os jogos (em todos grupos) estão terminando com jogadores exaustos. Robinho entra incendiando por conta do seu talento sim, mas também porque os defensores já estão com as pernas pedindo penico. Isso é uma arma e devemos saber usar bem.

Então eu queria de Papai Noel… Tira o Ronaldinho, avança o Gaúcho para o estilo Barcelona. E bota o Juninho Pernambucano no meio. É claro que isso é só sonho, eu sei… Deixa eu sonhar.

O jogo contra o Japão vai ser mais baba (desculpe, Zico) e o time vai poder elevar o moral, se soltar mais e, quem sabe até, agradar um pouco mais aos chatos. Mas eu prefiro ser campeão.

França 1 x 1 Coréia do Sul: mal vi esse jogo, já estava curando a já ressaca. Mas a França, basicamente, voltou a ser o timinho medíocre que sempre foi, exceto nas Copas onde Platini e Zidane passaram para valer. Porque fora isso a França nunca foi nada mesmo.


:: Escrito por Cristiano Dias, dia 19 Jun 2006, 20:46, em Brasil-sil-sil,Esportes.
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