Cotas

Quem lê este blog há algum tempo sabe que sou contra o sistema de cotas raciais em universidades (1, 2 e 3). Eu seria capaz de aceitar um sistema de cotas baseado na renda da família, mas não por raça pois acho que as cotas 1) são medida populista-eleitoreira 2) vão forçar as universidades a baixar o nível dos cursos 3) vão gerar preconceito dentro da universidade: “esse cara só entrou porque tem cota”.

O problema é complicado demais para ficar em um parágrafo só, mas a Folha Online conta que 46% dos cotistas zeraram em pelo menos uma prova do vestibular da Universidade Federal de São Paulo.

O mau desempenho desses alunos faz com que a Unifesp acredite que o projeto do governo federal, que prevê cotas de 50% em todas as universidades federais, possa baixar a qualidade do ensino superior.

“Não há demanda qualificada para propor cotas de 50%”, raciocina o pró-reitor de graduação da Unifesp, Luiz Eugênio Araújo de Moraes Mello.

“Não zerar no vestibular é o mínimo. Se for imposta porcentagem, qual será a saída? Deixar a prova mais fácil?

A Unifesp separa 10% de suas vagas a negros e indígenas que estudaram em escola pública. A universidade, é bom dizer, acompanhou os estudantes que entraram por cotas ano passado e constatou que eles tiveram desempenho igual ao do resto da turma, o que vai contra minha teoria de “nivelar por baixo”. (mas estamos falando de 10% e não 50% das vagas…)

É bom ver que a universidade resolver estudar o assunto de perto em vez de simplesmente baixar uma ordem que finge ter o objetivo de resolver todos os problemas sociais com uma canetada.


:: Escrito por Cristiano Dias, dia 29 May 2006, 09:56, em Brasil-sil-sil.
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