Ele pode ser seu avô
O Tiktaalik roseae é, ao que tudo indica, o elo perdido entre os animais marítimos e terrestres, na transição ocorrida uns 375 milhões de anos atrás. O Tikta (pro íntimos) é um peixe em todos os sentidos biológicos (apesar da cara de jacaré) mas examinando seu esqueleto de perto é possível ver estruturas parecidas com a de animais terrestres de quatro patas, como costelas e pescoço. Em suas barbatanas é possível ver estruturas parecidas com dedos e punhos em formação.
O Tiktaalik — que teve este nome sugerido pela tribo indígena da região de Nunavut onde o fóssil foi achado — junta-se ao Archaeopteryx (elo entre aves e répteis) no panteão de elos perdidos. A suposta ausência de fósseis destes elos é um dos argumentos dos criacionistas anti-Darwin mais próximos de algo que se possa chamar de base científica. A teoria de que animais aquáticos de quatro “membros” (tetrápodos) saíram do mar para a terra em busca de alimentos gerando os primeiros animais terrestres já é a aceita pelos biólogos, através de fósseis de animais “antes” e “depois” da transição. Mas o Tiktaalik é considerado o ápice deste período transitório, virtualmente derrubando qualquer dúvida sobre a teoria.
Sempre na busca por mais comida com menos predadores por perto os peixes pré-históricos foram se chegando nas margens dos rios. Nas águas rasas eles foram, ao longo de milhões de anos, adquirindo a forma achatada que répteis, anfíbios e o Tiktaalik apresentam, para poder chegar mais e mais “na beirinha”. Mais ou menos como os peixes voadores de hoje eles foram se preparando para ficar alguns instantes fora da água até que, “um belo dia” (em proporções evolutivas, é claro) conseguiram sair da água de vez, tendo um mundo inteiro de comida para proliferar à vontade… até surgirem os primeiros predadores.
A descoberta está na última edição da revista Nature. Mais informações no ótimo artigo do NYTimes, em inglês.
Eu me emociono com essas descobertas.
no caso este é apenas 1 dos bichos que do mar foram para a terra néh ?
Essa semana terminei A Short History of Nearly Everything, do Bill Bryson, cê já leu? É muito interessante e essa parte do elo perdido e da evolução é bem legal. Fala-se de física, geologia, astronomia, biologia, evolução, em termos simples e com um interessante recheio de histórias engraçadas sobre os cientistas, esses loucos. Vale a pena ler.
[...] PS: A National Geographic também está por trás (financiou) da outra grande novidade científica comentada neste blog hoje. Dá vontade de assinar a revista só pra ajudar os projetos dos caras. (será que adianta?) [...]
Para ouvir o “outro lado”:
http://pos-darwinista.blogspot.com/2006/04/o-novo-elo-perdido-no-assim-nenhuma.html
Tá certo, o cara é meio “incisivo”, mas há uma importante característica da lógica: a verdade é verdade e o certo é certo independente de quem está dizendo, ou como.
Outro interessante:
http://michelsonborges.blogspot.com/2006/04/comentrio-da-scb-sobre-o-novo-elo.html
Elcio, antes de mais nada, obrigado pelos links. Gostei do primeiro, mas o texto desse novo link é fraco. Ele basicamente tenta derrubar os estudos de evolução (em geral) com dois argumentos:
1) As matérias sobre o Tiktaalik são tendenciosamente anti-criacionistas.
Se o jornalista é tendencioso (para qualquer lado) a teoria científica não tem nada a ver com isso. É como dizer que a teoria é furada porque o jornalista é judeu ou gay.
2) Estudos em fósseis anteriores se mostraram errados. (vários outros acertaram, mas ele não menciona isso). Então, por lógica lusitana, este também está errado.
Ele cita o Celacanto cinco vezes. Mas esse é um vício religioso: se uma coisa da teoria está errada todo o resto é invalidado. É exatamente por isso que os religiosos lutam tão fortemente contra a Seleção Natural. Se uma parte da Bïblia estiver errada todo o resto está errado, no raciocínio deles. Com a ciência não é assim. Se os cientistas publicam seus achados na Nature eles *esperam* que seus pares avaliem e critiquem. Sim, a comunidade científica anda meio viciada em “verdades absolutas” mas o método ainda é o de “desprovar” teorias por meio de hipóteses, estudos e provas materiais (como os fósseis, por exemplo). O Celacanto não é o que se pensava originalmente? Ótimo, prova do mérito do método científico de duvidar antes de mais nada. O que *não* prova é que a teoria do criacionismo está certa.
Nunca haverá acesso a todos os fósseis de todas as criaturas que já viveram no planeta. Criticar o Tiktaalik é só desviar do assunto principal, é espelho e fumaça. Afinal de contas, tinha Tiktaalik na Arca de Noé?
PS: Tentei colocar um comentário lá mas o Blogger está com prisão de ventre.
Salve, Cris!
Na verdade a resposta da SCB ao Tiktaalik parece apenas “espelho e fumaça” porque o assunto não criação X evolução, mas o barulho feito em cima do Tiktaalik. O artigo fala sobre a maneira tendenciosa como foi tratada a descoberta do animal, é uma resposta à forma como a imprensa tratou a descoberta do Tiktaalik como uma “prova” da evolução quando ele poderia ser considerado, no máximo, uma evidência.
Assim, você está certo em suas colocações, mas entenda as conclusões:
1) As matérias sobre o Tiktaalik são tendenciosamente anti-criacionistas.
Isso é um fato, as matérias são tendenciosas. O artigo não disse que a evolução é mentira porque as matérias são tendenciosas ou que a parcialidade dos jornalistas prova a existência de um Noé e um Adão. Apenas denunciou o fato de os jornalistas tratarem a descoberta do fóssil como uma prova conclusiva da evolução, o elo perdido que faltava, enquanto ele não prova coisa alguma.
2) Estudos em fósseis anteriores se mostraram errados. (vários outros acertaram, mas ele não menciona isso). Então, por lógica lusitana, este também está errado.
Não é apenas isso. Há grandes semelhanças entre o Tiktaalik e descobertas anteriores como o Celacanto. São casos em que:
. Se deduz muito rapidamente que um novo animal é o “elo perdido” que faltava.
. Ignora-se o fato de que, havendo milhões de formas de vida, deveríamos encontrar um bom número de fósseis de formas transicionais. Toma-se como prova da evolução um animal em que há indícios de que possa ser uma forma transicional.
. A descoberta e suas “conclusões” são anunciadas em um período em que os opositores do darwinismo estão fazendo barulho, o que é um indício de motivação não-científica.
. Faz-se grande estardalhaço público.
O fato de um evento se repetir cinco ou seis vezes não cria uma lei absoluta, mas quase todo mundo apostaria que alguém consegue atravessar a Lagoa Rodrigo de Freitas a nado se essa pessoa já tiver feito isso cinco ou seis vezes em situações semelhantes. Não é “lógica lusitana”, é bom senso.
Bom, então concordamos… A imprensa fala merda 99% do tempo. Mas criacionismo ou DI não é ciência.
Primeira vez que visito o blog e de cara já gostei (criacionismo X evolucionismo) muito bom eu deixo só uma pergunta no ar para os criacionistas onde ta os esqueleto de Adão e Eva ou melhor ficaria mais fácil de se comprovar o esqueleto de Abel que possivelmente teria alguma marca da traição de Caim.
Essa semana mesmo eu tive uma discussão sobre o tema chega ser ridículo a teoria de Darwin pode até não estar de todo correta, mas a teoria do criacionismo é piada eu tenho mais provas sobre papai Noel e coelhinho da páscoa que sobre Adão e Eva, todo domingo de páscoa meu ovo de chocolate tava em cima da cama e todo natal papai Noel deixava nem que fosse um carrinho de plástico vagabundo pra mim na arvore de natal, sei que meu comentario é idiota mas eu não resisto.