Vergonha geral

Publicitário paulista desvenda mistério da propaganda indesejada

Desconfiado, Aílton Tenório da Silva começou a investigar ao enviar a sua declaração de imposto de renda de 2003. Ele acrescentou as letras ‘B’, ‘I’ e ‘R’ ao seu endereço e criou também um endereço eletrônico exclusivo, pelo qual deveria receber toda e qualquer correspondência da Receita Federal.

O que era uma simples suspeita virou confirmação.

— Houve um vazamento, não duvida nenhuma disso. E veio de lá — afirma Aílton.

A confirmação veio quando um dia o publicitário recebeu em casa uma oferta de cartão de crédito. O banco enviou a proposta para o endereço só fornecido à Receita Federal.

Se isso acontecesse em qualquer outro lugar isso ia dar — com o perdão da má palavra e do trocadilho infame ao mesmo tempo — uma merda federal.

Aqui o secretário da Receita simplesmente diz “não vendemos os dados” e fica por isso mesmo. Segue a vida porque a privacidade do brasileiro — droga, outro trocadilho infame — já está na privada faz tempo. Aqui a gente não consegue nem compreender direito o quanto é um absurdo ter os dados dos contribuintes do Imposto de Renda vendidos no camelô. Até porque é mais importante saber quem é o pai do “caseiro do Palocci” e se o ministro foi ou não foi na cada do Big Bróder.


:: Escrito por Cristiano Dias, dia 24 Mar 2006, 04:02, em Brasil-sil-sil,Liberdade Digital.
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