Punindo o correto

Marisa Monte: Universo ao Meu RedorMarisa Monte, depois de sei-lá-quantos-anos (descontando os Tringuelistas) coloca dois novos CDs na praça. Campanhas de marketing, posicionamento privilegiado em gôndolas e vitrines, entrevistas na TV, capas de revista… e proteção “anti-cópia” de algum tipo escolhido pela EMI, sua gravadora.

Os dois CDs já estão nas melhores redes P2P do ramo. Céus, estou chocado! Como é possível?

Ou seja: quem não quer pagar pelo CD continua não precisando pagar. Quem mete a mão do bolso e tira trinta e sete mariolas para comprar um dos CDs (mais ou menos R$ 2,64 por música) fica com um produto aleijado, que não pode ser transferido para tocadores de mp3, backupeado e que para tocar no computador vai (talvez) precisar instalar algum programa safado abrindo seu computador a invasores maléficos. Quem joga nas (cada vez mais paranóicas) regras estabelecidas pelas gravadoras é punido e quem joga por fora tem um produto final melhor do que o original.

Será que algum dia as gravadoras (e estúdios de cinema… e canais de TV…) vão se tocar do óbvio? Se o som de um CD sai pela caixa de som não há sistema anti-proteção que impeça a cópia digital do mesmo. Que em um título que vende centenas de milhares de unidades só é preciso um consumidor paciente para gerar uma cópia em mp3. Todos os outros que pagaram pelo produto viram patos por conta do ráquer. Colocar barreiras, códigos e limites só dá motivos para que o consumidor não compre o produto original.

No dia mundial do consumidor, respeito é bom é nós gostamos.


:: Escrito por Cristiano Dias, dia 15 Mar 2006, 08:37, em Liberdade Digital.
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