Greetings from Idiot America

A idéia aqui não é rir da cara dos americanos. É ficar de olho porque vagarosamente estamos indo na mesma direção.

The rise of Idiot America is essentially a war on expertise. It’s not so much antimodernism or the distrust of intellectual elites that Richard Hofstadter deftly teased out of the national DNA forty years ago. Both of those things are part of it. However, the rise of Idiot America today represents—for profit mainly, but also, and more cynically, for political advantage and in the pursuit of power—the breakdown of a consensus that the pursuit of knowledge is a good. It also represents the ascendancy of the notion that the people whom we should trust the least are the people who best know what they’re talking about. In the new media age, everybody is a historian, or a preacher, or a scientist, or a sage. And if everyone is an expert, then nobody is, and the worst thing you can be in a society where everybody is an expert is, well, an actual expert.

No nosso país vale mais ser jogador de futebol, artista de TV ou músico, nessa ordem. Em último lugar vale ser alguma coisa que possa ser chamada de “intelectual”. Porque você é um bom jogador, artista ou músico porque nasceu assim. Então se você não é uma dessas pessoas não há mais nada que você possa fazer, a vida foi injusta e ponto. Passa logo meu almoço de R$ 1, ou meu ingresso de futebol de R$ 1. Mas ninguém nasce sabendo, já dizia o ditado. Então para ser “especialista” em alguma coisa é necessário esforço e dedicação. Isso dá trabalho e acaba significando que, com o devido estudo vamos precisar começar a pensar por nós mesmos. E é muito melhor deixar alguém pensar por nós, não é mesmo?


:: Escrito por Cristiano Dias, dia 11 Nov 2005, 14:05, em Welcome to America.

9 Comentários

  1. andre lopes

    Gostei do artigo, mas acho preconceituoso seu comentário. Assim como os profissionais do entretenimento já nascem talentosos, também é verdade que algumas pessoas já nascem com mais aptidão intelectual do que outras. E se esforço e dedicação são necessários para se especializar em algum assunto, também são necessários para o desenvolvimento da habilidade inata do jogador de futebol, do músico ou do artista.

    Não acho que o problema seja uma supervalorização do entretenimento e um desprezo ao trabalho intelectual. O intelectual, a autoridade, o especialista ainda gozam de muito prestígio. E é justamente por isto que alguns espertalhões se apropriam desta posição, posando de especialistas no que não são - ou, paralelamente, vendendo como científico o que não é. E esta difusão de “especialistas” para todos os gostos é que permite ao cidadão comum preguiçoso sempre encontrar algum que diga justamente o que ele queria ouvir (que é o que ele já acreditava, por intuição, preconceito, ou por ter sido ensinado assim). E, pior, ainda tem o falso discurso da “tolerância” para também dar validade a que se acredite em qualquer besteira.

    Concordo que as pessoas estão deixando que outras pensem por elas. Acho mais grave, porém, que elas nem percebam isso, e continuem pensando que pensam…

  2. Maria Miller

    Creio que o Bush seje o retrato da America atualmente. Cheia de si, super poderosa mas ignorante e inconssequente. Sem falar arrogante e mal educada. To morando aqui nos EUA desde junho e ate agora estou gostando. Ta sendo uma experiencia bem interessante. Tambem eu dei muuuuuita sorte de estar num lugar rodeada de gente fina , alto nivel e muito musical tambem. O engracado e que todo mundo que eu conheci ate agora aqui_ americanos_sofrem de Bushfobia. Tem verdadeiro horror e se envergonham do presidente. Concordo plenamente com o texto: quanto mais idiota o povo, mais facil de ser manipulado. Isso nao e novidade.
    SAUDAAAAADES,Cris!

  3. Cláudio

    Ser músico é bom! E o terceiro lugar é mais que justo!

  4. Monica

    Sem dúvida estamos indo pelo mesmo caminho, as semelhanças são cada vez maiores e isso é assustador.
    O fato de serem ignorantes, inconsequentes, mal educados, arrogantes e caipiras nada mais é que fruto de terem atingido uma maturidade econômica muito antes de evoluirem como sociedade. Assim como nós eles são jovens e se a gente olhar pro lado são a exceção entre os países desenvolvidos que trazem todos séculos de história, lutas, guerras e etc nas costas…

  5. Marcelus G. Zalotti (MaGioZal)

    Engraçado… eu sempre tive essa percepção, e já há bastante tempo, de que aqui no Brasil craques de futebol são muito mais valorizados e cultuados como heróis nacionais do que qualquer outro cara com boa formação intelectual.

    Eu diria que até recentemente, querer saber além da superfície “rádio-J.N.-novela-futebol” não era visto com bons olhos de jeito nenhum.

    Fico aqui me lembrando dos meus tempos de escola estadual em São paulo, onde as quadras viviam cheias (com os garotos que pegavam mais garotas na turma), e as bibliotecas, vazias, cheirando a poeira, mofo e desinteresse.

  6. Marcelus G. Zalotti (MaGioZal)

    Ah, para complementar: acho que com a chegada da democarcia (pelo menos em termos formais) e a (r)evolução tecnológica da informática aqui no Brasil a visão sobre quem quer saber um pouco mais melhorou, mas talvez não muito…

  7. duard - Carlos Aquino

    Tati quebra barraco poderia lhe explicar isto muito bem ! :-|

  8. elaine

    oi,
    incomodaria-se em trocar “músico” por “músico popular”?
    muchas gracias…

  9. dawalibi

    Nosso tempo é a era do marketing. Se um profissional é medíocre, mas tem bom relacionamento na mídia e está disponível, logo vira “um dos maiores especialistas no assunto”, e ninguém mais se preocupa em ouvir gente séria. Com isso, fazem fama e fortuna os “consultores de motivação”, os “escritores mais vendidos”, os “parapsicólogos”, os “especialistas em saúde da mulher”, os “juristas”, os “grandes estrategistas em segurança pública”, os “economistas” etc. Nunca os melhores, mas sim aqueles a quem os jornalistas e produtores, por preguiça ou ignorância, recorrem para tratar sempre dos mesmos temas. Enfim, assim se fazem os Drs. Montgomerryes, Paulos Coelhos e Padres Quevedos da vida.
    Sociedade de massas é isso aí.

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