Tim Burton, as ferramentas e ser parte do problema
Tio Burton lançou essa semana seu novo filme em animação stopmotion (vulgo bonequinhos) A Noiva Cadáver e mandou essa aqui sobre animação computadorizada, que eu tirei do blog da 37signals.
Em Hollywood eles acham que desenhos animados não funcionam mais, que computadores são a maneira certa de se fazer animação. O que eles se esquecem é que os computadores são “a maneira” porque a Pixar faz bons filmes. Então todo mundo tenta copiar a Pixar. Eles apostam muito da tecnologia e pouco nos artistas. (…) Aí um belo dia alguém vai fazer uma animação desenhada e vai ser lindo e emocionar as pessoas e eles vão dizer ‘Oh, temos que fazer assim!’ É ridículo.
Quem sabe faz, quem não sabe vende. (nota: eu trabalho com vendas também, OK?)
Essa semana estou com essa idéia fixa sobre os marketeiros. Um dos meus ídolos é o falecido Bill Hicks e uma das “piadas” do seu show era algo do tipo…
Tem algum marketeiro na platéia? Levantem as mãos. Muito bem, é o seguinte: se mata. Não, sério. Se mata. Você é a culpa desta merda de mundo em que vivemos. Se mata. Agora. O mundo vai ser melhor. Você deve estar pensando que eu estou brincando e bolando para qual mercado pode me vender, mas eu estou falando sério. Se mata pelo bem do mundo.
Os marketeiros do mundo ficam tentando engarrafar o que é bom, como se uma coisa ser boa ou ruim dependesse apenas da maneira como ela é veiculada e nem um pouco ligada à coisa em si. Assim há mais controle.
De repente um filme que veio do nada é um sucesso e os marketeiros vão atrás com suas garrafas achando que o filme fez sucesso por ter uma bruxa ou um pinguim. Porque senão vamos começar a achar que marketeiros não servem para nada.
O Netvibes — que me indicaram num comentário aqui no blog — não fez campanha de lançamento e está, de boca em boca, virando um sucesso. Porque é bom. Você já viu propaganda do Google? Nem eu.
O disco novo do Franz Ferdinand (citado no podcast) já está pronto, mas só vai ser lançado em outubro. O primeiro single só chegou às rádios segunda-feira. (a frase deveria ser “a mesma música chegou a todas as rádios do mundo na segunda-feira”). Os marketeiros desenham suas janelas, seus planos de marketing, o calendário de shows de divulgação, as idas ao Faustão. Precisam, primeiro, mandar uma cópia do disco para a imprensa para gerar ansiedade e antecipação. Para dizerem como o disco é maravilhoso para que em outubro ninguém aguente mais e faça fila na porta da loja para comprar o tal disco.
Mas os fãs não estão preocupados com a taxa de retorno de investimento, a penetração ou o market-share. Eles querem ouvir o som dos caras. E se já está pronto eles querem ouvir agora. Então é melhor os marketeiros se matarem mesmo, ou deixarem de ser parte do problema.
Tem uma piada famosa (antiga?) sobre marketeiro que é mais ou menos assim:
O marketeiro está dando uma palestra demonstrando seu novo método de lavagem cere.. digo, marketing e finaliza assim:
-Nosso método é tão bom, mas tão bom, que eu posso colocar merda nem caisa e vender.
Aí um cara grita la do fundo do auditório:
-É exatamente o que você faz!
Antes de eu me matar, deixa eu explicar umas coisas:
. Marketing é o conjunto de ferramentas que tem por objetivo aumentar o lucro da empresa e gerar satisfação do consumidor. Ou seja: todo mundo fica feliz, pelo menos na teoria.
. Marketing e Publicidade não são a mesma coisa. Publicidade é uma das ferramentas do marketing.
. Cobiça, inveja, ganância e vaidade não foram inventadas pelos marketeiros. Isso existe desde o tempo das cavernas.
. O Google faz marketing, sim. E muito bem. Assessoria de imprensa, diversificação das buscas, exploração de novos nichos de mercado (Google Talk, por exemplo), adequação aos vários idiomas, informações falsas para o Primeiro de Abril, Gmail fechado apenas com convite, Google Moon com queijo, logomarcas comemorativas, tudo isso é Marketing.
. O Yahoo faz marketing tradicional. Aliás, comerciais muito legais. Que mal há nisso?
. Marketing não é ruim. Ele ajuda a vender coisas ruins, como Britney Spears. Mas o conceito de “bom” ou “ruim” é relativo. Eu, por exemplo, acho Strokes ruim.
. O fato de uma banda se vender sem usar ferramentas tradicionais de Marketing não quer dizer que eles não usam marketing. E os clips na MTV? E os singles? E o site? E o apoio aos fãs-clubes? E o discurso de “somos alternativos, não fazemos marketing”? Com o público que essas bandas têm, muita exposição seria o fim. O segredo é ser “low profile” e usar o “marketing silencioso”.
. No final das contas, o que vale mesmo é o produto ser bom. Se o produto é ruim e você ouve / compra / come / gosta só porque o Marketing te disse que é bom, então você é muito mané.
O que faço com o net vibes?
Só compro o que meu dinheiro dá.Acho mais uma doença de nossa civilização que pessoas pobres fiquem expostas às às tentações.As propagandas poderiam ser mais engraçadas.
que merda!!!!! coloca o que presta meu! ninguem merece!!