A mente meio mais ou menos
A imaginação está morrendo nas mãos da cultura de massa. Mas ao contrário do gostaríamos de crer a culpa não é apenas de “forças ocultas” que querem dominar nossos corpinhos sarados e nossas mentes. Como naquele livro de Bradbury somos nós mesmos jogando a imaginação na fogueira quando já queremos as “respostas certas”, a cultura mastigada, quando aceitamos as justificativas oficiais e quando pensamos que uma obra de arte é apenas uma obra de arte ou, pior, um produto. O mundo está se tornando um lugar imbecil e a culpa é nossa.
Essa opinião que consegue ser mais ranzinza do que a minha própria é a do professor de literatura Curtis White em seu livro A mente mediana: por que deixamos de pensar por nós mesmos (W11 Editores).
Querida, você se lembrou de reprimir seu sentido de capacidade criativa antes de vir para a cama? E não esqueça de imbecilizar as crianças.
Seriam os blogs um sintoma da mente mediana? Afinal de contas nossa máxima é “leitor de blog não lê texto longo”. A opinião geral é a de que leitor de blog quer receber a informação, engolir, arrotar, clicar e ir para o próximo bloco. Eu mesmo, reconhecendo meu teto de vidro, tenho que confessar usar dessa prática várias vezes.
O autor bate em assuntos tão variados quando a cultura nova era, robótica e, claro, os cachorros-mortos da intelectualidade mundial: Steven Spielberg e George W. Bush para pinçar assuntos como arte, filosofia, jornalismo e até fé.
Um de nossos maiores problemas segundo White é o excesso de fé, seja ela a fé “tradicional” na religião ou a fé no governo, no capitalismo, na mídia e na ciência. Temos fé que aquilo que nos é dito é verdade, não é preciso questionar, não é preciso imaginar como seria diferente, não é preciso transgredir. Isso é perda de tempo e todos nós sabemos que perda de tempo é mau para os negócios. Portanto pensar e fazer arte sem um fim de aumento de produtividade (como compor música relaxante para que empreendedores possam criar mais tranquilamente) é mau para os negócios.
Quem sabe agora que li este livro os textos deste blog não aumentem?
Aguarde… até porque a bateria do notebook está acabando…
Você, provavelmente, já sabia que eu ia achar este post magnífico!
Já frequentador, vou gostar ainda mais de ler seu blog se os textos forem longos, pois sei que você tem muito a dizer!
Depois de ler esse post o mundo ficou até mais colorido.
Abraço, irmão!
cara é certo :
A mente mediana: por que deixamos de pensar por nós mesmo
ou
A mente mediana: por que deixamos de pensar por nós mesmos
?
Você deve ter escrito errado, por que na capa do livro escreve-se com “mesmos”
A edição carioca é “nós mermo”.
Pra pum tchiiiiiiiii!
Vou te dizer como fica a mineira :
“Nóis mêz”
No meu blog eu escrevo para mim mesmo (sem esse apesar do meu ego estar dizendo que somos dois.) É algo para que me lembre de coisas que escrevi e gostei em determinada época. Tendo em vista ao supra-citado fato às vezes escrevo trechos longos e outras não. O fato de um blog ser uma coluna da qual ninguém te paga, e às vêzes ninguém lê, nos dá o direito de escrever como, quanto e quando queremos. Ou seja pensemos por nós mesmos e não façamos o que o Curtis e sua bílis acham!
Não conhecia o livro! Boa dica!
A atrofia da criatividade e da liberdade de pensamento porque nós mesmos o castramos sempre me preocupa.
Até uns 2 meses atrás o meu blog era composto praticamente só de textos que tentavam instigar o leitor a espiar o mundo de outro ângulo.
Só não sei se os posts tem que ser longos, acho que dá para fazer coisas curtas e ricas…
Na verdade acho que tem que ter os dois, para cada post longo uns 2 curtos, se for para falar em números.
Só não dá para ficarmos escrevendo para quem só lê coisas curtas, arrota e passa para outro, estes infelizmente não deixam marcas no mundo e não podemos descer o nível do que escrevemos por eles. Para este pessoal tem que haver outros caminhos! ;)))
Então,Cristiano
Sou meio velhinha,por isso sinto um pouco diferente.Sempre pensei por mim mesma,sempre fiz a crítica à cultura de massa,acho que o mundo está meio chato,mas no meu blog rendo pouco,estou afundada na quantidade de informações que leio todos os dias.O que vem à tona é pouco,vivo no subterrâneo.
(Atenção: Comentário longo)
Certa vez, após ler um de meus textos, um sujeito escreveu: “Sugiro que, nos próximos posts, você tente expor o que pensa em menos de 312 linhas”.
Sem contar o fato de que o comentário me divertiu por meses a fio, é sempre importante lembrar que há idéias que cabem em 312 linha e idéias que não cabem.
A noção de que todo texto pode ser cortado é uma noção meramente utilitária e que, normalmente, está mais associada com o mercado publicitário que com o compromisso de fazer o leitor entender uma dada idéia - ou mesmo com a expressão artística dessa idéia.
É como se eu tivesse vindo ao mundo com uma caixa de lápis-de-cera e me dissessem que eu devo desenhar minhas linhas no papel que está sobre a mesa.
Não há muita dúvida que eu iria para além das margens, que invadiria o tampo da mesa e que, quando todos fizessem o mesmo, eu passaria a experimentar delinear novas margens de diversos formatos só para fazer diferente.
A rotina que embota a criatividade, que leva a um conformismo cognitivo, é a margem da qual eu fujo por simples amor a sabedoria e ao conhecimento - sobretudo ao conhecimento de mim mesmo.
E se todos escrevessem textos longos, que passemos a nos concentrar na forma; se todos se concentram na forma, que passemos a nos concentrar no conteúdo; e se parecer não haver mais para onde empurrar as margens, que passemos a criticar o verbo, que ousemos violentar o método, que lutemos por subverter o “logos”.
Muitos discordam do que escrevo aqui e em outros lugares… só tenho uma coisa a dizer a esse respeito: “Que ótimo!”, pois a diversidade é força motriz de um mundo interessante e, enquanto existir a insatisfação, o conformismo e a estagnação não vão tomar conta do Homem.
(Como instigar a leitura de textos longos)
Quem descobrir erros de conjugação, concordância, grafia e conceito - no texto acima - ganha um doce!
Bom, sendo da geração que lê pouco ou só vê tv e hoje em dia joga em Lan Houses me considero um burro fundamentalmente pela falta de livros lidos, nunca é o bastante!
Peço ajuda aqueles que sabem como controlar a ânsia de cultura e imaginação sendo que a minha não pára… preciso conhecer mais para criar mais, ou pelo menos criar fora do meu mundo de experiências pessoais. Criar… a idéia hoje em dia é a de matar esta palavra, nem criar com ações vc deve mais pois tem via cabo pessoas trancadas em uma casa “vivendo” por vc. Atrofiamos pernas, braços e coluna cervical agora estamos indo para o cérebro. MElhor começar a exercitar antes que tudo vire pó e vermes.
so para nao receber mais comentarios
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